Arquivo | julho, 2013

Final Cut Pro X

30 jul

Com o lançamento do Final Cut Pro X, a Apple adotou uma nova abordagem radical que mudará dramaticamente o futuro da edição de vídeo não-linear.
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O novo programa não é um upgrade de sua versão anterior (Studio), mas sim um aplicativo completamente novo com o mesmo nome.

À medida que mais e mais fabricantes de câmeras filmadoras abandonam a gravação convencional baseada em fitas, equipamentos menores e mais poderosos surgiram, gravando quantidades cada vez maiores de dados. Com o FCP X, a Apple muda  a ênfase do seu famoso editor de vídeo para técnicas de gravação e produção baseadas em meta-dados sem fitas.

A maioria dos recursos introduzidos no FCP X são bem-vindos e muito necessários. Alguns chegam com atrasado. E outros exigem uma mudança de visão do usuário para serem apreciados. A grande pergunta é se o FCP X é um aplicativo profissional de verdade ou apenas uma versão melhorada do iMovie, apenas um passo à frente do mercado consumidor. Checamos os principais recursos do programa e suas respectivas qualidades e defeitos.

Interface renovada
A interface do novo FCP “empresta” generosamente alguns elementos do Final Cut Server e do iMovie. Descarregar as imagens diretamente da câmera para o programa é um processo simples como no iPhoto, por exemplo (desde que você tenha uma câmera aprovada e seu driver relacionado instalado). Ele suporta todos os aparelhos móveis da Apple – iPhone, iPad, iPod e iPod Touch.

Merecem destaque a Magnetic Timeline, que representa um grande salto quanto ao design de interface de vídeos e te permite fazer muitas cosias de forma simples, e o Clip Connections. Esse recurso oferece uma maneira poderosa e simples de manter o link de vídeo, áudio, som, efeitos e até mesmo gráficos e músicas, permitindo que todas as mídias sejam tratadas como um único elemento adjacente. Mas leva algum tempo para se acostumar com a nova interface. Uma boa dica é começar um projeto do início apenas para conhecer o programa melhor.

Infelizmente, você não pode esperar abrir qualquer projeto existente no novo Final Cut. Isso porque o programa não é compatível com projetos criados no Final Cut Studio em razão de mudanças na arquitetura. E não espere usar muitos dos famosos comandos por teclado. A maioria ainda está lá, mas as funções dos comandos foram remapeadas.

Quanto à importação de imagens, encontramos problemas com algumas câmeras específicas, enquanto outras funcionaram perfeitamente. Vale lembrar que o FCP X por enquanto não suporta nenhum formato XML, o que deve deixar os profissionais de TV um pouco longe.

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Final Cut Pro X trouxe algumas mudanças na interface, que ficou mais simples

Nova organização
Com um novo recurso chamado Auto Content-Analysis, o Final Cut X analisa automaticamente sua mídia durante a importação e arquiva as informações críticas a partir dos metadados da câmera, como balanço de cor, movimento e abertura do obturador, enquanto o aplicativo adiciona informações de estabilização e registro e verifica a presença e o número de rostos humanos em cada tomada.

Ao lidar com toda essa informação analítica na importação das imagens, o FCP X marca os arquivos com metadados adicionais de uma maneira que acelera o processamento de arquivos, a entrega e as capacidades de renderização, além do fluxo de trabalho de forma geral.

Performance
Sem exceção, o Final Cut Pro X é o programa de edição de vídeo não-linear mais rápido que já vi sem a ajuda de um hardware dedicado. Esse ganho em desempenho vem do conjunto de ferramentas de 64 bits nativas do programa e do Grand Central Dispatch do sistema operacional, que aproveitam o poder processamento da GPU, assim como a CPU, com vários núcleos e acelera assim os processos em segundo plano.

Isso é feito enquanto o programa simultaneamente arquiva o stream de dados e renderiza, converte e move o conteúdo em segundo plano – tudo isso sem sobrecarregar seu computador. Agora, um pouco de RAM extra, um disco rápido e uma placa gráfica poderosa adicionam um ganho notável de velocidade à sua máquina.

Com esse poder, ações como colocar mídia na máquina transformam-se em uma pequena tarefa de segundo plano, em vez de um processo desgastante. Você pode começar a editar imediatamente em primeiro plano enquanto o arquivo está sendo transferido ou convertido. E há uma melhoria notável no tratamento e na resposta da mídia após a transferência estar completa. Isso acontece em razão do poder de processamento adicional sendo alocado de volta para o aplicativo assim que a tarefa estiver terminada.

