A Hasselblad amplia o seu mercado de câmeras de formato médio | Marcello Caldin

4 jul

Estou iniciando aqui no site a minha coluna e vamos falar sobre as novidades eletrônicas mais recentes e desejadas por vocês. Muito mais do que uma análise técnica, o meu propósito aqui está em traduzir de uma maneira simples, como a tecnologia pode auxiliar e melhorar o seu dia a dia. Vamos refletir sobre diversos conceitos e informações, que muitas vezes não são compreendidas corretamente, ou que são aplicados de uma maneira equivocada.00
Antes de iniciar a minha primeira matéria, eu gostaria de me apresentar a todos vocês: Eu sou montador e colorista de filmes desde 1989 com especialização em Avid Media Composer e DaVinci. Trabalho também como consultor técnico e instrutor de tecnologia para as emissoras de televisão e produtoras de vídeo. Isso requer sempre uma análise mais detalhada desde a aquisição de tecnologia, treinamento de profissionais e sobretudo no entendimento de todas as etapas de trabalho. Sou o criador do Workshop “O Fluxo de Trabalho – Uma reflexão sobre o uso inteligente da tecnologia” e que é realizado dentro das empresas e centros de treinamento e que traz um importante mecanismo de formação dos profissionais da área. Há dez anos eu venho desenvolvendo uma nova paixão, a de repórter fotográfico para o Terceiro Setor. Dessa maneira eu tenho viajado pelo país e registrado diversos projetos de ação social e que tenham o objetivo de valorizar as pessoas em situação de risco. Tudo o que eu faço é sempre através da busca incessante que tenho de aprender.

Quando falamos sobre novos lançamentos de câmeras fotográficas, sempre se cria uma certa turbulência sobre como isso se refletirá no mercado, afinal a identificação do público consumidor é antes de tudo, o maior desafio. A profusão dos lançamentos atuais deixa qualquer profissional desorientado porque o crescimento é exponencial. O que hoje é uma grande novidade, poderá não passar de uma tola tendência em apenas alguns meses ou até semanas e será o mercado que ditará esse resultado.logoNo último dia 22 de junho, a Hasselblad, tradicional fabricante de câmeras fotográficas desde 1941, situada na cidade de Gothenburg, Suécia, anunciou o seu novo modelo X1D-50C, possuindo menos da metade do peso usado em suas câmeras tradicionais de formato médio, mas utilizando o mesmo sensor com 50 MP. Por definição, é uma câmera de formato médio portátil e com a mesma qualidade de cor e latitude encontrada em suas “irmãs maiores”.

De acordo com a declaração do CEO da Hasselblad, o senhor Perry Oosting: “A X1D marca um ponto crucial na rica história de 75 anos da Hasselblad. Esta câmera torna a fotografia de formato médio disponível para uma nova geração de usuários Hasselblad, enquanto empurra os limites existentes da fotografia para novos patamares “.

