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Abertura | Geração Brasil

24 jul

Texto: André Luiz Sens

A novela Geração Brasil mistura de modo caricatural o universo da tecnologia com a cultura brasileira. Jonas Marra (Murilo Benício), o Steve Jobs tupiniquim, volta ao seu país trazendo sua família e a sua bem sucedida empresa de tecnologia do Vale do Silício.

Esse é justamente o mote abordado na vinheta de abertura. O símbolo da Marra Brasil, uma simpática abelha estilizada, em alusão evidente ao símbolo da “concorrente” Android, aparece em enxames invadindo o Brasil a partir de seus discos voadores. Os insetos transformam o país em pixels, os átomos do mundo digital, representados através de cubos multicoloridos e brilhantes. Uma mistura de elementos em live-action com computação gráfica tridimensional que lembram bastante o curta Pixels e que certamente serviu de inspiração para o projeto. Porém, ao contrário do clima de caos e destruição apresentado pelo filme criado por Patrick Jean em 2011, a abertura busca uma mensagem mais positiva. Mostra como a digitalização pode promover a alegria e a criatividade.

A marca, essencialmente tipográfica, se mostra bastante efetiva ao ilustrar a cultura dessa geração conectada que brinca com a construção semântica das palavras. Assim como acontece nas conversas na internet, letras são trocadas por números sem que haja uma perda do entendimento literal.

A música também não poderia ter sido mais oportuna. “País do Futebol”, na voz do funkeiro MC Guimê, fala das oportunidades da nova geração, É claro que no caso da canção, não trata da revolução nerd apresentada na trama, mas a associação foi bem feliz. Contudo, fala do futebol brasileiro, exatamente quando a Copa do Mundo acontece no Brasil. Circunstância que é inclusive introduzida na trama. Seu refrão forte e popular, para não dizer chiclete, ajuda também na fixação. “No Flow”, assim como o inesquecível “Oi Oi Oi” de Avenida Brasil, aparece como um componente importante na identidade do produto.

Ficha Técnica
Ano: 2014
Canal: Rede Globo
Produção: Mariana Magoga, Alexandre Pit Ribeiro e Videographics – Rede Globo
Trilha: “País do Futebol”, de Mc Guimê
Texto: André Luiz Sens
Fonte: Blog Televisual

Abertura | O Rebu

22 jul

Como seria o amanhecer de um crime?
Inspirado nessa ideia, o diretor de arte Flávio Mac usou cores frias e ambiente de sonho para abrir a novela.

A abertura de O Rebu retrata o dia seguinte de uma noite misteriosa, em que um crime acontece sem que ninguém saiba ao certo o motivo ou o culpado.

Para recriar essa atmosfera sombria e, ao mesmo tempo, instigante, o diretor de arte, Flávio Mac, misturou flashes da festa com retratos da casa vazia e bagunçada, como se tivesse acabado de acordar de um grande evento. “O mote principal da abertura é que representasse uma visão mais lúdica da casa no dia seguinte da festa. Usando cores bem frias que sugerem um ambiente de sonho, como se tudo estivesse submerso. No final, o corpo boiando”.

Para levar ainda mais o espectador para dentro deste universo de mistério, entra em cena uma trilha sonora para lá de dramática. Assista o vídeo abaixo e reveja a abertura completa!

Fonte: globo.com

Abertura | Meu Pedacinho de Chão

4 jun

Texto: André Luiz Sens

Meu Pedacinho de Chão pode ser considerada uma das novelas mais inovadoras em termos estéticos dos últimos anos. Abandona alguns paradigmas folhetinescos em prol de uma abordagem audiovisual inusitada, inspirada em clássicos fantásticos da literatura, cinema e animação.

