O Cinema Digital – Parte 02 | Marcello Caldin

18 jul

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Sejam todos bem-vindos à segunda parte desta nova série de matérias sobre o tema: Cinema Digital. A minha busca está em explicar aqui alguns conceitos, que muitas vezes são entendidos de maneira equivocada e que refletem erros durante os procedimentos no fluxo de trabalho. E ainda, aprenderemos juntos algumas técnicas, que realmente mudarão a sua maneira de trabalhar produtivamente. E isso, meus amigos, se vocês estiverem dispostos a avaliar e refletir, poderão ser novos caminhos para a sua formação profissional e melhoria das suas atividades. Acompanhem comigo, algumas importantes reflexões!! Vamos em frente!!

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Pode até parecer estúpido e redundante o que eu vou afirmar, mas uma das escolhas mais importantes de qualquer trabalho em filme ou em vídeo, é a escolha da taxa de quadros por segundo do seu projeto. Quando você determina isso, todos os procedimentos seguintes estarão atrelados a esta primeira escolha. Eu não disse que iria parecer estúpido? Mas ainda hoje, muitos profissionais me procuram preocupados e ansiosos em como solucionar problemas na hora de finalizar um filme, pois na sua linha de edição estão muitas cenas com as taxas de quadros por segundos diferentes. Nesse momento, cria-se um mal estar por não se ter preparado o fluxo de trabalho adequadamente e normalmente, as soluções para casos assim necessitam de ações, que levam mais tempo do que o imaginado.

Esse tipo de erro ocorre principalmente, devido as facilidades encontradas em programas de edição, que aceitam qualquer tipo de arquivo e com qualquer variação na taxa de quadros por segundo. E estes programas, sempre se denominam como avançados e profissionais no nosso mercado. Na minha avaliação, a busca que certos fabricantes têm em popularizar os seus programas de edição, acaba por facilitar uma série de erros no início dos projetos e que cobrarão o seu preço, quando você já não tiver mais tempo com o seu cliente.

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O Avid Media Composer sempre parte de um início de projeto, em que você é obrigado a determinar uma taxa de quadros por segundo e uma resolução da imagem. Por exemplo, eu preciso determinar, antes de criar o projeto, que este será em alta definição 59,94i, que é o padrão para se transmitir um comercial em uma emissora de televisão. Depois de criar esse projeto, todas as imagens que forem conectadas através do AMA (Avid Media Access) terão de estar nessa taxa de quadros por segundo, ou caso contrário, não poderão ser conectadas. A única maneira de se ter uma cena com a taxa de quadros por segundo diferente a de um projeto no Avid Media Composer, será através da importação dessa cena e com a conversão da taxa de quadros por segundo equivalente a do projeto escolhido. Isso pode parecer insano porque irá gerar mais mídia em seu disco rígido, mas acredite, isso será em seu benefício ao longo do trabalho.

Uma das qualidades mais incríveis do Avid Media Composer, é a sua tecnologia na organização das mídias e através da ferramenta Media Tool (ferramenta de mídia), você irá organizar os seus discos rígidos de uma maneira muito mais avançada. O que confunde muitos profissionais, que estão acostumados a gerenciar os seus próprios arquivos de mídia, é que o Avid Media Composer cria e nomeia as suas mídias de maneira proprietária. Este cria uma pasta distinta dentro do seu disco rígido e gera mídia com nomenclatura própria. Sim, você não conseguirá identificar os arquivos como fazia em outros programas e nem é recomendável que você mexa nessa pasta de mídia. Parece ser um inferno, não é mesmo? Acredite, não é um inferno, isso se chama organização de mídia profissional.

O que poucos entendem, é que essa tecnologia da Avid foi desenvolvida para ser inclusive, organizada através de um servidor central de mídia e que compartilha esses arquivos com múltiplas plataformas de edição. Muitos se questionam sempre as razões da Avid demorar em atualizar o seu programa de edição, mas não percebem que o maior investimento é feito na tecnologia de organização de mídia.

Se você tiver a oportunidade de visitar as centrais de jornalismo e de produção da Rede Globo, perceberá que tudo funciona através de servidores de mídia Avid. É uma questão de confiabilidade de equipamento e de programa de gerenciamento de mídia.

