O Cinema Digital – Parte 03 | Marcello Caldin

25 jul

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Sejam todos bem-vindos à terceira parte desta nova série de matérias sobre o tema: Cinema Digital. A cada nova reportagem nós estamos descobrindo novas possibilidades de se trabalhar melhor e de maneira mais produtiva. A reflexão sempre é o nosso ponto de partida e dessa maneira, avançamos um pouco mais na nossa formação profissional. Eu sempre estou em busca de novas ferramentas, programas, técnicas e informações, que possam ampliar os meus métodos e procedimentos de trabalho.

Claro que estamos vivendo em um mundo de novidades diárias e muitas vezes, se torna inviável estar ciente de tudo o que acontece em nosso mercado. Há tanto a ser estudado e compreendido. Eu sempre reservo alguns instantes no meu dia para pesquisar e descobrir um pouco mais sobre os equipamentos eletrônicos. Acredito que a assimilação de conhecimentos nunca funciona de maneira intensiva e esta, deve ser sempre feita através de pequenas doses diárias. Vamos em frente!!!

site_rolo

Vocês já perceberam a quantidade de dados com que temos de trabalhar hoje? Claro que sim! São dados gerados pelas câmeras, pelas conversões, edições e exportações. Parece um buraco negro que consome os discos rígidos… não tem fim. E se você estiver em um ambiente de trabalho destinado ao Cinema Digital, esta realidade é ainda pior. Arquivos em RAW são ao mesmo tempo uma benção e uma maldição, pois oferecem uma qualidade de imagem sem precedentes, mas consomem espaço em disco de uma maneira voraz.

E como cada situação irá determinar um tipo de organização, uma nova profissão foi criada em nosso mercado: o Logger. Este novo profissional é responsável pela cópia dos dados gerados pelas câmeras e estão sempre ao lado das câmeras durante as gravações. Tudo tem de ser feito com precisão e agilidade. É comum o Logger trabalhar através de um MacBook Pro e de estar conectado com os leitores de cartão de memória específicos dos fabricantes.

Como ainda é uma função nova em nosso mercado, é comum que cada produtora desenvolva a sua própria tecnologia para o Logger. Como tudo depende de investimento, este processo está atrelado justamente ao orçamento de cada produtora. O que eu desejo mostrar para vocês é que encontramos boas opções para a função de Logger no mercado.

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É importante ressaltar que o desenvolvimento da função de Logger está ligado ao tipo de arquivo com que se trabalha. É comum encontrar boas opções gratuitas desenvolvidas pelos fabricantes de câmera, para justamente dar um melhor suporte para a sua tecnologia. Com a Sony essa realidade não é diferente, pois esta sempre ofereceu aos seus consumidores, programas de visualização e de transferência de dados criados pelas suas câmeras. Seguindo esta linha de raciocínio, a Sony oferece uma boa opção para suportar os diversos leitores de dados e de seus formatos proprietários: o Catalyst Browse (navegador).

Através deste programa você pode visualizar as cenas gravadas pelas câmeras Sony, conectando os leitores de dados diretamente ao seu computador. E ainda, pode copiar, exportar, colorir e marcar a entrada e saída das cenas, gerando clipes menores. Apesar deste programa ser nomeado como um navegador de mídia, este é algo muito mais complexo e avançado. As vezes compensa muito inverter certos procedimentos relacionados as cores, como gerar uma cópia da cena RAW ou S-Log já aplicando o LUT (Look Up Table) Rec 709 ou Rec 2020.

Em uma concepção ainda mais avançada de Logger, este profissional tem a capacidade e o conhecimento de colorista e pode já através deste programa realizar uma eficiente correção de cor. Por isso, na minha avaliação, encontramos dois tipos de Logger, um mais básico e destinado a realizar a transferência de dados entre os leitores de dados e o computador, e outro mais avançado e com conhecimentos plenos de color grading.

A questão do Logger é muito simples: Se você tem de copiar os dados para o seu computador, por que não já realizar esta tarefa aplicando LUT, colorindo e exportando para um formato mais produtivo? Sim, é uma visão mais ampla de fluxo de trabalho dentro do Cinema Digital.

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É claro que a interface que eu mais aprecio neste programa é a de correção de cores, pois além de possuir os instrumentos de medição de sinal como, waveform e vectorscope,  oferece toda uma aba para espaço de cor, curvas e correções de RGB em alta, média e baixa. E ainda, eu posso marcar uma entrada e saída no clipe, gerando e exportando uma mídia com duração diferente da cena original. Tudo isso irá agilizar os processos de edição e reduzirá os espaços utilizados em disco.

Um detalhe que eu acredito ser um pouco limitador no Catalyst Browse, é que estas correções e ajustes de cor não funcionam de maneira individual para cada cena, pois se você selecionar vários clipes de uma única vez e efetuar o processo de exporte, este ajuste será aplicado em todas as cenas selecionadas. Claro, é um programa gratuito e tem as suas limitações naturais, mas que ainda transformará o seu fluxo de trabalho. Você pode ler e exportar nativamente arquivos das câmeras Sony como: XDCAM, XAVC e HDCAM SR.

Quando se fala em se utilizar um Logger dentro da sua produção, estamos determinando que os processos serão mais organizados, seletivos e avançados. Por isso, se você tem uma câmera Sony, seria muito interessante você conhecer um pouco mais sobre o Catalyst Browse e dessa maneira, organizar melhor o seu fluxo de trabalho através das funções de Logger Avançado.

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No nosso mercado a maioria dos profissionais está utilizando o pacote de programas da Adobe Creative Cloud e dessa forma, têm acesso a toda a gama de seus produtos. A integração entre os programas é a marca registrada da Adobe e assim, esta busca desenvolver um fluxo de trabalho uniforme e produtivo.