A narrativa surrealista de Lewis Carroll, as personagens da Pixar, o mundo de Mágico de Oz e a direção de Tim Burton são algumas dessas referências. As histórias que ocorrem na pequena cidade de Santa Fé abandonam o clima rural da primeira versão de 1971 e recorrem a uma linguagem fantástica, fundamentada na perspectiva do menino Serelepe (Tomás Sampaio). Figurinos, cenários, fotografia e atuação foram totalmente estilizados de modo a uma aproximação estética com o mundo mágico de uma fábula infantil.

Para abrir esse mundo de fantasia, optou-se por uma animação que explora muitas das referências utilizadas na própria novela e de outros produtos infantis, tais como videogames, hqs e desenhos animados. A primeira cena sugere justamente que a novela é baseada na visão fantasiosa de Serelepe: vemos o mundo através de sua luneta. A partir daí, tudo se transforma em um lindo sonho, uma brincadeira surreal de proporções e movimentos entre cenários e as personagens principais, perfeitamente traduzidos a elementos de um divertido e delicado cartum. A trilha instrumental, ao mesmo tempo brincalhona e imponente, contribui para esse aspecto lúdico da vinheta.

A marca extremamente orgânica e rebuscada, lembra muito a identidade da versão de Tim Burton de Alice no País nas Maravilhas. Não compromete a qualidade da vinheta e está até conceitualmente alinhada à novela. Mas diferentemente da marca do filme, não conseguiu apresentar o mesmo equilíbrio formal, talvez pela desnecessária aplicação de elementos figurativos e o excesso de voltas e distorções.

A excelência do trabalho não deve ser creditada apenas ao talento do estúdio Beeld e a equipe Videographics, mas também à participação do direto Luiz Fernando Carvalho, que promoveu um alinhamento entre o produto e a sua embalagem.

Ficha Técnica

Ano: 2014
Canal: Rede Globo
Criação, Direção e Direção de Arte: Luiz Fernando Carvalho, Alexandre Romano (CGCOM – Videographics) e BEELD
Produção: Papito, Marcelo Mourão, Luiz Maggessi, Greco Bernardi, Eduardo Tosto, Filippo Johansson, Pedro Casavecchia, Diego Galuzzo, Rodolfo Perissé e Daniel Hodge.
Trilha: Tim Rescala

Texto: André Luiz Sens – Blog Televisual

Identidade Visual | Canal Viva

30 mai

Texto: André Luiz Sens

O canal Viva foi conquistando uma audiência plural, contaminada pela nostalgia dos antigos programas da Rede Globo. As novelas e programas da década de 80 e 90 reapresentadas pelo canal voltaram a ter um grande retorno entre os espectadores. Portanto, a identidade do canal, extremamente feminina e delicada, não estava de fato alinhada com seu público real.

Em razão disso, a equipe de criação da Globosat, em parceria com o estúdio KOI Factory, desenvolveram uma nova comunicação mais vibrante e generalista, de modo a enfatizar a qualidade e diversidade da audiência e da programação.

Processo Criativo

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Manuel Falcão, gerente de Criação de Arte da Globosat, concedeu uma entrevista ao site Televisual sobre alguns detalhes do projeto:

André Luiz Sens – Quais as percepções e motivações que levaram ao reposicionamento da identidade do canal?

Manuel Falcão – Após 4 anos de sucesso, o canal Viva conquistou uma audiência mais abrangente, homens e mulheres 25+. O novo on-air deveria refletir esta mudança. A identidade visual deveria perder seu aspecto exclusivamente feminino. Deveria também ser trabalhado a valorização do retrô e a ressignificação do acervo com o objetivo de gerar uma imagem forte, única, atual e alinhada com a programação do canal. Acreditamos que esta nova imagem, forte e alegre, vai reforçar a ótima programação que o canal apresenta. O público vai se surpreender positivamente e os anunciantes vão encontrar um espaço mais moderno e atrativo.

André Luiz Sens – Que soluções estéticas foram tomadas para atender essa audiência percebida do canal?