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Quando eu estou trabalhando em um filme para a televisão e as cenas foram gravadas em 23,98p, eu inicio o meu projeto com essa taxa de quadros por segundo e edito normalmente. Depois de finalizado, eu exporto a minha montagem em 23,98p através do CODEC Avid DNxHD 220X com qualidade de masterização. Eu abro um novo projeto com as especificações solicitadas pela emissora e importo esse arquivo masterizado. O Avid Media Composer fará a conversão automática da taxa de quadros por segundo e então basta exportar para um disco XDCAM para a emissora.

Nesse momento, eu gostaria de enfatizar um detalhe importante e que poucos profissionais avaliam com maior profundidade técnica, que é justamente a qualidade que o programa Avid Media Composer tem em converter arquivos com taxas de quadros por segundo diferente. É uma tecnologia muito mais avançada do que se encontra normalmente em outros programas. Se eu tenho um projeto determinado por uma taxa de quadros específica e tenho de aditar cenas com taxas diferentes, o Avid Media Composer sempre importará essas cenas e as converterá automaticamente para a taxa de quadros por segundo do meu projeto. Isso se denomina em inglês por “conform” (adaptar) e gerará novas mídias com as taxas corretas ao projeto. Se eu tenho novas mídias com as taxas corretas, quando eu enviar um arquivo AAF para o DaVinci, tudo estará correto e o meu fluxo de trabalho não será interrompido.

É uma reflexão importante sobre organizar o projeto e as cenas com taxas de quadros diferentes, antes de você editar. Nesse caso, a ordem dos fatores mudará o resultado final da equação. Reflita sobre isso!!! A minha intenção aqui não é a de vender ou divulgar programas de edição, mas a de compartilhar as minhas experiências profissionais e desejar que isto auxilie você também no seu trabalho. Quanto mais profissional você for em suas atividades, mais você ouvirá palavras como “conform” e taxas de quadros por segundo.

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Conforme prometido na matéria anterior, eu gostaria de falar um pouco sobre uma das funções mais incríveis e ao mesmo tempo desconhecidas do DaVinci, que é chamado por automatic color match (afinação automática de cores).

Quanto tempo você perde ajustando as suas imagens? Talvez essa ainda não seja a pergunta mais adequada… Como você determina o que é uma imagem balanceada corretamente? Ou ainda: Como você pode acelerar o seu processo de ajuste automático de cores? São muitas perguntas e questões técnicas, mas que têm uma única preocupação, que é a qualidade das cores das suas cenas.

Vamos começar pelo princípio mais básico, que um colorista tem em sua função: todas as cenas têm de estar corretas tecnicamente. E isso envolve, que as cenas têm de estar dentro dos padrões de waveform e vectorscope, para que depois estas possam passar pelo processo de color grading e receber uma linguagem de cor. A gente sempre ouve dizer das qualidades do DaVinci, mas poucos sabem explicar isso de uma maneira simples.

Claro que eu poderia escrever dezenas de matérias sobre as qualidades de correção de cor primária, secundária, máscaras, tracking, estabilização e etc, mas eu sempre me pergunto: Por que ninguém menciona o automatic color match (afinação automática de cores) como uma ferramenta revolucionária?

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Eu gostaria muito de divulgar e popularizar a utilização do automatic color match (afinação automática de cores) do DaVinci, pois acredito honestamente, que esta ferramenta mudará o seu fluxo de trabalho de uma maneira significativa e que reduzirá os erros comuns nas filmagens.

Tudo funciona de uma maneira muito simples: Primeiro você adquire um colorchecker (cartela de verificação de cores) para ser utilizada nas cenas como se fosse uma “claquete de cores”. Então, todas as cenas terão a imagem do colorchecker como uma importante referência para ser lida pelo DaVinci. Não importa qual a marca e o modelo da sua câmera de vídeo, pois pode ser uma gravação em RAW, em S-Log3 ou em vídeo tradicional, desde que você grave o colorchecker antes de cada cena.

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Você irá perceber, que em cada fileira de cores e de luzes, estão justamente as referências para que o DaVinci possa afinar as cores primárias, secundárias, tons de pele e intensidade de branco, preto e cinza. É como se você pudesse dizer ao DaVinci, como cada cor é de acordo com as condições de luz da cena e dessa maneira, o programa irá afinar automaticamente as cores.

