[Abertura] Afinal, o Que Querem as Mulheres?

2 dez

by: BlogTelevisual

A série Afinal, o que querem as mulheres?, da Rede Globo, conta a história do psicólogo André que tenta desvendar a famosa pergunta proferida por Sigmund Freud. E assim como todas as histórias produzidas e dirigidas por Luiz Fernando Carvalho para o canal, como em Hoje é Dia de Maria, A Pedra do Reino e Capitu, nota-se uma apelo estético bastante apurado e pouco convencional. Nessa trama em particular, o diretor oferece uma linguagem rápida, pós-moderna e nonsense, reconhecida a partir da profusão de cores, da iluminação vibrante e pouco natural, de uma edição dinâmica e fragmentada, de elementos cênicos disformes, de vestimentas exageradas e detalhadas e da predominância de planos fechados.

A abertura, portanto, não poderia deixar de acompanhar todo esse requinte visual dado à atração. Para isso, Luiz Fernando juntamente com a equipe de Hans Donner, resolveram elaborar uma animação surreal inteiramente baseada nas belíssimas e vibrantes ilustrações de Olaf Hajek.

Alexandre Romano, um dos principais responsáveis pelo projeto, conta com detalhes sobre o motivo da escolha do artista alemão, além de todo o processo de concepção e produção da belíssima peça:

O programa tem uma concepção visual elaborada e distinta envolvendo desde figurinos e iluminação até edição e fotografia. A abertura precisava acompanhar isso. Como foi o desafio?

Alexandre Romano [Rede Globo]: O trabalho do diretor Luiz Fernando Carvalho é conhecido por ter um cuidado estético e um refinamento visual rico em referências artísticas e literárias, o que traz para o desenvolvimento de uma abertura gráfica uma grande responsabilidade e compromisso com sua linha de trabalho. Por outro lado essa riqueza de conteúdo nos deu o caminho para criarmos uma sintonia entre a abertura e o programa. Nosso maior desafio foi interpretar as ideias e referências trazidas pelo diretor, criando uma identidade que representasse toda a obra de uma forma original, funcionando em harmonia ao mesmo tempo que apresentada de forma diferente dos episódios.

A abertura traz uma série de ilustrações do artista Olaf Hajek. Como se deu essa escolha?

Alexandre Romano [Rede Globo]: Trabalhar com as ilustrações do Olaf Hajek foi parte do briefing do Luiz Fernando para a abertura. O trabalho do Olaf representa o universo feminino de uma forma singular, rica em textura e cores e natureza. Mostra o fascínio dos homens pela mulher, seus desejos e beleza. Seu trabalho também seria usado dentro da série e ilustra o roteiro/sketchbook de referencia do diretor.

Houve alguma participação ou interferência do diretor Luís Fernando Carvalho na concepção da peça?

Alexandre Romano [Rede Globo]: Assim que recebemos o briefing entramos em contato com o Olaf em conjunto com o próprio Luiz para que ele fizesse ilustrações exclusivas que representassem cada fase ou episódio da série. Seriam 6 ao todo, e a partir delas desenvolveríamos uma animação integrando os elementos de cada fase. A primeira e mais trabalhada foi a da cabeça do Freud que dá iníco à abertura e faz parte da logo. A cada skecth que o Olaf nos mandava o Luiz fazia observações sobre o conceito de cada elemento e por isso foi um processo demorado que resultou na belíssima primeira pintura. Já a partir da segunda ilustração o Luiz começou a perceber que trabalhando “sobre encomenda” o trabalho do Olaf estava perdendo a força em relação à suas obras originais, então pediu para que ele fizesse alguns elementos específicos e resolveu usar partes de algumas obras já produzidas pelo pintor.

Ficamos então com 2 ilustrações prontas e aprovadas, 2 inacabadas e cerca de 20 trabalhos originais do Olaf (os quais adquirimos os direitos) para montar um design original para contar a história na abertura.

Em uma nova reunião o Luiz Fernando foi contando a história do que cada elemento das pinturas poderia representar para o texto da série e deu total liberdade criativa para que pudéssemos criar um “jardim das delícias” do mundo de “Afinal o que querem as mulheres?”.

Além disso ele pediu para que as animações fossem simples, suaves e que não perdessem o espírito de obra de arte. Fizemos um “piloto” de animação com a ilustração da cabeça do Freud sugerindo o estilo de animação dos elementos explorando as possibilidades um pouco além do que havia sido pedido, já usando um close do Freud em 3D, mostrando detalhes e textura das telas e dando outra profundidade e vida ao belíssmo trabalho do Olaf, para que soubessemos até onde poderíamos ir. Luiz Fernando viu, adorou e deu carta branca para darmos continuidade ao resto da abertura que foi ao ar sem alterações.

Quanto tempo levou entre ideia e execução da abertura?

Alexandre Romano [Rede Globo]:O desenvolvimento da abertura se dividiu em 2 fases. A primeira onde o Olaf começou a desenvolver as ilustrações “encomendadas” levou mais tempo, cerca de 2 meses. A segunda fase foi a de criação e desenvolvimento da linguagem da animação, design e montagem das cenas e finalização. Nesta tivemos cerca de 35 dias com parte da equipe dividida em outras produções.

O processo da segunda fase inclui o recorte e reconstitiução digital de todos os elementos, para deixarmos o Olaf à vontade em seu processo ele pintou direto em tela sem “layers” então todo objeto que estava sobreposto precisou ser redesenhado pois teríamos eles detacados na animação.


Algumas cenas e objetos foram projetados em malhas 3D, como a cabeça do Freud e a cabeça da Mulher de Flores para explorarmos mais detalhes em close. Todos os elementos foram montados e animados em layers 3D no After Effects onde fizemos a camera, iluminação e todo o tratamento da abertura.


Alexandre Romano [Rede Globo]: Gostaria de agradecer ao Hans Donner e Alexandre Pit por sempre acreditarem e darem força e apoio ao meu trabalho, ao Fabricio Duque, Gus Duval e Igor Ching artistas incríveis que se dedicaram de cabeça no projeto que foi produzido e realizado pela equipe da Videographics | CGCOM – TV Globo.

Créditos da entrevista: André Luiz Sens ( Blog Televisual )

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Uma resposta para “[Abertura] Afinal, o Que Querem as Mulheres?”

  1. andre420 21/08/2011 às 22:26 #

    bãozão, logo no início já lembrei de monty phyton! boa!

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