Manuel Falcão – Pra ganhar abrangência dentro do nosso target, foi trabalhada uma nova paleta de cores que representa a diversidade do nosso publico e programação. O on-air, traz também novos grafismos e um estilo de animação bem diferenciado do anterior.

André Luiz Sens – A marca gráfica sofreu apenas alguns ajustes. Porque a opção por mantê-la?

Manuel Falcão – Este foi um dos principais desafios do projeto, como fazer esta mudança sem ferir a percepção de uma marca de sucesso e bem avaliada pelo público. Fizemos diversos estudos buscando uma nova marca, mas apesar da ruptura na identidade visual, decidimos manter a essência da logo. É uma marca que o publico conhece, tem força e achamos importante sermos consistentes neste aspecto.

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André Luiz Sens – Quais foram as principais referências utilizadas nesse projeto?

Manuel Falcão – As principais inspirações para este on-air foram a própria programação do canal e a nova frase conceitual adotada com slogan: “Viva, as melhores surpresas”. Isto nos possibilitou trabalhar o retrô e criar uma linguagem mais alegre e pop.

André Luiz Sens – Quanto tempo e quantas pessoas foram envolvidos no desenvolvimento do projeto?

Manuel Falcão – Este projeto teve 6 meses de duração e a equipe foi composta por um gerente de criação, um coordenador de criação, um coordenador de pesquisa e planejamento, um coordenador de produção, dois designers, uma produtora e dois sound designers. Para as vinhetas em 3D, trabalhamos com a parceria da KOI Factory.

Ficha Técnica

Produção: Criação de Arte Globosat e KOI Factory
Gerente de Criação: Manuel Falcão
Coordenação de Criação: Ricardo Moyano
Coordenação de Pesquisa e Planejamento: Marcio Leite
Coordenação de Produção: Ricardo Leo
Design: Rodrigo Leme, Ricardo Moyano e Felipe da Volta e Marcio Leite
Animação 2D: Rodrigo Leme e Felipe da Volta
Animação 3D: KOI Factory
Direção: Luciana Jordão
Produção: Patricia Hermes da Fonseca e Tatiana Fernandes
Sonorização: Big Foot
Sonorização Reel: Jingle Punks

Fonte: Televisual
Texto: André Luiz Sens

Abertura | Em Família

6 fev

Manoel Carlos apresenta uma narrativa própria em suas novelas. Costuma tratar de relações familiares com um tom naturalista e com uma ênfase nas personagens femininas e na classe média alta. ”Em Família”, sua última novela, promete não fugir dessa grife.

A abertura, como não poderia deixar de ser, trata dessas relações familiares. Bastante simples, ela exibe uma árvore com fotos das personagens em todas as fases, penduradas nos galhos por fios dourados. A relação com a árvore genealógica não poderia ser mais clara e óbvia. Entretanto, sua representação se mostrou pertinente e sua apresentação sofisticada.

A inspiração para a criação da abertura veio mais uma vez da internet. O estúdio australiano Bluehat desenvolveu um vídeo customizável com a mesma ideia e estética. A equipe de videografismos não utilizou o template, mas o vídeo é indubitavelmente bem próximo da versão gringa. Tenho a impressão que será um período de vacas gordas para os designers da Austrália.

Segundo o departamento de Comunicação do canal, as decorações de festas também serviram de inspiração. “Nossa ideia foi reforçar esses laços familiares com fios de ouro, mostrando como essas relações são valiosas. Fotos em árvores também têm sido muito usadas na decoração de festas e celebrações familiares. Conhecíamos a referência do site, mas ela não foi a única que usamos”.

A trilha sonora da vinheta de “Em Família” mais um vez utiliza um clássico carioca romântico da música popular brasileira: “Eu sei que vou te amar”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes e interpretada por Ana Carolina.