É compreensível os esforços que atualmente os fabricantes façam em busca de novos mercados para os seus equipamentos e com a Hasselblad não é diferente. Fica clara a intenção do fabricante em desenvolver uma nova câmera com tecnologia sem espelhos (mirrorless) e criada para um novo perfil de consumidor e faixa de preço. A pergunta certa neste momento é descobrir se você está inserido nesse mercado e quais os benefícios que este novo equipamento possa trazer. Antes mesmo de desenvolvermos uma análise técnica, vamos falar sobre o custo de US$ 8.995 (sem impostos de importação), que já define muito bem sobre com o que estamos lidando. Sim, é uma câmera para poucos aqui no Brasil, mas que traz uma nova reflexão sobre os caminhos, que a tecnologia está seguindo, quando se percebe a tendência de preferência na produção das câmeras sem espelhos (mirrorless) ao invés das DSLR (Digital Single Lens Reflex). Acredito que esta seja uma das mais importantes reflexões sobre o mercado!foto de frente 02Eu costumo me questionar sobre até aonde a tecnologia pode me levar. A fotografia sempre me trouxe um prazer imenso, pois há anos atuo como repórter fotógrafo registrando pelo país, as mais diversas situações e projetos. A paixão pelas cores, texturas e pessoas. Simples assim. Tenho certeza de que muitos profissionais concordam comigo. De um outro ponto de vista, a minha busca por entendimento técnico traz uma avaliação mais ponderada sobre todas as novidades e o que mais me chama a atenção sobre a nova Hasselblad X1D-50C são três fatores específicos: primeiro é o fato de se tratar de um sensor de formato médio. Segundo, é que este sensor registra os arquivos RAW 3FR com uma profundidade de cor de 16 bit. E terceiro, é uma câmera portátil. Ou seja, estamos falando de uma câmera pequena apenas no tamanho, mas que oferece uma qualidade disponível através de poucos fabricantes e modelos. Tudo o que você pode desejar de uma câmera para uso em um estúdio profissional, você encontrará na X1D-50C.foto de frenteO sensor CMOS de 50 megapixels (8.272 x 6.200 pixels) possui as dimensões de 43,8 mm por 32,9mm e registra em cada fotografia em formato RAW 3RF, um arquivo com 65 MB de tamanho. Sim, é muita informação. Fazendo uma avaliação, em um cartão SD com 16 GB de capacidade, você poderá registrar 240 fotografias. Mas até esse ponto, quando estamos falando de tamanho de sensor e de arquivo, a avaliação é até muito simples, pois se a área do sensor é maior, é muito natural que este registre mais luz e consequentemente mais informação. A grande questão é como essa imagem é trabalhada internamente e o quanto dessa imagem é preservada. Existe um mundo de diferença entre um arquivo de 14 bit, comumente encontrado nas DSLR (Digital Single Lens Reflex) versus um arquivo de 16 bit de uma câmera de formato médio. É a diferença entre uma imagem muito boa e outra excelente.

Traduzindo isso para o português, quanto maior for a profundidade de cor, maior será a variação de cores obtidas. Se nós estamos em um ambiente RGB (vermelho, verde e azul) e através das combinações entre essas cores construímos as imagens, seria natural dizer, que quanto mais cores as câmeras registram, mais ricas estas serão. Em uma DSLR (Digital Single Lens Reflex) as lentes até registram inicialmente as imagens em 16 bit, mas quando gravam os arquivos, o fazem em 14 bit. É como se você estivesse descartando uma boa quantidade de variações de cores, para que viabilizasse um arquivo mais leve.

foto de cima

Outra grande vantagem por se ter um sensor de formato médio é a sua ampla latitude. Novamente, se o seu sensor é maior, mais luz este recebe. A Hasselblad X1D-50C tem uma latitude de 14 escalas e registra as imagens com uma luminosidade ímpar. Quando se está tratando as imagens fotográficas RAW, em um programa como o Photoshop ou similar, você percebe sempre uma carência de informação luminosa nas áreas médias da imagem e isso é uma deficiência justamente de latitude. Claro que quando se tem uma câmera com essa tecnologia tudo parece possível, mas infelizmente subir esta escada entre um sensor DSLR(Digital Single Lens Reflex) e um de formato médio, parece ser um passo muito grande e caro.

