Meadowland (Reed Morano) | ARRI

4 jan

MEADOWLAND é a estreia na direção de Reed Morano, ASC, estrelando Olivia Wilde e Luke Wilson como um casal que transformou suas vidas após o desaparecimento de seu filho. Morano, que como diretora de fotografia inclui os créditos de SKELETON TWINS, KILL YOUR DARLINGS e a próxima série da HBO, VINYL, escolheu por não passar adiante seus deveres de diretora de fotografia para outra pessoa, enquanto ela dirigia MEADOWLAND. Em vez disso, a nativa de Nebraska foi eleita para dirigir e operar a câmera na mão neste intenso drama. Nesta entrevista, Morano nos conta o que motivou as suas escolhas em MEADOWLAND, desde o look à atuação, e canalizando sua experiência como a voz de uma diretora.

Agora em cinemas selecionados e disponível “on demand”, o filme foi capturado em ALEXA com lentes ARRI /ZEISS Masters Anamórficas da ARRI Rental NY.

01Conte-nos sobre MEADOWLAND.
Este casal estava em uma viagem quando seu filho desapareceu no posto de gasolina de uma rodovia. Um ano depois, eles ainda não resolveram o caso e não sabem onde seu filho está, se ele está vivo ou não. É uma contemplação surreal dos que foram deixados para trás com o sentimento de perda quando você está vivendo um tipo de sonho, oscilando à beira da dor, é menos sobre os procedimentos da investigação e mais sobre a viagem interna dos personagens, embora este filme lide com o tema da dor, é mais sobre os pais agindo fora do personagem, ignorando as repercussões de suas ações, é quase uma aventura do acaso onde você não sabe o que vai acontecer na sequência.

O que esse roteiro tem que fez você querer dirigir?
O que estou constantemente em busca como uma diretora de fotografia quando leio um roteiro, são momentos provocativos e fortes o suficiente para serem contados, sem dizerem uma única palavra. Há uma cena no filme onde a mãe lembra do dia que perdeu seu filho. Ele estava comendo biscoitos no banco de trás do carro. Esta memória a trouxe de volta para uma noite, quando ela acorda de repente. A câmera a segue até a garagem onde ela tinha seu Volvo estacionado. Ela vai até o banco de trás e freneticamente procura por todos os buracos e fendas do carro até finalmente encontrar o velho biscoito em forma de animal e o coloca na boca. Quando li aquilo, fiquei maravilhada, pois isso me mostrou o potencial da história. Também como mãe de dois garotos, entendi perfeitamente. Foi naquele momento que percebi que poderia trabalhar em algo ali, que estava nas minhas veias. Havia muito pouco diálogo no roteiro, mas você pode dizer algo que diria para todos, mesmo para pessoas que não tivessem crianças.

Como você quis traduzir o look e o estilo do filme?
Inicialmente, planejei rodar em película, mas é diferente quando você começa a calcular e planejar. É um milagre que ainda conseguimos um financiamento, pois estávamos sem perspectivas e era arriscado. O meu pessoal do financeiro disse que não teria nenhuma chance de ser feito em negativo. Sou fã do filme, mas adoro a ALEXA e se não posso filmar, então ela é a única opção de câmera digital para mim.

Sabia que com a ALEXA eu poderia ter aquele look depois, o qual teria o filme tão real quanto possível e mais natural, não chamando a atenção para a iluminação nem para o trabalho de câmera. Quando soube que filmaríamos de ALEXA, quis levar a câmera a um outro nível.