Na segunda aba do programa DaVinci você encontrará a interface Color Match e basta você posicionar o quadrado de referência do colorchecker na imagem e clicar em Match. Simples assim!! A sua imagem estará tecnicamente correta em termos de luz e de cor. Assim, podemos afirmar que o seu processo de correção primária de cores será feito de uma maneira automática e sem traumas.

Não é um processo revolucionário? Pense o quanto isso irá reduzir o tempo em processos de ajustes de imagens!!!

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Eu gostaria de compartilhar um pouco dos procedimentos, que eu faço em meu fluxo de trabalho, quando recebo as cenas com o uso do colorchecker e espero que isso possa contribuir com a melhoria das suas atividades.

Eu recebo materiais com os mais variados formatos e tamanhos, mas eu sempre exporto as cenas através de um CODEC Avid DNxHD ou DNxHR.  Você pode escolher o seu CODEC de preferência, como um Apple ProRes 422 HQ, caso use um Mac. Cada cartão de memória que eu recebo da gravação, se torna uma linha de tempo no DaVinci e assim eu posso aplicar o automatic color match em cada cena. As vezes é preciso fazer algumas correções adicionais nas exposições, mas como sempre mantenho os monitores de waveform e vectorscope abertos, isso acaba sendo operações muito rápidas.

Quando o material está em RAW ou S-Log3 não tenho nenhum tipo de dificuldade ou problema nesse processo. É muito similar a aplicação de um LUT (Look Up Table) Rec 709, mas a qualidade de ajuste fino das cores é muito superior. Quando o material está em H.264, vindo de uma DSLR (Digital Single Lens Reflex) a exposição nas áreas médias tem de ser ajustada melhor.

Através desse processo são criados os arquivos Online dos meus materiais, e assim eu reduzo consideravelmente o espaço utilizado no disco rígido. Claro que isto está dimensionado para um fluxo de trabalho de filmes para a televisão, mas preservando sempre os arquivos originais devidamente copiados e arquivados. É raro quando eu tenho de retornar a um arquivo original e assim, eu tenho dois tipos de arquivos Online, que em sua maioria são RAW e outro convertido para CODEC Avid.

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A tecnologia sempre evolui de uma maneira desordenada e nós ficamos em busca de melhorar as nossas habilidades e processos. Nessa matéria nós abordamos muitos conceitos usados no Cinema Digital e que de certa forma também estão evoluindo em entendimento. Nada é definitivo porque os trabalhos não obedecem a uma ordem normal. Deve sempre existir uma flexibilidade em nosso pensamento diante de novos clientes, formatos e demandas. Isso sim, deve ser o exercício diário de todos nós. Nem sempre o que funcionou no trabalho anterior, possa ser aplicado ao novo projeto.

E se existe um padrão a ser seguido, este deve ser o da dinâmica de aprendizado. Hoje eu vejo um enorme potencial no uso do DaVinci, desde os meus processos de Logger Avançado, até os meus processos de color grading. Estejam certos de que não é a ferramenta, que determina o profissional. Estamos todos em processo de aprendizado constante e espero também aprender com todos vocês.

Sobre Marcello Caldin:

– Editor e colorista de comerciais e filmes desde 1989.

  • Instrutor de Avid Media Composer e Symphony.
  • Instrutor de Blackmagic Design DaVinci.

– Consultor técnico para emissoras de televisão e produtoras. (Rede Globo)

  • Repórter Fotográfico. (Pastoral da Criança e Instituto GRPCOM)
  • Criador do Workshop “O Fluxo de trabalho – Uma reflexão sobre o uso inteligente da tecnologia”

Contato:
E-mail – marcellocaldin@marcellocaldin.com

Matérias antigas:

https://oeditor.com/category/marcello-caldin/

Já estou escrevendo a próxima matéria e desejo falar sobre uma parte do processo, que têm gerado muitos postos de trabalho, que é a função do Logger Avançado. Vocês poderão entender melhor, o que esta função gera em benefício de um fluxo de trabalho mais produtivo e que também hoje é ainda mal compreendida e desenvolvida. Aguardo vocês na próxima segunda-feira, para mais uma etapa na nossa jornada de descobrimento de novas possibilidades de trabalho. Até a próxima segunda-feira!!! E vamos em frente!!!

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