O Final Cut Pro X não travou em nenhum momento, mesmo quando forcei a máquina ao limite, o que normalmente acontecia enquanto renderizava clipes em alta resolução como frames DPX e simultaneamente transferia mídia para vários HDs externos – além de renderizar arquivos para reproduzi-los em um iPad e preparar conteúdo para edição em um MacBook Pro.

Isso é multitarefa de verdade e é ótimo.

Pós-produção
Na pós-produção, a maior parte do tempo de um editor é dedicada à organização de mídia e etiquetagem de conteúdo. Com o FCP X, essa última tarefa é baseada no conteúdo, em palavras chave do usuário. Com ele também é possível resolver falhas como câmera tremendo ou áudio ruim, e automaticamente classificar esse conteúdo no Event Library.

O usuário não precisa mais olhar clipe por clipe buscando por uma tomada noturna específica – apenas agrupar os clipes por conteúdo, data de importação, cena, duração ou até tipo do arquivo. Isso permite ficar focado apenas na filmagem DSLR, por exemplo.

Esse processo de organização é essencial para o ganho de velocidade no FCP X. A habilidade de mudar dinamicamente vários parâmetros de busca é muito parecida com a ideia de ter o Google embutido no programa – ela simula uma ferramenta de busca moderna, dando acesso mais rápido a suas mídias, fazendo buscas com palavras, em vez de uma interminável procura visual.

E essa base de dados organizacional também é muito importante para a nova habilidade do Clip Connection de manter a sincronização de sua mídia original, voz over, gráficos, música e efeitos sonoros, como um único elemento na timeline.

O conceito é simples: agrupe todos os elementos como um clipe contíguo, dê ao usuário uma referência visual para confirmar o que está reunido, então trave o clipe para manter a continuidade e a sincronização. Com esse tipo de sincronização de arquivos, ferramentas como a Magnetic Timeline ganham poder de verdade para mudar a maneira como você edita, tornando o processo mais criativo e menos mecânico.E a busca por palavras-chave não tem restrições no FCP X. Uma seleção de clipes pode agora ser definida com uma palavra-chave e exibida como um novo clipe único na Event Library.

Com o Final Cut Pro X, qualquer uma ou todas as partes de um agrupamento de múltiplos clipes, mesmo que eles sejam tipos de arquivos diferentes e armazenados em volumes separados, são tratadas como um único pedaço de mídia na Event Library.

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FCPX permite que o processo criativo comece mais rapidamente para os usuários

Finalização: som e cor

O FCP X incorporou alguns dos melhores recursos do Soundtrack Pro and Color para simplificar a edição de áudio e a correção de cores, e dá aos usuários uma maneira mais simples e direta de finalizar seus projetos.

Entrega
A Apple focou na funcionalidade de entrega eletrônica com esse novo software e em incorporar compressão direta e suporte de upload para streaming de vídeos nos formatos do Facebook, YouTube e Vimeo, além de outros aparelhos Apple, DVDs e no muito aguardado suporte para Blu-ray.

A aceleração H.264 é incrivelmente rápida em relação a ferramentas anteriores da Apple, criando um arquivo de resolução full 1080×23.98 mais rápido do que em tempo real. E não são mais necessárias horas para  compressão e oferta em um site. O Compressor 4 foi totalmente integrado ao Final Cut Pro X, fornecendo fluxos de trabalhos de exportação facilmente importáveis para os editores.

No entanto, as opções de saída (output) são limitadas no momento em razão da falta de aparelhos de terceiros. Sem a saída por hardware, as exigências da indústria televisiva de entregar videotape HDCamSR com uma ordem definida de múltiplas faixas de áudio está seriamente restrita. A captura e a reprodução de eventos ao vivo apresenta problemas similares, uma vez que o Final Cut tem sido cada vez mais uma peça importante em muitos caminhões/carros de transmissões nos últimos anos.

O que falta?
Quando se coloca muitas novidades em um produto, há a possibilidade de perdas irreparáveis. E o Final Cut Pro X tem sua fatia de erros. Foram embora o Log and Capture para tudo, com exceção do FireWire; os Bins; muitos dos codecs nativos usados para edição na timeline; navegação por abas dos projetos; painéis; e as ferramentas de software, como DVD Studio Pro, Color, Soundtrack Pro e Cinema Tools.

