Aproveitando-se de “Cinquentinha”, minissérie exibida no final de 2009, o autor de novelas Aguinaldo Silva pegou uma das protagonistas do programa, interpretada por Suzana Vieira, e deu a ela uma série, “Lara com Z”.
Enquanto os créditos aparecem na tela, da forma modesta e quase invisível de sempre, vemos imagens sem rosto de mulheres seminuas desenhadas. Depois é revelado o rosto de Suzana Vieira nesses desenhos e conseguimos ver a referência à figura das pin-ups, ilustrações americanas típicas das décadas de 40 a 60 que mostravam mulheres jovens em poses provocantes e muitas vezes fantasiadas. Elas serviam para atiçar o desejo masculino por mulheres perfeitas e disponíveis.
A relação de Lara com as pin-ups é um reflexo de sua personalidade. Ela ainda se acha desejável, jovem e bonita. Nos remete também ao tempo em que ela era uma grande estrela e ainda traz o glamour desses desenhos que a mostram bem sensual.
As ilustrações são bem feitas e baseadas em pinturas que já existem mas com a adição do rosto da atriz. E esse é o detalhe que faz com que essa abertura cause certo desconforto nos telespectadores. A imagem que muitos têm de Suzana Vieria é de uma mulher que fala o que quer, sem papas na língua e se acha uma grande estrela, sem a ternura que as pin-ups nos trazem. Também sabemos que Suzana Vieria não é uma mulher jovem e isso também nos causa estranhamento quando vemos desenhos dela sem rugas.
O tema da abertura também reforça esses aspectos. Cantada por Elza Soares, a música “Perigosa” apresenta uma mulher que se sabe irresistível e que não tem vergonha de assumir isso.
O logotipo da série é um grande problema. Além da composição que a deixa com um aspecto cafona e que dificulta a leitura, existe um problema científico. A letra Z, escrita em neon, ganhou uma sombra, assim como os outros caracteres. Porém, como sabemos, um objeto que emite luz não tem sombra. É um detalhe que parece bobo, mas reforça a repulsa pelo logotipo.
>>> Ficha Técnica
Ano: 2011
Canal: Rede Globo
Visual
Produção: Rede Globo
Som
Trilha: “Perigosa” (de Rita Lee, Roberto Carvalho e Nelson Motta por Elza Soares)
Fonte: Blog Televisual