Em relação à assinatura visual, o logotipo caligráfico da novela consegue sintetizar de maneira agradável a delicadeza e romantismo da abertura. Diferente da fonte dos créditos que causam ruído. Atrapalham a visualização das fotos, simplesmente por uma falta de cuidado na disposição dos letreiros.

Como se pode notar, originalidade não é algo que se esteja buscando. Procura-se de todas as formas preservar nesta novela a inegável marca registrada do Maneco, que assim como a vinheta, possui uma trama fundamentada em um template particular, com “Helenas” e “Leblons” inclusos.

Ficha Técnica

Ano: 2014
Canal: Rede Globo
Produção: Equipe Videographics
Trilha: “Eu sei que vou te amar”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes por Ana Carolina

Créditos: Blog televisual

[Abertura] Além do Horizonte

9 dez

A novela da Rede Globo, Além do Horizonte, traz três jovens protagonistas Lili (Juliana Paiva), William (Thiago Rodrigues) e Rafa (Vinícius Tardio) em uma grande busca da felicidade, indo além dos seus mundos ou realidades.

Estas três personagens são apresentadas logo na vinheta de abertura, em belos cenários paradisíacos, gravados no Rio de Janeiro, Bahia e Amazonas. A câmera adentra continuamente as paisagens e se aproxima dos jovens, que olham sempre para o horizonte. de modo a causar sensação de imersão e reforçar o conceito trazido pelo próprio nome do folhetim.

A técnica utilizada hyperlapse caracteriza-se basicamente por uma animação com velocidades variadas de fotografias retiradas a partir de movimentos de câmera percorridas em longas distâncias. Esse recurso estético permitiu enfatizar as incríveis imagens naturais e o clima de aventura presente na história.

As cenas são interligadas pelo mesmo movimento contínuo e por detalhes inseridos como elementos de passagem. Alguns desses elementos funcionaram bem, como o reflexo da lente de um óculos ou a tela do celular, mas outras conexões pareceram forçadas, como uma carteira ou um nó na madeira que abrem para o outro local.

Apesar da estilização desnecessária de um por-do-sol no logotipo, a assinatura gráfica é eficientemente integrada a vinheta. Ao posicioná-la grandiosa entre montanhas e sobre o mar reforça e resume os conceitos estabelecidos na vinheta e na novela.

Em relação a trilha sonora, foi escolhido a opção mais óbvia, mas não a melhor. Apesar de ter uma letra relacionada e ser uma canção bastante conhecida, o sucesso da Jovem Guarda ”Além do Horizonte”, cantado por Erasmo Carlos em uma versão samba-rock, não combina com o proposta de aventura e mistério. A vinheta pedia naturalmente algo mais contemporâneo, inovador e menos festivo.

A abertura traduz de modo satisfatório e coerente a trama e seduz imediatamente o espectador a continuar acompanhando a história. Cabe agora o novela cumprir o seu papel.

Ficha Técnica
Ano: 2013
Canal: Rede Globo
Direção: Alexandre Pit Ribeiro
Produção: Rede Globo
Trilha: “Além do Horizonte”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos por Erasmo Carlos

Créditos: Blog Televisual

[ Abertura ] José do Egito

25 jul

Texto: Blog Televisual

No começo do ano, a Rede Record investiu pesado em mais uma produção com temática cristã: a minissérie José do Egito, que conta a história de uma das principais personagens da história do Antigo Testamento.

A qualidade da produção brasileira impressiona e sua abertura consegue acompanhar ou até superar o padrão do produto.

Hieróglifos, sarcófagos, joias, cerâmicas, armas e outros elementos da diversa cultura egípcia são apresentados em uma dinâmica e imponente apresentação 3D, com uma qualidade digna de cinema. O caráter de mistério e aventura empregado na vinheta instiga o consumo da obra, mesmo para aqueles não interessados em temas religiosos ou bíblicos. O refinamento da modelagem, renderização e iluminação dos objetos impressionam, assim como os movimentos envolventes e bastante sincronizados com a imponente e harmônica trilha instrumental comparável a grandes produções hollywoodianas do gênero.

