[ Abertura ] Amor à Vida

13 jun

Texto: André Luiz Sens

A nova novela das 21h, Amor à Vida, retoma a discussão sobre o amor e o que as pessoas são capazes de fazer por ele.

A equipe de videografismos da Rede Globo, resolveu buscar o animador e artista americano Ryan Woodward para a criação da abertura.

Apesar de ter trabalhado em grandes estúdios de Hollywood, ele ficou famoso com seu tocante e refinado curta “Thought of You”, uma animação 2D em traços propositalmente pouco refinados, na qual apresenta um casal de bailarinos formando movimentos fluidos, gestuais românticos e surpreendentes efeitos visuais. Na vinheta de Amor à Vida, não há nada muito diferente. O conceitos, as formas e os movimentos são semelhantes. As diferenças estão no formato de abertura e no fundo que apresenta cenas estilizadas de São Paulo. Parece que a Globo queria exatamente a mesma coisa, o que demonstra um tremendo disperdício. Chamar um talento criativo dos Estados Unidos para executar algo extremamente parecido com o que já foi feito por ele e já visualizado por milhares de pessoas na internet é algo que parece não fazer muito sentido. O Doodle desenvolvido em homenagem a Martha Graham, executado em 2011, trata justamente de outro produto que soube aproveitar de maneira mais inventiva a mesma ideia. Apesar da animação excepcional, todo o potencial de surpresa da abertura foi sublimado com a sensação de dejavú.

Tanto o logotipo, quanto os créditos são formados por tipografias caligráficas, condizentes com a estética das personagens. Em Sangue Bom e Flor de Caribe foi utilizado o mesmo critério: a fonte dos demais componentes textuais ”combinam” com a marca. Entretanto, parece que a falta de costume de usar tipos diferentes em seu créditos ainda não fez com que realizassem que não é preciso seguir a risca o método de empregar fontes necessariamente semelhantes com a marca ou com o restante da animação. Sem falar na escolha de letras extremamente rebuscadas, no caso dos créditos, que prejudicam a leiturabilidade. Em geral, uma fonte moderna pode conjugar muito bem com uma fonte mais rebuscada do logotipo. Principalmente no caso da televisão e do cinema, em que não é preciso depender somente das formas da letras como ferramenta expressiva, mas também dos movimentos, do som e da formas dinâmicas de composição.

Falando em repetição, vale ressaltar no logotipo a presença de dois corações, um na crase e outro nas ondas da letra Uma das duas proposições já seriam suficientemente representativas. Uma exagero de obviedades, que atenua toda a sutileza e a poesia da animação.

Aliás, a sutileza cai por terra, quando a animação é acompanhada pela interpretação questionável de Daniel da linda canção de Gonzaguinha “Maravida”. O tom demasiadamente melodramático, culminando com o refrão extremamente cansativo “Vida, vida, vida” causa certa angústia. Para atenuar isso, a abertura já recebeu algumas pequenas correções de mixagem (e ortográficas). Mas se acostumamos com o kuduro de Avenida Brasil com seu inesquecível “Oi, oi, oi”, nada impede que essa possa ser a sua marca registrada ou motivo de piada nas redes sociais.

Making of “Thought of You”

Ficha Técnica
Ano: 2013
Canal: Rede Globo
Produção: Alexandre Pit Ribeiro, Roberto Stein e Cesar Rocha
Animação: Ryan Woodward
Trilha: “Maravida”, de Gonzaguinha por Daniel

Postado por André Luiz Sens no Blog Televisual

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