Também houve muitas mudanças nas convenções de edição pelo teclado. Apesar de ainda ser possível modificar manualmente as configurações das teclas, foram feitas algumas mudanças aparentemente arbitrárias. Por exemplo, o Command+I tem sido usado para importar arquivos entre plataformas, e em quase todos os apps para Mac, há décadas. Mas com o FCP X a Apple decidiu agora empregar esse comando para Importação da Câmera, o que pode deixar muitos editores infelizes.

Hardware e software de terceiros
Não estão mais presentes ferramentas em torno das quais muitos editores construíram fluxos de trabalho inteiros – como o DVD Studio Pro, Color, Cinema Tool e Soundtrack Pro. Mais ainda,  há um suporte muito limitado nessa estreia do programa para codecs de terceiros e menos ainda, se é que há algum, para equipamentos de terceiros – ao menos até a chegada do sistema Mac OS X 10.7 (Lion).

Apesar de muitos profissionais de vídeos centrarem seus trabalhos na aquisição e entrega de várias opções de conteúdo e formatos para os clientes, o FCP X exclui a edição 3D e o monitoramento profissional.

Além disso, plugins e efeitos de terceiros também têm seu uso limitado por enquanto, deixando muitos pensando como uma base grande de profissionais conseguirá trabalhar sem seus equipamentos e programas de sempre.

Dicas do que pode estar a caminho já podem ser vistas online: um vídeo postado por um dos distribuidores do Blackmagic Design mostra um aparelho Thunderbold I/O funcionando uma semana antes do lançamento do programa. E a Apple confirmou estar trabalhando com outros fabricantes para ajudá-los a atualizar seus produtos para o novo Final Cut X, apesar de que não esperamos ver muitas novidades quanto a hardware até o lançamento do Lion no próximo trimestre.

Créditos: Macworldbrasil.uol.com.br

[ Abertura ] José do Egito

25 jul

Texto: Blog Televisual

No começo do ano, a Rede Record investiu pesado em mais uma produção com temática cristã: a minissérie José do Egito, que conta a história de uma das principais personagens da história do Antigo Testamento.

A qualidade da produção brasileira impressiona e sua abertura consegue acompanhar ou até superar o padrão do produto.

Hieróglifos, sarcófagos, joias, cerâmicas, armas e outros elementos da diversa cultura egípcia são apresentados em uma dinâmica e imponente apresentação 3D, com uma qualidade digna de cinema. O caráter de mistério e aventura empregado na vinheta instiga o consumo da obra, mesmo para aqueles não interessados em temas religiosos ou bíblicos. O refinamento da modelagem, renderização e iluminação dos objetos impressionam, assim como os movimentos envolventes e bastante sincronizados com a imponente e harmônica trilha instrumental comparável a grandes produções hollywoodianas do gênero.

Um detalhe relevante são os letreiros dos créditos que são apresentados integrados ao espaço cênico e perfeitamente sincronizados com a animação e transição de câmeras. Tratamento infelizmente bastante incomum em vinhetas televisuais.

Outro cuidado foi na construção da marca gráfica na animação, a partir de um engrenagem moderna que fundamenta a contemporaneidade da série, apesar do tema histórico, e reforça o clima místico e lendário presente na obra.

Ficha Técnica

Ano: 2013
Produção: Rede Record
Trilha Sonora: Rede Record

Texto: Blog Televisual

Aberturas indicadas ao Emmy 2013

24 jul

Texto: Blog Televisual

Saíram os indicados ao prêmio Emmy de melhor abertura de 2013. E o páreo está duro.

O mais interessante não é qualidade dos trabalhos, mas a presença na relação de uma websérie. “Halo 4: Forward Unto Dawn” é um programa exclusivo do site de conteúdo audiovisual especializado na cultura gamer Machinima. Sua abertura é fantástica, mas sua indicação revela algo muito mais surpreendente: um indício perceptível de mudanças nos paradigmas da indústria televisiva.
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American Horror Story: Asylum
Canal: FX Networks
Responsáveis: Kyle Cooper, Ryan Murphy, Juan Ruiz-Anchia e Kate Berry

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Da Vinci’s Demons
Canal: Starz
Responsáveis: Paul McDonnell, Hugo Moss, Nathan Mckenna e Tamsin McGee

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Elementary
Canal: CBS
Responsáveis: Simon Clowes, Benji Bakshi, Kyle Cooper e Nate Park

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Halo 4: Forward Unto Dawn
Canal: Machinima
Responsáveis: Heiko Schneck, Fabian Poss, Csaba Letay e Jan Bitzer

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The Newsroom
Canal: HBO
Produção: Michael Riley, Denny Zimmerman, Cory Shaw e Justine Gerenstein

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Vikings
Canal: History
Responsáveis: Rama Allen, Audrey Davis, Ryan McKenna e Westley Sarokin

Texto: Blog Televisual

Apresentadores usam campo virtual com a tecnologia Vizrt

23 jul

A Vizrt oferece o produto Libero como parte de análise para esportes, esta tecnologia foi usada recentemente na Champions pelo Canal + da Espanha.