Um detalhe relevante são os letreiros dos créditos que são apresentados integrados ao espaço cênico e perfeitamente sincronizados com a animação e transição de câmeras. Tratamento infelizmente bastante incomum em vinhetas televisuais.

Outro cuidado foi na construção da marca gráfica na animação, a partir de um engrenagem moderna que fundamenta a contemporaneidade da série, apesar do tema histórico, e reforça o clima místico e lendário presente na obra.

Ficha Técnica

Ano: 2013
Produção: Rede Record
Trilha Sonora: Rede Record

Texto: Blog Televisual

Aberturas indicadas ao Emmy 2013

24 jul

Texto: Blog Televisual

Saíram os indicados ao prêmio Emmy de melhor abertura de 2013. E o páreo está duro.

O mais interessante não é qualidade dos trabalhos, mas a presença na relação de uma websérie. “Halo 4: Forward Unto Dawn” é um programa exclusivo do site de conteúdo audiovisual especializado na cultura gamer Machinima. Sua abertura é fantástica, mas sua indicação revela algo muito mais surpreendente: um indício perceptível de mudanças nos paradigmas da indústria televisiva.
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American Horror Story: Asylum
Canal: FX Networks
Responsáveis: Kyle Cooper, Ryan Murphy, Juan Ruiz-Anchia e Kate Berry

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Da Vinci’s Demons
Canal: Starz
Responsáveis: Paul McDonnell, Hugo Moss, Nathan Mckenna e Tamsin McGee

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Elementary
Canal: CBS
Responsáveis: Simon Clowes, Benji Bakshi, Kyle Cooper e Nate Park

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Halo 4: Forward Unto Dawn
Canal: Machinima
Responsáveis: Heiko Schneck, Fabian Poss, Csaba Letay e Jan Bitzer

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The Newsroom
Canal: HBO
Produção: Michael Riley, Denny Zimmerman, Cory Shaw e Justine Gerenstein

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Vikings
Canal: History
Responsáveis: Rama Allen, Audrey Davis, Ryan McKenna e Westley Sarokin

Texto: Blog Televisual

[ Abertura ] Amor à Vida

13 jun

Texto: André Luiz Sens

A nova novela das 21h, Amor à Vida, retoma a discussão sobre o amor e o que as pessoas são capazes de fazer por ele.

A equipe de videografismos da Rede Globo, resolveu buscar o animador e artista americano Ryan Woodward para a criação da abertura.

Apesar de ter trabalhado em grandes estúdios de Hollywood, ele ficou famoso com seu tocante e refinado curta “Thought of You”, uma animação 2D em traços propositalmente pouco refinados, na qual apresenta um casal de bailarinos formando movimentos fluidos, gestuais românticos e surpreendentes efeitos visuais. Na vinheta de Amor à Vida, não há nada muito diferente. O conceitos, as formas e os movimentos são semelhantes. As diferenças estão no formato de abertura e no fundo que apresenta cenas estilizadas de São Paulo. Parece que a Globo queria exatamente a mesma coisa, o que demonstra um tremendo disperdício. Chamar um talento criativo dos Estados Unidos para executar algo extremamente parecido com o que já foi feito por ele e já visualizado por milhares de pessoas na internet é algo que parece não fazer muito sentido. O Doodle desenvolvido em homenagem a Martha Graham, executado em 2011, trata justamente de outro produto que soube aproveitar de maneira mais inventiva a mesma ideia. Apesar da animação excepcional, todo o potencial de surpresa da abertura foi sublimado com a sensação de dejavú.