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Então você usou as Masters Anamórficas?
As Masters Anamórficas me surpreenderam e criaram uma textura rica em conjunto com a ALEXA. Estas lentes são luminosas; no passado era difícil filmar em anamórfico com um orçamento apertado, pois as lentes que eu queria usar não eram luminosas, jamais foi prático para um filme de baixo orçamento como o que eu estava fazendo. O look anamórfico sobressai no cinema: os reflexos, o desfoque ovalado, as aberrações da lente e todas aquelas qualidades imprevisíveis. Além disso, nem todo mundo as usa e é o que as fazem tão especiais quando você vê. Na minha opinião, elas fazem com que tudo pareça maior. O “Gus” (Lynn Gustafson da ARRI Rental NY), me contou sobre as Masters Anamórficas e me convidou para vir e testá-las. Tinham apenas 3 distâncias focais (35mm, 50mm e 75mm), pois era tudo que eles tinham naquela época, mas já estive em situações antes, onde tinha um número limitado de lentes, portanto, eu não estava preocupada.
Eu não poderia estar mais satisfeita com as qualidades das Masters Anamórficas. Normalmente, eu vou de lentes mais antigas com a ALEXA, pois tento deixar as bordas um pouco mais irregulares. Uso filtros difusores de qualquer forma, portanto, pensei que poderia tentar um novo vidro pela primeira vez. Estas lentes são nítidas e tem belas qualidades anamórficas, mas elas são ligeiramente menos irregulares e mais controláveis do que as anamórficas normais. Você pode trabalhar com reflexos quanto você quiser e eles são deslumbrantes, tais como círculos de arco-íris. Tinha também azul, reflexos ovais e o desfoque que era lindo. Elas tinham essas qualidades distintas, mas não excediam a ponto de tirar a atenção. Era a quantidade exata.

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Por que você filmou tudo com a câmera na mão?
Qualquer um que me conhece, sabe que sou favorável à câmera na mão. Vim do documentário e é a liberdade de ser capaz de reagir naquele momento que mais me atrai. Especialmente, adoro isso em situação de narrativa, porque posso reagir rápido baseado no que está acontecendo na história e na iluminação. Gosto de “dançar” com os atores e eu me torno um personagem na história com eles através da câmera. Qualquer operador diria a mesma coisa, mas quando você está com a câmera na mão, é uma forma menos restrita. Caso você mova poucos passos em uma direção, então um reflexo maravilhoso pode acontecer ou você consegue pegar um look certo de um ator de um ângulo que não é típico. Você pode deixar o público mais emocionado e trazê-lo para dentro da história e da perspectiva dos personagens. Chamo isso de “câmera na mão estática” ou “câmera orgânica”. Não é uma câmera nervosa, mas você pode sentir que a câmera está viva. Era como ter uma parede ao redor dos personagens e eu tinha a esperança de que eu pudesse fazer o público se sentir como se estivesse preso com eles atrás daquela parede.

03Olhando para trás agora, se financeiramente você pudesse filmar, você teria feito em negativo?
Se eu pudesse voltar no tempo e fazer esta produção em filme, não faria. Para mim, fotografando, dirigindo e operando, teria sido demais se eu não soubesse o que teria; não teria sido impossível, mas teria adicionado um outro layer do desconhecido. Foi bom ter o imediatismo do workflow digital e saber que eu estava conseguindo exatamente o que pensei enquanto ainda trabalhava naqueles três filmes. Isto me deixou menos preocupada sobre questões técnicas porque pude ir longe no digital em termos de estilo de filmagem. Além disso, estava confortável com a ALEXA, e sabia como iluminar de maneira natural e rápida.
Sabia desde o início, que eu não queria perpetuar o mito de que quando um diretor de fotografia dirige seu primeiro projeto, tudo o que importa é a cinematografia, e como resultado, a história a e ação falham. Eu já sabia em meu coração que iria colocar a fotografia em segundo plano. O que foi ótimo em filmar com a ALEXA e as Masters Anamórficas, foi saber que eu teria destes maravilhosos produtos, com pouco esforço do meu lado, o melhor resultado, pois eu estava acostumada em trabalhar com a ALEXA e sei o que funciona.
A ALEXA e estas lentes podem ter um look muito elegante sozinhas se você ilumina de maneira natural e simples. Caso você seja minimalista a respeito disso, a luz menos óbvia que você faz, será melhor. Há maneira de filmar em digital onde você pode fazê-la parecer tão bonita que às vezes você pode descartar o filme. É tudo sobre como usar um toque de luz. Ter estas lentes que são tão diferentes de qualquer coisa que eu já usei antes, fez com que as imagens se destaquem. Elas realmente são especiais.07Como foi ser seu próprio diretor de fotografia?
Ironicamente, foi a primeira vez que eu aceitei tantos riscos que eu desejaria ter aceitado no passado. É engraçado, porque eu estava passando a maior parte do meu tempo concentrada em outros aspectos do filme: nas atuações e nos personagens e talvez esta seja a ideia de menos é mais. Quando você tem algo bom, apenas deixe-o em paz e não o aperte muito. Não se auto critique.
Eu sabia o tempo que tinha para filmar cada cena e quanto tempo me tomaria para filmar como diretora. Sabia que poderia ir mais longe como diretora do que quando você é um DP onde talvez você tenha menos flexibilidade e você não saiba quantas horas você ficará filmando uma cena ou como eles usarão o material gravado. Eu pude aceitar o risco, pois era o meu filme.