Vizrt Libero no Canal +

Viz Libero é uma solução para transmissões esportivas, que permite replays 3D realistas e análises virtuais, graças a ferramentas poderosas que podem ser aplicadas para a maioria dos esportes e oferecer perspectivas únicas para os telespectadores no jogo.

Esta tecnologia, foi indicado ao Emmy, e está disponível para futebol, basquetebol, hóquei no gelo, beisebol, rugby, andebol, voleibol e outros esportes. Emissoras de todo o mundo, como a ESPN, NFL Network, Univision, ZDF, Canal + ou Globosat já utilizam para melhorar a sua análise do esporte.

Libero Virtz

Viz Libero combina aparência realista e gráficos 3D virtuais em tempo real.

O Viz Libero não exige nenhuma infra-estrutura adicional no estádio, a configuração é altamente configurável para as necessidades de cada emissora ou transmissões esportivas.

www.vizrt.com

[ DCP ] É O SUBSTITUTO DO CINEMA EM PELÍCULA

23 jul

Texto: Tragik House

DCP (Digital Cinema Package) é o invólucro de arquivo digital que está se tornando o padrão de distribuição e exibição do cinema digital no mundo, tanto nos festivais de cinema quanto nos circuitos comerciais.

Há quem diga que em poucos meses a película será inteiramente substituída na distribuição e exibição de filmes no cinema comercial pelo DCP (Europa e Estados Unidos já tinham, ao final de 2012, a maior parte de seus cinemas com projetores digitais, enquanto o Brasil, à mesma altura, estava com 25% de suas salas nesse formato). Em 2014 a distribuição de filmes em película terá praticamente desaparecido. É provável que a película vá se tornar apenas um requinte de qualidade para as produções que desejarem uma alta qualidade fotográfica na hora de captar imagem. Ainda assim a maioria dos filmes comerciais já está sendo feita em formato digital, e as empresas que produziam os negativos estão em dificuldade, em concordata ou deixando de produzir negativos de filmes (ver aqui texto com esses dados: http://www.abcine.org.br/artigos/?id=1022&%2Fprojecao-digital-os-desafios-da-transicao-no-brasil ). Mesmo filmar em película poderá se tornar demasiadamente oneroso ou impraticável.

O DCP engloba tanto um arquivo de vídeo e audio do filme a ser exibido (além de arquivos de dados) quanto o projetor específico para ler o pacote DCP nas salas de cinema. Os cinemas trocarão (já estão trocando) o seu projetor de película por um projetor de DCP. Parece haver uma disposição da indústria americana para que essa troca se encerre até o final de 2013.

Um filme em DCP pode ter os tamanhos de 2K e 4K. No 2K os tamanhos são de 1998×1080, com aspect ratio de 1.85:1 e de 2048×858, com aspect ratio de 2.39:1, o aspecto anamórfico ou cinemascope do DCP, aquele mais longo. Em 4K pode ser de 3996×2160 (com janela de 1.85) e 4096×1716 (com janela de 2.39). Estes são os novos padrões de tamanho e forma nas salas de cinema.

É claro que meu interesse em tudo isso é para o cinema independente, para o cinema dito de arte ou autoral – aquele que não é desde o início um projeto pertencente à empresa produtora com finalidade principalmente comercial.

Para o cinema indie a padronização do DCP como formato de cinema significa que, ao se falar em cinema digital, não se está falando em “cinema digital” em sentido amplo. Ou seja, um filmmaker independente pode ter uma câmera que capte imagem na mesma qualidade digital próxima aos filmes que estão no cinema (comercialmente ou nos festivais), mas, ao mesmo tempo, os filmes que estão lá não foram finalizados propriamente num formato digital “puro”. O DCP é uma espécie de invólucro do arquivos de audio, vídeo e outros dados, e tem uma produção à parte, não fazendo parte da cadeia de finalização de um vídeo em um programa de edição de vídeo. Existem softwares próprios (e caros) para se gerar os DCPs e “laboratórios” (estúdios, em verdade) especializados em testar sua qualidade. Pelo menos por enquanto é assim que a situação está configurada. Entre a ilha de edição e as salas de cinema agora existem os “laboratórios” de DCP, em substituição aos laboratórios de finalização em película.