Tanto o logotipo, quanto os créditos são formados por tipografias caligráficas, condizentes com a estética das personagens. Em Sangue Bom e Flor de Caribe foi utilizado o mesmo critério: a fonte dos demais componentes textuais ”combinam” com a marca. Entretanto, parece que a falta de costume de usar tipos diferentes em seu créditos ainda não fez com que realizassem que não é preciso seguir a risca o método de empregar fontes necessariamente semelhantes com a marca ou com o restante da animação. Sem falar na escolha de letras extremamente rebuscadas, no caso dos créditos, que prejudicam a leiturabilidade. Em geral, uma fonte moderna pode conjugar muito bem com uma fonte mais rebuscada do logotipo. Principalmente no caso da televisão e do cinema, em que não é preciso depender somente das formas da letras como ferramenta expressiva, mas também dos movimentos, do som e da formas dinâmicas de composição.

Falando em repetição, vale ressaltar no logotipo a presença de dois corações, um na crase e outro nas ondas da letra Uma das duas proposições já seriam suficientemente representativas. Uma exagero de obviedades, que atenua toda a sutileza e a poesia da animação.

Aliás, a sutileza cai por terra, quando a animação é acompanhada pela interpretação questionável de Daniel da linda canção de Gonzaguinha “Maravida”. O tom demasiadamente melodramático, culminando com o refrão extremamente cansativo “Vida, vida, vida” causa certa angústia. Para atenuar isso, a abertura já recebeu algumas pequenas correções de mixagem (e ortográficas). Mas se acostumamos com o kuduro de Avenida Brasil com seu inesquecível “Oi, oi, oi”, nada impede que essa possa ser a sua marca registrada ou motivo de piada nas redes sociais.

Making of “Thought of You”

Ficha Técnica
Ano: 2013
Canal: Rede Globo
Produção: Alexandre Pit Ribeiro, Roberto Stein e Cesar Rocha
Animação: Ryan Woodward
Trilha: “Maravida”, de Gonzaguinha por Daniel

Postado por André Luiz Sens no Blog Televisual

[ Abertura ] Sangue Bom

7 jun

Texto: André Luiz Sens

A novela Sangue Bom é uma comédia romântica contemporânea, ambientada na cidade de São Paulo. O casal protagonista principal é formado pela famosa, rica e mimada it girl Amora (Sophie Charlotte) e o florista sensível e simples Bento (Marco Pigossi). Os conflitos e enlaces dessa relação de encontros e desencontros é uma das histórias dessa trama leve e bem-humorada.

A abertura justamente se concentra nos dois temas apresentados pelo casal: o fenômeno it girls e a floricultura. A animação 3D explora os elementos desses universos, misturando flores, pedras, tecidos e cores de forma bastante dinâmica, psicodélica e surreal.

Personagens de jovens meninas aparecem dentre esses elementos, como um um sonho mágico. Representam essas garotas que se transformam em referência de estilo e moda graças à internet, compartilhando seus pensamentos e gostos através de blogs e redes sociais.

A estética tridimensional, estilizada e cartunesca empregadas nessas personagens, talvez esteja relacionada com uma intenção de estabelecer uma associação entre essas garotas, inseridas em universo virtual glamurizado, com os avatares de mundos virtuais, como Second Life ou The Sims. Mas a modelagem e animação artificiais e os movimentos robotizados, típicos desses games, transformaram-nas em bonecas um tanto inexpressivas e em contraste e desarmonia com o restante da animação bastante orgânica e fluida.

Outro aspecto que tentou ser evidenciado na abertura é o urbano. Porém, esse conceito foi muito maior e melhor explorado nos teasers e chamadas, através da estética do grafitti, a partir de lindos grafismos estilizados e coloridos em muros pela cidade de São Paulo. Na vinheta, essas animações foram simplesmente suprimidas e a ideia do graffiti ficou restrita apenas à tipografia dos créditos e da assinatura. Um retrocesso, pois essa nova resolução pareceu meio forçada e ilógica, já que o restante da vinheta em nada lembra a ideia e linguagem de street art.

