ALEXA Studio é usada em produção do filme A Girl Walks Home Alone at Night | ARRI

21 fev

Classificado como um filme de Western Vampiro Iraniano, o filme conquistou o público com o seu imaginário surreal e atuações envolventes. O diretor de fotografia Lyle Vincent usou o formato anamórfico em preto e branco para transportar os espectadores para esse mundo sobrenatural. A produção foi capturada em ALEXA Studio, ProRes 4444 em modo 4:3 2K com uma variedade de lentes anamórficas antigas fornecida pela Panavision.

Nesta entrevista, o DP Lyle Vincent fala sobre como foi moldar o look de um dos filmes do ano que mais prende sua atenção na tela, A GIRL WALKS HOME ALONE AT NIGHT, que está passando em alguns cinemas nos EUA.

Captura de Tela 2015-02-12 às 11.28.52

Como diretor de fotografia, o que o atraiu para esse projeto?

Fui atraído pelo roteiro e pelo potencial visual. Encontrei Lily e ouvi suas ideias e referências para o filme. Ela tinha um maravilhoso livro de looks e ela já tinha a história toda em quadrinhos. Quase não precisei falar, estava muito animado em fazer parte deste filme.

Quais foram as suas primeiras conversas com a Lily sobre o filme? O que ela queria fazer em termos de estilo e look?

Ela foi muito clara nas principais influências do estilo do filme e como o visual deveria seguir. As principais referências de filmes foram ERA UMA VEZ NO OESTE (ONCE UPON A TIME IN THE WEST),  RUMBLE FISH e CORAÇÃO SELVAGEM (WILD AT HEART).  Desde o início sempre foi preto e branco e anamórfico. Também queríamos que o filme tivesse uma sentimento clássico e bonito, mas também, ao mesmo tempo, muito contemporâneo e audacioso. Tivemos o cuidado de nunca ter o estilo visual dominando sobre os personagens ou a história, pelo contrário, sempre os apoiamos e os engrandecemos.

Porque o anamórfico foi a escolha certa para contar essa história?

Como disse, Lily sempre via o filme como anamórfico e eu concordei totalmente e fiz de tudo para apoiar essa ideia desde o início. Muito disso veio do enquadramento widescreen dos clássicos de faroestes (embora a maioria fosse em 2 perfurações) e as colaborações das fotografias em anamórfico de David Lynch/Fred Elmes. Nós amamos as aberrações abstratas e distorções que veem da filmagem em anamórfico e acho que isso se encaixava perfeitamente na história deste filme.

Vocês fizeram algum teste? Imagino que filmar em preto e branco, você precisa ainda mais de cuidado com a iluminação, maquiagem, figurinos e escolhas das artes.

Fizemos alguns testes em locações reais antes de ajustarmos o LUT P&B e o workflow. Usei o ARRI Look Creator para fazer um look P&B bem contrastado e habilitei na câmera, para que todas as saídas de vídeo tivessem o look aplicado. Às vezes eu pirava a Lily e desligava o look P&B, para mostrar como estávamos capturando realmente. Era uma imagem bem lavada, com pouca cor; era um mundo distante do nosso filme. Era sempre muito bom saber que tínhamos muita informação para trabalhar. Além disso, sim é verdade, todas as escolhas das maquiagens, figurino e arte eram cuidadosamente escolhidas para o P&B. Felizmente Lily era muito experiente nisso e sabia como as cores seriam traduzidas para o P&B. Também usamos uma Canon 5D com um ajuste em P&B para testar as coisas e se acostumar como elas mudam.

O projeto foi filmado em Farsi, o que vocês estavam procurando em termos de atuação, sendo que estavam filmando numa língua diferente?

Isso é algo que estava acostumado, pois filmei um longa na China. Realmente acho que isso ajuda a não entender tudo. Você começa a aprimorar o visual e realmente vê a linguagem corporal dos atores e como eles estão se movimentando em relação ao ambiente. Também acho que uma vez que você fica imerso o suficiente, você entende tudo que está acontecendo emocionalmente e qual é a coisa mais importante.

Captura de Tela 2015-02-12 às 11.29.02

Onde você fez a correção de cor? O que você fez durante esse processo?

Nós corrigimos na Runway Post em Los Angeles com o maravilhoso colorista Zach Medow. Eu basicamente fiz um LUT no Resolve que utilizamos no set como ponto inicial, mas quando realmente comecei a trabalhar, achamos que fomos capazes de extrair mais nuances de tons e criar uma sensação de pintura ainda mantendo os preto fortes e desejados. Uma coisa que não gosto em algumas fotografias em preto e branco, é quando tudo fica cinza sem o verdadeiro tom de preto e branco no quadro. Ao mesmo tempo, não queríamos sentir muito pesado ou altamente contrastado, no qual Lily foi muito específica sobre isso. Acho que encontramos um balanceamento muito bom de ambos para contar o filme.

Há uma cena em que o nosso herói segue um homem e depois imita seus movimentos. É engraçado, mas inquietante. Você pode dizer como foi filmar esta cena?

Esta foi no Steadicam pelo incrível Scott Dropkin. Basicamente filmamos de ambos os lados dos personagens para criar um efeito de escalada e a sensação de pavor sendo perseguido, mas misturado com um pouco de humor. Acho que ficou bom e eficaz. Iluminamos, como em todos os exteriores noite, com um 5KW e as próprias luzes da locação.

Porque a ALEXA foi a câmera certa para esse projeto?

A ALEXA foi a única câmera escolhida para este filme, pois atendia as nossas necessidades e limitações. Primeiramente, deveria ser em anamórfico e realmente queríamos ter o full frame do anamórfico para explorar todas as qualidades originais e imperfeições do formato. Segundo, tínhamos um orçamento limitado para fazer isso acontecer. Isso vale para o formato e iluminação. A ALEXA nos deu a opção de ambos. Nós pudemos filmar em ProRes 4:3 (o qual tinha acabado de ser lançado naquele momento) e filmamos com um ISO muito alto sem degradação. A maioria dos exteriores noturno filmamos com ISO 3200. Isso não é algo que faço no filme em cores, mas funcionou perfeitamente para os pretos e brancos. Todos os ruídos de cor foram esmagados ou eliminados, o que ficou foi uma qualidade muito orgânica e cinematográfica.

Você conseguiu fotografar em anamórfico, apesar de um orçamento baixo. Para os cineastas independentes lá fora, você tem algum conselho sobre como realizar grandes imagens cinematográficas, com meios limitados?

Acredito que um monte de gente ficaria intimidado pelo anamórfico, pois acham muito caro. A beleza de nossas novas câmeras de alta sensibilidade, é que agora podemos nos dar ao luxo de filmarmos com um diafragma mais aberto com a luz disponível e sermos capazes de vermos o que estamos fazendo. Além disso, com todas as lentes anamórficas mais antigas disponíveis novamente, temos muitas opções econômicas. Ao mesmo tempo, se você tem um ótimo roteiro e grandes atores para fazê-la viver, então, qualquer formato, se usado de forma criativa, poderá encantar e atrair o público. Nunca haverá uma questão de qual o formato para qual orçamento. Felizmente, nós estamos num momento com muitas opções para criar e fazer cinema, para qualquer orçamento.

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