Entrevista | Fábio Souza colorista que já trabalhou em mais de 80 longas

23 jul

Fábio Souza é um dos coloristas mais respeitados no cinema nacional. Ele trabalhou em mais de 80 filmes, incluindo sucessos de público como “Meu Passado me Condena”, “Divã” e “De Pernas para o Ar”, e filmes premiados como “Era uma vez eu Veronica” e “Fica comigo esta noite”. 

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No bate papo abaixo, Fábio conta como começou sua carreira e quais são as características que definem um bom profissional de sua área. 

Como você começou sua carreira?
O meu primeiro contato com o mundo do cinema foi em 1995, quando ingressei na LaboCine para trabalhar no CPD, foi quando tive a oportunidade de assistir ao Ivo (grande marcador de luz) trabalhando no collor analyser, fiquei realmente chocado em saber que era daquele jeito que as coisas aconteciam. Comecei a acompanha-lo e ficava encantado ao ver cada copião sendo marcado e assistido na projeção. A partir daquele momento eu tive certeza que tinha encontrado o meu caminho. Comecei entendendo cada processo do laboratório, desde a revelação e suas partes até a escolha do material positivo para exibir as imagens, fui entendendo como cada decisão durante o processo influenciava diretamente na imagem final. Tive o meu primeiro contato com o mundo da intermediação digital quando estagiei na Tape House, em Nova York operando a mesa Davinci 2K. Pude acompanhar todas as etapas da migração da pós-produção da imagem do ótico para o digital que conhecemos hoje em dia.

A lista de filmes que você finalizou é impressionante. Quais trabalhos você destacaria entre tantos? Quais são seus favoritos?
Destaco o “Do Outro Lado da Rua”, fotografia de Toca Seabra, que me deu a oportunidade de fazer o meu primeiro longa e também me ensinou muito, foi maravilhosa a sensação de ver um trabalho ganhar um prêmio de melhor fotografia e estar diretamente ligado a este trabalho. Outro destaque é “Cazuza”, fotografia de Walter Carvalho. Os experimentos que ele lançou fotografando em 16mm e ampliando em janela molhada diretamente para um positivo ao invés de um master, como era de costume, revelando de forma a retirar mais prata no internegativo para conseguir aquele look estonteante na telona. Ter acompanhado esse grande gênio no seu processo criativo não tem preço. Também destaco “Sudoeste”, fotografia de Mauro Pinheiro, que é fascinante não somente pelo seu famoso enquadramento mas também pela maestria deste grande fotógrafo com o qual muito aprendi.

Em “Heleno”, por exemplo, existe um tratamento muito bem feito que remete ao cinema dos anos 40. Pode comentar este trabalho?
Esse filme foi muito particular, o desafio estava justamente no contraste característico dos filmes da época. Nas cenas de lembrança reproduzimos a oscilação, um pouco de perda de definição e luminância nas bordas, característico do projetor e lente S8mm. Nas cenas de chuva no estádio durante os jogos, dependendo da posição da câmera, às vezes a chuva simplesmente não aparecia, a solução foi utilizar uns plates de chuva que o fotógrafo Walter Carvalho filmou e pre-multiplicar sobre as imagens que necessitavam da chuva, de forma que ficasse bem natural, tudo isso durante a correção de cor.
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Filme Heleno

Você trabalhou em filmes que foram recordistas de espectadores nos cinemas, como “Divã” e “Meu Passado me Condena”. Como você sente ao ver seu trabalho assistido por tanta gente?
Uma vez um grande diretor de fotografia me ligou para dizer que no final da projeção em um dos Festivais de Nova York vieram até ele para pedir o seu autógrafo e ele disse “mas eu não sou o diretor do filme”, e o espectador lhe disse que sabia e que o autógrafo era pela fotografia. É gratificante ter tanta gente curtindo o meu trabalho, não somente no Brasil mas no mundo, saber que se faz parte de uma equipe de profissionais dedicados ao entretenimento e ter a oportunidade de ajudá-los de certa forma a contar essas histórias maravilhosas é realmente uma dádiva e espero ajudar a contar muitas outras. Me sinto realizado, agradeço a Deus pela oportunidade de trabalhar com a sétima arte.

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Quais são as qualidades que um profissional da sua área precisa ter para se destacar?
Quem quiser seguir essa profissão tem que ser amante da arte, estudar os grandes gênios da pintura e seus movimentos, ver muitos filmes, ser perfeccionista, obstinado e excelente em interpretação. Ser colorista é saber viajar na mente dos diretores e apertar botões com muita sensibilidade e carinho para expressar suas ideias.

Fonte: O2

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Uma resposta to “Entrevista | Fábio Souza colorista que já trabalhou em mais de 80 longas”

  1. Bruno Marques 23/07/2015 às 10:26 #

    Muito bom! Valeu pela entrevista! 🙂

    Curtir

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