Há uma cena muito forte onde vemos a personagem da Olivia Wilde se cortando com uma lâmina. A profundidade de campo torna-se extremamente curta. Como um espectador, você se sente como se estivesse naquele frágil lugar com o personagem. Como você filmou aquela cena?
O que foi interessante sobre a cena, é que ela é uma espécie de libertação de dor do personagem. Acabei usando uma 75mm Master Anamórfica com um filtro de aproximação e isto criou um curto campo focal quando coisas entram e saem de foco, como a lens baby, mas ainda mais elegante do que isto. Foi uma descoberta maravilhosa definir essa emoção, onde você não pode ajudar no que ela está sentindo.
A cena do corte é realmente única e faz com que você se sinta desconfortável e, ao mesmo tempo, você entenda perfeitamente o porquê ela está fazendo aquilo. Mostrei este filme para algumas pessoas que se cortaram no passado e elas ficaram muito comovidas, pois eles sentiram que era a primeira vez que viram uma cena de corte de forma tão correta e precisa, assim como o porquê elas fazem isso.

06Há uma outra cena noturna emocionante, quando o pai, interpretado por Luke Wilson, pára seu carro no memorial no acostamento da estrada.
Para aquela cena, iluminamos o Luke com os faróis e coloquei um difusor sobre eles. Ele está na contra luz dos faróis o tempo todo. Não há outras luzes adicionais para iluminá-lo, além dos faróis. Sabia que ficaria ótimo com as anamórficas. No fundo daquela cena, havia uma pequena luz de rua. Estava muito escuro no fundo, portanto minha equipe de elétrica colocou um par de refletores pela rua que literalmente pareciam como outras luzes da rua. Era quase nada. A cena ficou muito boa com um mínimo de esforço.
Às vezes, saber quando não complicar as coisas faz de você um cineasta melhor. Eu diria que 90% das cenas do filme são iluminadas com luzes de cinema reais, mas, por vezes, menos é mais e eu sempre tentei usar menos. Essa foi uma das cenas onde eu fui muito louca e disse vamos fazer assim. Isso é algo que eu provavelmente nunca teria feito com película; isto foi por que eu poderia ver como estava ficando, então eu fui de ALEXA. Isso é algo que capacita a filmagem com esta câmera. Você pode assumir riscos maiores, porque no final do dia, você pode ver o que está lá e você sabe que você tem. Agora que fiz isso, eu sinto que eu posso fazer mais no filme. Isto lhe dá uma confiança extra para arriscar e ir contra o grão. 05Portanto, no geral, como foi sua primeira experiência em dirigir um filme?
No meu primeiro dia foi muito estranho e assustador. Senti essa enorme pressão para fazer um bom trabalho para todos. Mas descobri que não tinha nada que me preocupar com a equipe que tinha, foi uma experiência positiva para mim desde a equipe, os atores, os produtores e a todos que ajudaram a tornar tudo isso possível. Todos foram muito solidários e não poderia ter sido melhor, da perspectiva de como todos trabalharam bem como equipe, especialmente dado o curto prazo que tivemos para filmar. Um cronograma sólido seria de 24 dias e tivemos apenas 22. Apesar deste prazo, sinto como se nós não tivéssemos perdido ou sacrificado nada, o que é uma sensação muito boa. No geral, o filme foi muito além das minhas expectativas e é por conta da equipe e do elenco que eu tinha.
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