Os programas de edição de vídeo mais comuns (Premiere Pro, Final Cut Pro e Avid) não exportam vídeo em formato DCP. Ainda que um vídeo finalizado por um desses editores em formato MOV ou AVID e tamanho 2K possa ter a mesma qualidade que um DCP de 2K, os cinemas não estarão abertos a qualquer outro formato que não o produto entregue no “pacote” DCP. Ou seja, quando se fala que um cinema comercial exibe filmes digitais ou que um festival aceita filmes em formato digital não significa que se abriu o “gargalo” da distribuição cinematográfica em condições de igualdade entre o cinema comercial e o cinema independente.

Existem, claro, festivais de cinema que aceitam em real igualdade de condições vídeos de tamanhos 1920×1080 (o full HD), 2K ou 4K em formato mov ou ProRes (este último possivelmente o codec de vídeo com a mais alta definição na atualidade, e que é acessível ao cinema independente); mas esses festivais são raros. Apenas os festivais muito profissionais e com grandes financiamentos aceitam o que podemos chamar de cinema digital em seu formato “in natura”, sem precisar ser transformado em película ou DCP para receber as mesmas atenções que os filmes de maior orçamento e “maior poder de chegada”.

Um primeiro bom lado de se padronizar o DCP como formato do padrão digital é tentar diminuir a deformação dos filmes digitais no momento de sua exibição. É claro que isso seria possível sem tentar fechar novamente o mercado de distribuição também no mundo digital; mas aí, claro, não estaríamos nos referindo a uma indústria, e o DCP justamente está sendo padronizado pela grande indústria do cinema com o intuito também de se proteger, devido à possibilidade de criptografar o DCP para evitar violação ou cópia não autorizada do arquivo.

Outro complicador levantado pela necessidade de “conversão” dos arquivos digitais propriamente ditos para DCP é a diferença de gama de cores. Existe um Open DCP (que é um programa com código aberto em desenvolvimento para a criação de arquivos DCP em tamanhos 2K e 4K – veja aqui: https://www.apertus.org/opendcp-article ) mas o grande limitador pode ser a diferença de gama de cores. É o que é discutido (literalmente com raiva, em alguns momentos) nesse outro link: http://wemakemovies.org/resources-2/post-production/screening-formats-2/ .

No texto do link anterior são também resumidas as alternativas de formato para se enviar filmes para festivais, e os pros e contra de cada uma. A conclusão do autor é que um Blu-ray (desde que projetado corretamente) pode oferecer quase a mesma qualidade que um DCP 2K, e sem todo o trabalho e custo adicional que a produção do DCP exige. Isso minimiza, claro, os problemas técnicos de se finalizar um filme em DCP para enviar a festivais, mas não os problemas, digamos, de triagem na seleção dos festivais. O autor só não menciona os festivais (e já não são poucos) que aceitam os arquivos digitais sem precisar de mídia física (por exemplo, pelo uso da plataforma WithoutaBox (https://www.withoutabox.com/), cujo uso tem se tornado um padrão em vários festivais). Nesse caso, os festivais mais abertos especificam quais os codecs de vídeo são os mais indicados para envio, frequentemente algum H264 (um MOV, por exemplo) e o envio se faz via online, por meio de cadastro no WithoutaBox.

De qualquer maneira, no festivais BlueRay, MOV e ProRes tendem a ser vistos como uma categoria mais amadora de cinema do que aqueles filmes que chegam em película ou DCP. Se o festival tem uma comissão de seleção diminuta, mal remunerada, direcionada ao cinema comercial ou já predisposta a seguir a pré-seleção feita pelos editais estatais de fomento à cultura, ou simplesmente se torna uma comissão exaurida diante da quantidade de filmes que são enviados em um forma digital mais livre, o melhor mesmo é finalizar o trabalho em DCP e com audio em Dolby Digital, o que encarece o processo e torna necessário recorrer aos editais e à política cultural, mas serve como um diferencial para a seleção.

