Abertura | Babilônia

29 abr

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Texto: André Luiz Sens

Babilônia foi uma famosa cidade da Mesopotâmia transformada pela Bíblia em uma metáfora para confusão e pecado. É também como é chamada a nova novela das nove da Rede Globo, cercada de personagens polêmicos que certamente se enquadrariam a alusão pagã do livro sagrado cristão. Mas a motivação principal para o nome se concentra em um dos principais cenários da trama: o morro da Babilônia, no Rio de Janeiro.

A abertura apresenta justamente essa Babilônia carioca como elemento gráfico principal. Mas não em uma representação figurativa, como em Duas Caras (2007). Janelas, paredes e telhados surgem de modo fractal, formando grafismos dinâmicos tridimensionais. Nessa miscelânea de informações visuais, também ilustradas na tipografia da própria marca gráfica, é possível notar uma aproximação com a babilônia bíblica. Representam as relações, muitas vezes conflituosas, entre classes, credos, sentimentos e culturas.

Dentre algumas das faces dessa favela desconstruída, fotografias das três protagonistas da trama são exibidas, em uma clara inciativa de tornar a abertura mais palatável para espectadores que não reconhecem propostas mais abstratas e minimalistas. Celebridade (2003), do mesmo autor, também apresentava rostos de alguns personagens entre um jogo de palavras brilhantes. No caso de Babilônia, outro motivo evidente da presença dessas imagens está em evidenciar as personagens, bastante exploradas nas chamadas como principais atrativo.

Nesse sentido, reside certa inconsistência com as chamadas. Nelas são exploradas a frieza ou dureza sentimental representada por essas três mulheres através de corações em ferro, gelo e pedra. Somado a eles, a cor vermelha, efeitos geométricos e cortes rápidos davam um tom intenso e bastante sinistro. O que justificaria, talvez, a ausência desses elementos simbólicos, bastante ricos em significados, na identidade da abertura. Mas a pergunta então é: porque foram utilizados na divulgação?
https://vimeo.com/124040083

O samba “Pra que Chorar”, interpretado por Mart’nália, é inclusive o que mais reforça essa incongruência, não só com as chamadas, mas com a estética da própria vinheta, que pedia algo menos festivo. Provavelmente uma solução para tornar a apresentação menos densa e mais popular, e ainda estabelecer uma conexão mais óbvia com o cenário da favela.

Mesmo com uma abertura mais amena, parece que o produto não conseguiu agradar a audiência. Para isso, algumas alterações já estão sendo realizadas e nesse caso, até a abertura precisou sofrer modificações. Algo que não é tão usual, mas que eventualmente acontece. A vinheta ficou mais leve. Os grafismos receberam um tratamento cromático mais suave, menos soturno. E a marca mudou da agressiva cor vermelha para um delicado amarelo-claro. Resta saber se essas mudanças cosméticas trarão o resultado esperado.

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Primeira Versão Original:
https://vimeo.com/122533211

Segunda Versão Atual:
https://vimeo.com/124027971

Ficha Técnica

Ano: 2015
Canal: Rede Globo
Design: Alexandre Romano e Flavio Mac Menezes
Trilha: “Pra que Chorar”, de Vinícius de Moraes por Mart’nália

Texto: André Luiz Sens
Fonte: Blog Televisual

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