(( Livro )) Design na TV – Pensando Vinheta

22 nov

Escrito por : André Luiz Sens
Acaba de ser lançado pela editora Schoba um obra inédita sobre o design televisual brasileiro: “Design na TV – Pensando Vinheta”. O designer, mestre, professor e autor do livro Rogério Abreu conta em entrevista detalhes sobre essa importante publicação que fala dos aspectos históricos, técnicos e criativos na concepção das vinhetas para a televisão.

Entrevista: Rogério Abreu

O que levou a produção desse livro?
Rogério Abreu – Desempenhei meu trabalho como designer no Videographics da TV Globo e neste período vivi muitas experiências, tanto positivas quanto negativas. Já na academia, cursando o mestrado em design, me aprofundei na analise e percebi a lamentável carência de criatividade e precária produção dos projetos atuais das emissoras brasileiras, se limitando as possibilidades da computação gráfica. É como se bastasse um operador de computador que dominasse softwares e não necessitasse pensar. O design que na década de 80 e 90 foi referência na TV, principalmente com os projetos da TV Globo, deram uma significativa empobrecida principalmente com a revisitação de conceitos do passado, bem como a otimizacão de tempo e custos. Como me tornei um pesquisador e docente universitário, desenvolvi a necessidade de escrever uma publicação brasileira que trouxesse, além de aspectos históricos, o processo criativo e elementos fundamentais para pensar vinheta na TV. Acredito que desta forma tenha conseguido contribuir para a potencialização do nível projetual dos profissionais que atuam hoje na televisão brasileira, tão significativa no passado. E ao mesmo tempo estimular novos designers a pensarem esta possibilidade de atuação, com qualidade.

Conte um pouco da sua experiência nos projetos para TV e como eles influenciaram na sua pesquisa.
Rogério Abreu – Durante minha passagem pela TV Globo tive a oportunidade de gerenciar e criar diversos projetos significativos para a TV brasileira, dentre eles destaco o gerencialmento, a criação e implantação gráfica do Big Brother Brasil, as novelas Coração de Estudante, Malhação e O Beijo do Vampiro assim como os programas A Grande Família, Amor a Bordo e Brava Gente. Principalmente com o meu processo criativo e gerencialmento do projeto para a novela o O Beijo do Vampiro, conclui que para criar um bom projeto de design na TV é necessário muito pensar, muito pesquisar e muito transpirar. Entretanto, acompanhando outros profissionais percebi que bastava um computador para que, em um dia, um projeto medíocre ficasse “pronto” para ser veiculado. Com essa experiência, senti a necessidade de desenvolver esta pesquisa, que aprofunda o repertório, o processo e o método de trabalho, bem como questiona os potenciais do veículo.

Fale um pouco da importância do design televisual e das vinhetas nos canais e programas.
Rogério Abreu – O design televisual, bem como as vinhetas, são as embalagens das novelas, os PDVs da emissora, os logotipos que personificam os programas e todo necessário que caracteriza a qualidade de uma emissora de televisão. Sendo assim, o design televisual é fundamental para todo o processo de construção do pensamento em televisão.

Apesar dessa relevância do design televisual, quase inexistem pesquisas teóricas sobre o assunto. Porque você acha que acontece isso?
Rogério Abreu – Acredito que a imediaticidade do instante, os pastiches e a rapidez como as coisas acontecem na TV deva ter influenciado neste aspecto. O problema é que o design se tornou tão relevante neste processo que teorizar o assunto é cada vez mais fundamental neste momento. Dado a relevância do assunto no passado e a forma como ele está sendo encarado, hoje percebo que repensar o processo, aprofundar a história e compreender melhor o processo criativo é o que pode provocar a revitalizaçao do design televisual brasileiro.

Houve algum desafio na elaboração do livro, em virtude inclusive dessa escassez de referências teóricas?
Rogério Abreu – Sim, muitos desafios. Precisei procurar principalmente os aspectos históricos dentro de outros contextos. Analisar pesquisas informais sobre o assunto, muitas pesquisas com profissionais, e resgatar análises perdidas no passado. Mas principalmente tornar este assunto TV, tão combatido na academia, algo relevante e fundamental como interesse no universo erudito.

Quanto tempo você levou para produzí-lo?
Rogério Abreu – Entre pesquisa, redacão, acerto, finalização e definição entre diversas editoras que se manifestaram no interesse pela publicação, três anos. Na realidade esta pesquisa foi concebida como objeto de estudo de meu mestrado na PUC do Rio de Janeiro.

E afinal, o que vamos encontrar na sua obra?
Rogério Abreu – Em resumo na sua origem, o termo vinheta designava representações visuais de caráter simbólico que ornamentavam as iluminuras. As vinhetas ganham identidade gráfica com o aparecimento da imprensa. A vinheta será umas das primeiras manifestações do design – tendo sua origem nas iluminuras. No início do século XX, a linguagem cinematográfica incorporou as vinhetas, tanto como recurso para a abertura dos filmes, quanto para os cartazes que passavam informações escritas entre as diferentes sequências, no cinema mudo. Originárias das aberturas de filmes, as vinhetas de abertura na TV apresentam uma linguagem específica, cujo teor estético pode ser relevante. Enquanto nos filmes o espectador vê as vinhetas de abertura apenas uma vez, na televisão as vinhetas são repetidas a cada programa ou a cada capítulo de uma telenovela, o que permite outra espécie de envolvimento. O telespectador é capaz de perceber melhor as vinhetas de abertura na TV dada a sua repetição; poderá analisá-las e, então interpretá-las. Neste caso, o caráter estético das vinhetas pode ser mais bem avaliado, uma vez que a repetição propicia a existência maior das imagens. Liberta, portanto, da imediaticidade do instante da apresentação única do cinema. A cada repetição, o olhar do espectador encontra novas possibilidades de associações, que lhe permitem fazer inferências significativas, bastante próximas às de um trabalho interpretativo do espectador diante de uma obra de arte. Após as primeiras vinhetas criadas pela TV, o Brasil tem se destacado mundialmente em termos de produção de vinhetas televisuais. Atualmente, o refinamento das técnicas permite efeitos diversificados, com movimentos rápidos, com a ilusão da tridimensionalidade, com as metamorfoses das imagens, grafismos, jogos cromáticos e sonoros. Todos eles, entretanto, dependem da supervisão e do envolvimento de um designer, que acrescenta uma dimensão poética aos efeitos programados pelo computador. Assim, “DESIGN NA TV: Pensando vinheta” , traduz aspectos históricos, técnicos e os principais elementos de como pensar uma vinheta para a TV.

Fonte: Televisual

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