É preciso lembrar que a maioria dos filmes enviados a festivais são experimentais ou puras brincadeiras trash. Assistir um filme trash ocasionalmente pode ser engraçado, mas assistir uma sequência deles um dia após o outro pode ser bem sofrido. Os festivais, portanto, que estão cumprindo, na prática, a função de pinçar algumas coisas no meio do “lixo”, terminam por ter dois tipos de seleção: a formal e uma outra, a imprevisível, que é informal e improvisada diante de uma quantidade enorme de filme que ninguém quer assistir. Para quem está iniciando sua trajetória em festivais, o primeiro obstáculo é fazer o seu filme ser ao menos verdadeiramente assistido pela comissão de seleção do festival, diferenciando-se da massa de filmes ruins. Gostando ou não de ambas seleções (a oficial e a informal), é preciso saber que elas existem e é inerente ao processo como se encontra.

O lado melhor dos DCPs sem dúvida será o barateamento da produção de cópias de um filme ao ser distribuído a várias salas de exibição. Para o cinema independente, quando chega às salas de cinema, ter que fazer várias cópias em película era um grande problema, devido ao custo. Os DCPs podem ser duplicados como se duplicam arquivos digitais, pelo menos do ponto de vista técnico.

É possível se concluir, por hora, que há níveis de complexificação na finalização de um filme em cinema independente pelos quais se pode ir passando na hora de levá-lo a festivais, desde algo mais simples e barato até um formato já bem próximo do comercial.

Passo 01: finalizar um curta-metragem em tamanho full HD (1920×1080) e com som stereo ou 5.1 (de preferência, neste último caso, Dolby Digital). Enviá-lo aos festivais que aceitarem nesse formato através de envio online ou por HD ou pendrive. Ou enviá-lo em Blue Ray ou mesmo em DVD para aqueles festivais que apenas aceitarem mídias físicas. Deve-se ter em conta que esse envio será também um primeiro teste. Se o curta não for selecionado em nenhum festival mas houver bastante confiança da equipe (principalmente ao compará-lo aos outros filmes selecionados na mesma categoria), pode ser que valha a pena distanciar um pouco a sua finalização da média, a fim de que aumente a sua chance de ser visto pela comissão de seleção.

Passo 2: “esticar” um pouco o seu curta-metragem captado em full HD para 2K e tentar finalizá-lo em DCP aberto de 2K. Lembre que isso pode ser trabalhoso ou caro, devendo se cogitar se vale a pena fazê-lo ou não.

Passo 3: se o objetivo é fazer um longa-metragem, o melhor é que já se produza o filme em 2K, ou maior, e já saiba que finalizá-lo em DCP será necessário. Enviá-lo, então, aos festivais, nesse formato, ou reduzi-lo para enviar em full hd (já que há festivais que padronizaram o envio em DVD, BlueRay ou arquivo digital por via online, a fim de reduzir a confusão de mídias e formatos). Para um curta em que se deseja elevar o nível de profissionalismo, isso também pode ser seguido.

Esse, pelo menos, é o panorama de momento; mas já é visível todo um conjunto de ações “contra-industrial” a fim de se popularizar a criação de DCPs fora dos laboratórios padronizados.

O fim da película cinematográfica está se dando sem alarde e sem grande comoção. Em parte isso se deve ao fato de que a criação e mesmo a projeção de DCPs poderá aumentar a diversidade de produção e exibição de filmes. Certamente o fim da película traz uma perda estética para o cinema, além de significar o fim de uma era, que começou romântica, foi artística e terminou monopolista. A era do DCinema pode significar o fim dos monopólios da finalização e da distribuição de filmes em alta qualidade. Como na música, a filmografia pode se tornar “tribal” ou individual para quem for ativo em buscar aquilo que lhe interessa.

Texto: Tragik House

[ VAGA DE EMPREGO ] Editor

18 jul


Renomada Produtora de Vídeo em Campinas/SP está realizando um processo de seleção para uma (01) Vaga de Editor.

Se você deseja ter uma experiência profissional enriquecedora, não perca essa oportunidade!

Interessados entrar em contato com Eliel Quaresma, pelo telefone: (19) 8127-1409 ou pelo e-mail: elielsp@gmail.com

Honda [ Hands ]

11 jul

Desenvolvido pela agência britânica Wieden+Kennedy com o objectivo de demonstrar o lado inovador, imaginativo e desafiador que a marca nipónica procura exibir, “Hands” é o mais recente filme institucional da Honda, com o qual o fabricante japonês destaca a importância da curiosidade no modo como os seus engenheiros encaram todos os desafios.