A Hasselblad X1D-50C também grava vídeos em alta definição utilizando o CODEC H.264 e segue a tendência natural das câmeras fotográficas atuais. Com certeza os profissionais não ficarão satisfeitos apenas com a gravação em alta definição, seja pelo fraco H.264, ou seja pela falta do 4K. Era de se esperar, que pela faixa de preço da câmera, houvesse uma melhor qualificação técnica em vídeo, mas observando outros fabricantes, fica claro sempre o desequilíbrio entre a fotografia e o vídeo. Não existe ainda, informações técnicas suficientes dadas pela Hasselblad sobre as possíveis conexões entre a saída mini HDMI da câmera e gravadores externos, ou se existe a possibilidade de gravação em video RAW. Apenas existe a confirmação da gravação em H.264. Como a expectativa de vendas está programada para o início de agosto, acredito que em breve teremos informações mais detalhadas sobre isso. Afinal, por ser um fabricante de câmeras fotográficas, será necessária uma curva de aprendizado na área de vídeo e honestamente eu aguardo pela possibilidade de gravação de vídeo em formato RAW ou pelo menos em um CODEC mais robusto.foto_lenteVocê encontrará hoje duas opções de lentes oferecidas pela Hasselblad, uma com 45mm e outra com 90mm. Ambas são lentes fixas, mas existe a possibilidade de se utilizar outras lentes da Hasselblad pertencentes a outros modelos. Falando um pouco mais sobre as características da câmera, você tem dois compartimentos para cartões SD, uma saída de vídeo mini HDMI, uma saída 3,5mm para fone de ouvido, uma entrada 3,5mm para microfone, conexão USB 3.0 tipo C, WiFi, GPS, visor eletrônico de 2,36MB XGA, ISO de 100-25.600, menu touchscreen de 3 polegadas, shutter de 60 minutos até 1-2000 segundo, arquivo de foto em RAW 3FR ouTIFF e de vídeo em HD 25p H.264.foto visorCada fabricante desenvolve a sua tecnologia proprietária de cor e isso sim, é um grande diferencial. É comum você observar que cada câmera tem uma tendência e linguagem de cor e com a Hasselblad isso não é diferente. Claro que tudo começa através das lentes, seja através da sua qualidade de fabricação ou seja através da sua luminosidade, mas é quando essa luz chega no sensor, que a “mágica” acontece. Por isso, existe um desenvolvimento árduo e constante sobre a tecnologia de cor e como essa informação é lida e processada. Uma imagem RAW, em sua tradução simples para o português, quer dizer “imagem crua ou não processada”, e por isso, esta deve ser transformada e convertida para um arquivo diferente como TIFF ou JPEG. A Hasselblad oferece gratuitamente o programa de leitura e tratamento de arquivos RAW chamado de Phocus. Além de suportar os arquivos RAW gerados pelas suas câmeras, ainda oferece suporte para mais de duzentos modelos de câmeras e funciona em Windows e Mac. Eu tenho utilizado este programa e realmente gosto de sua interface e sobretudo de seus resultados. Vale a dica, experimente você também em seu computador.

Na minha avaliação, é nítido o esforço da Hasselblad em abrir um novo mercado através da câmera X1D-50C e inclusive na área de vídeo. Outros fabricantes como a Leica e Canon também já iniciaram este caminho, trazendo toda a sua experiência fotográfica para um novo patamar tecnológico. Observando outras iniciativas semelhantes, o preço ainda é um obstáculo, que será superado quando o mercado determinar novas faixas de comercialização ainda mais acessíveis. E ainda, a questão de se gravar vídeo com uma qualidade mais robusta, está diretamente ligada à outras tecnologias, como maior velocidade de gravação dos cartões internos ou compatibilidade com gravadores externos. Se de um lado existe a busca por sensores maiores, de outro existe a viabilidade de se gravar mais rápido e com mais informação. É um crescimento exponencial de tecnologia de imagem, e quem ganha são os profissionais do nosso mercado. Não me surpreenderia, se em breve estivermos observando o natural e corriqueiro uso de sensores de formato médio em câmeras domésticas!

Sobre Marcello Caldin:

– Editor e colorista de comerciais e filmes desde 1989.

  • Instrutor de Avid Media Composer e Symphony.
  • Instrutor de DaVinci.

– Consultor técnico para emissoras de televisão e produtoras. (Rede Globo)

  • Repórter Fotográfico. (Pastoral da Criança e Instituto GRPCOM)
  • Criador do Workshop “O Fluxo de trabalho – Uma reflexão sobre o uso inteligente da tecnologia” 

Contatos:
E-mail – marcellocaldin@marcellocaldin.com
Este novo espaço tem um objetivo simples: compartilhar conhecimento. Por isso, eu faço um convite a todos os profissionais: Vamos aprender juntos!!! Aguardo a todos no próximo dia 18 de julho com uma nova matéria cheia de novidades. Até lá!!

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