Ang Lee fala sobre a polêmica da indústria de efeitos visuais

6 mar

Durante uma coletiva de imprensa em Nova York para promover o Blu-ray de As Aventuras de Pi, o diretor Ang Lee voltou a falar das dificuldades encontradas pela indústria de criação de efeitos visuais em Hollywood. Lee repetiu o que já dizia antes de ganhar o Oscar 2013 de melhor diretor: os efeitos custam caro demais.

“A indústria de efeitos é um negócio em que fazer dinheiro é difícil demais. Os custos de pesquisa e desenvolvimento são altos demais, porque quando você usa efeitos visuais em um filme, sempre procura ver algo jamais visto antes”, diz. “Para um filme como este [As Aventuras de Pi], é comum que os efeitos tomem metade do orçamento. Algumas dessas cenas são caríssimas. Milhões de dólares precisam ser gastos antes de o estúdio poder ver o resultado. Como eles aprovam orçamentos assim?”

Segundo Lee, especialistas em efeitos são artistas, e frequentemente o procuram para trabalhar: “Normalmente eles fazem grandes explosões, mas eu quero fazer com eles arte visual”. Presente na coletiva, o montador Tim Squyres emenda: “Se eles não conseguem fazer dinheiro com isso, então existe algo fundamentalmente errado entre os estúdios e as companhias de efeitos visuais”.

Lee está no centro da questão porque, na noite do Oscar, não mencionou a equipe de efeitos visuais de As Aventuras de Pi ao aceitar o prêmio de melhor direção. A empresa que realizou os efeitos do filme, a Rhythm & Hues, havia declarado falência duas semanas antes do Oscar, dizendo que não consegue competir com o que chama de distorção do mercado: empresas estrangeiras de efeitos visuais que cobram mais barato dos estúdios de Hollywood por conta de incentivos fiscais em seus países.

Do lado de fora da cerimônia do Oscar, técnicos de efeitos visuais faziam um protesto que não conseguiu entrar na festa – ao agradecer o Oscar de melhores efeitos, a equipe de As Aventuras de Pi foi cortada durante o discurso, como habitualmente acontece em categorias técnicas – mas se estendeu pela Internet. No Facebook, Bruce Branit (supervisor de efeitos de Fringe, Breaking Bad e outras séries) publicou uma carta aberta a Ang Lee, em que reclama da exigência de Hollywood por um trabalho cada vez “maior, mais rápido e mais barato” – e lamentou que a categoria dos técnicos em efeitos seja a única em Hollywood que não tem um sindicato organizado para defender seus direitos.

Fundada em 1987, a Rhythm & Hues recebeu nos últimos dias uma injeção de dinheiro dos estúdios para completar os seus últimos trabalhos que já estavam em andamento, como Percy Jackson e o Mar de Monstros, R.I.P.D., 300 – Rise of an Empire, The Seventh Son e Category 6. O caso da R&H acontece cinco meses depois de outra empresa de efeito dos EUA, a Digital Domain, também declarar falência.

Fonte: Omelete

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