Texto: André Luiz Sens
Adotada por Hans Donner desde a sua chegada na Rede Globo, essa tipografia é usada majoritarimente nos letreiros dos programas e chamadas, como forma de padronização e identificação. Em atrações mais antigas do canal, principalmente anteriores à década de 90, os caracteres têm enorme destaque nas aberturas, mas de forma mais equivocada.

Como a definição das imagens era inferior, não havia meio de colocar textos muito pequenos, senão as palavras se embaralhariam na tela. A forma encontrada de permitir a leitura dos créditos era de colocar os letreiros, muitas vezes, por cima de figuras principais, transformando as vinhetas em peças caóticas em que textos e imagens brigam pela atenção do espectador. Com o aumento da resolução das telas, os créditos ficaram menores, tornando a sua presença mais delicada e menos invasiva.

O grande problema é que uso recorrente da Globoface, apesar do valor de identidade, tornou banal a funcionalidade dos créditos nas aberturas das novelas. Destinaram-se apenas a apresentar os atores, escritores e diretores da atração. Em alguns casos, vemos até uma tentativa de tornar sua presença cada vez mais em segundo plano, a partir de diagramações simples e cores neutras.
No entanto, esse tratamento pouco diferenciado aos créditos podem estar ligado a questões puramente técnicas. Em uma novela onde são apresentados pelo menos 30 atores e que, ás vezes, nomes são acrescidos ou retirados da abertura no decorrer da trama, reservar os cantos dos quadros talvez se mostre o melhor caminho para apresentá-los sem lotar a tela de informações.
No entanto, a função dos créditos não deve se limitar somente a função informativa. Juntamente com os efeitos gráficos e as imagens, a tipografia deve oferecer elementos estéticos, conceituais e ornamentais que ajudem na composição da vinheta e no apelo ao consumo do programa que segue.

Nesse sentido, houveram alguns casos em que, mesmo sem abandonar a Globoface, se estabeleceu uma diversidade no uso e no modo de apresentação dos letreiros, tornando-se mais integrados e harmônicos às peças. Em “A Viagem” (1994), os créditos são revelados com efeitos brilhantes que viajam pelo cenário e se misturam a ele. Na vinheta da novela “Fera Ferida” (1993), as palavras aparecem em 3D, flutuando sobre e entre as paisagens naturais, inclusive com simulações de reflexos. Em Vila Madalena (1999), os letreiros são exibidos em várias cores e percorrendo a tela como carros num trânsito caótico. Em “Caras & Bocas” (2009), mesmo apresentando os textos de forma mais tradicional, quase sempre na horizontal, em determinados momentos, eles aparecem inclinados e em outros espaços, além dos cantos da tela.
Acompanham abaixo esses e outros exemplos do uso não convencional da Globoface:
Alguém lembra de mais algum?
Fonte: Blog Televisual