Aliás, a comunicação visual promocional se distanciou em muito do resultado de embalagem do produto final, o que revela um desalinhamento total de construção de identidade. Nesse sentido, vale destacar algo curioso.

Foi divulgado extraoficialmente o que seria a marca da novela, com um letreiro completamente orgânico e delicado, muito mais alinhado formalmente com o resultado da animação final. Essa proposta parece ter sido apresentada, mas não foi aprovada. Optou-se pela marca “grafitada”.

Ficha Técnica

Ano: 2013
Canal: Rede Globo
Produção: Alexandre Pit Ribeiro, Alexandre Romano e Flavio Mac
Trilha Sonora: “Toda Forma de Amor”, de Lulu Santos por Sambô

Postado por André Luiz Sens no Blog Televisual

[ Abertura ] Dona Xepa – Making Of

6 jun

www.tvb.com.br

A dupla Nilton Nunes e Hans Donner

21 mar

A partir da década de 1980, as aberturas do Fantástico viraram superproduções, com cenários futuristas e figurinos arrojados, unindo as possibilidades da computação gráfica às habilidades humanas, representadas pela dança.

Foi o início de um período de dez anos de grande avanço tecnológico e artístico da TV Globo. A emissora começara a desenvolver, junto com a empresa Pacific Data Image (PDI), dos Estados Unidos, um sistema de computação gráfica tridimensional que permitia a criação de imagens geradas por computador através de descrição procedural. Essas novas técnicas de computação gráfica deram à identidade da emissora uma plasticidade visual sem paralelo com nenhuma outra no mundo.

Boa parte dessas inovações estéticas eram obra de uma dupla de designers: o brasileiro Nilton Nunes, um dos responsáveis pelas aberturas e vinhetas da TV Globo nos seus primeiros anos, e o austríaco Hans Donner. Em 1983, a dupla realizou uma abertura para o Fantástico que ficaria na história da televisão brasileira.

Hans Donner se inspirou nos filmes de ficção científica, na geometria e nos desenhos tridimensionais do artista holandês M.C. Escher para criar uma vinheta na qual a computação gráfica interferia em formas geométricas. Para realizá-la, o austríaco requisitou a ajuda de Richard Chuang, Glenn Entis e Carl Rosenthal, três jovens designers norte-americanos especialistas em alterar textura, luz, coloração e volume de desenhos e imagens inseridos em computador.

Na abertura, feixes de luz com as cores do arco-íris trespassavam várias vezes uma imensa pirâmide dourada, formando cinco plataformas que flutuavam no espaço. Sobre elas, bailarinos usando fantasias estilizadas, repletas de referências geométricas, executavam uma coreografia ao som do tema do programa, com um arranjo instrumental composto por Guto Graça Mello. O mesmo processo se repetia nas cenas seguintes com uma pirâmide invertida e um cone.

O grupo de 24 bailarinos era formado por 16 mulheres e oito homens, egressos do corpo de baile da TV Globo e do grupo de dança Vacilou, Dançou – da coreógrafa Carlota Portela, que criou a coreografia executada na abertura. Os trajes dos bailarinos, feitos de couro e com decotes ousados, foram criados por Silvia Trenker, idealizadora de todos os figurinos das aberturas do Fantástico a partir de então.

Uma pirâmide de quase oito metros de altura, feita de madeira e ferro, que reproduzia o cenário de animação computadorizada da abertura, chegou a ser construída no Estádio do Maracanãzinho para que fossem gravadas as imagens do balé. Um erro no ajuste da altura das câmeras, entretanto, inutilizou o plano, e a coreografia teve de ser realizada no chão, com os bailarinos divididos em vários grupos no mesmo nível, enquanto as câmeras eram posicionadas de forma a dar a impressão de que eles estavam dançando em plataformas de alturas diferentes. A abertura do Fantástico ganhou repercussão mundial e chegou a ser capa da conceituada revista Eletronics Theater, da Siggraph.

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