É bem provável que vocês ainda não tenham ouvido falar do programa Adobe Prelude, que está destinado a copiar, editar e exportar as cenas originais das suas câmeras. Novamente, a integração entre os programas possibilita inclusive que você faça uma edição simples no Adobe Prelude e envie esta edição diretamente para ser aberta no Adobe Premiere. E ainda, você pode selecionar as cenas originais, marcar pontos de entrada e de saída nas cenas e exportar em um formato distinto através de uma lista de exportação dentro do Adobe Media Encoder.

Gosto muito dessa filosofia da Adobe em integrar programas, pois isso agrega valor aos seus produtos e facilita a vida dos profissionais.

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Uma das funções que eu mais aprecio no Adobe Prelude, é a verificação de dados quando você efetua uma cópia das cenas originais. Muitos profissionais não dão a devida importância a este fato, mas se estamos trabalhando com informação, nada mais coerente de que exista uma verificação disso. E ainda, depois desse processo, é gerado um relatório automático, que mostra se todos os dados foram copiados corretamente ou se encontramos erros provenientes disso. Você pode também ter os leitores de cartões conectados ao Adobe Prelude e o programa reconhece sem problemas essa ação.

Novamente, é um sistema de Logger, que serve para copiar, editar e exportar as cenas originais para o seu computador e demonstra ser bastante eficiente na integração com outros programas Adobe. Claro que sinto a falta de uma interface com correção de cor e por isso, poderia denominar o Adobe Prelude como um sistema de Logger básico. Se você trabalha com o pacote Adobe, acredito que você deveria experimentar esse programa e assim, descobrir de que maneira isso poderá auxiliar em seu fluxo de trabalho. Sempre enfatizo que o desenvolvimento de um fluxo de trabalho depende de muitos fatores e um deles, com toda a certeza, é a experimentação.

Observando os programas criados para a cópia de cenas originais, ainda percebo uma outra funcionalidade para eles, que é a organização das suas mídias dentro dos discos rígidos ou servidores. Imagine quando você tem em seu banco de dados diversos comerciais, institucionais, etc, que já foram editados, mas o seu cliente solicita apenas um trecho desse material… através do Adobe Prelude ou Sony Catalyst Browser você poderá acessar este material, marcar um ponto de entrada e de saída e então, gerar um novo arquivo. Ou então, fazer uma versão para a internet de um material já editado sem a necessidade de se abrir o Adobe Premiere e exportar através do Adobe Media Encoder.

Certa vez, trabalhando para uma produtora de comerciais, instalamos o Adobe Prelude e o Sony Catalyst Browser na central técnica de cópia e tudo funcionou muito bem, para esses casos de versões para internet ou clientes. Perceba que diante dos desafios diários, que cada um de nós encontra, sempre é necessária uma reflexão sobre o uso da tecnologia. Muitas vezes, a criatividade traz bons resultados.

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O mercado e seus fabricantes já perceberam, que existe uma grande demanda para a função de Logger e têm desenvolvido ferramentas muito avançadas para o Cinema Digital. A Codex lançou recentemente um dos programas mais completos para Logger, o Production Suite, que trabalha com os formatos mais pesados do mercado como: Arri, RED, Phantom, Sony, Panasonic, Canon e GoPro. Através desse programa de Logger instalado em um Mac Pro ou MacBook Pro, arquivos RAW não serão mais um problema e serão copiados, nomeados, coloridos e exportados de uma maneira rápida e segura. Você pode inclusive gerar LUT (Look Up Table) para ser aplicados nas cenas e ainda, contar com uma mesa de colorista Tangent Element ou Ripple.

Cada produção tem a sua escala de orçamento e uma tecnologia envolvida para a solução das demandas de tempo e eficiência. O conceito continua o mesmo, organizar e agilizar o fluxo de trabalho, independentemente se o seu arquivo é 8K RAW ou XAVC. Quando eu escrevo sobre esses conceitos, a minha intenção é a de ampliar o campo de visão dos profissionais, que as vezes desconhecem certas possibilidades de trabalho.

Com esforço e estudo podemos sempre melhorar e adequar esses conceitos dentro da nossa realidade. Eu particularmente venho desenvolvendo essa nova função de Logger Avançado nos últimos meses e a cada novo projeto, uma nova reflexão precisa ser feita. O trabalho do Logger Avançado é a de inclusive orientar o diretor de cena e de fotografia sobre o andamento das filmagens, apoiando e se antecipando aos procedimentos futuros. Muitas vezes durante as filmagens, eu tive de definir um novo CODEC de exportação de arquivos Offline e outras vezes, eu tive de sugerir a redução do tamanho dos arquivos RAW, por entender que não atingiríamos os prazos definidos.

Sobre Marcello Caldin:

– Editor e colorista de comerciais e filmes desde 1989.

  • Instrutor de Avid Media Composer e Symphony.
  • Instrutor de Blackmagic Design DaVinci.

– Consultor técnico para emissoras de televisão e produtoras. (Rede Globo)

  • Repórter Fotográfico. (Pastoral da Criança e Instituto GRPCOM)
  • Criador do Workshop “O Fluxo de trabalho – Uma reflexão sobre o uso inteligente da tecnologia”

Contato:
E-mail – marcellocaldin@marcellocaldin.com

Matérias antigas:

https://oeditor.com/category/marcello-caldin/

Perceba que as reflexões são constantes nas filmagens e o Logger Avançado é um grande parceiro nas soluções técnicas dentro de um fluxo de trabalho. Diante de todas as funções que o Logger Avançado desenvolve, existe um grande desenvolvimento feito sobre CODEC e formatos. Esta é a ferramenta determinante no sucesso ou fracasso dos projetos e esse será o meu próximo tema, nessa série de matérias sobre o Cinema Digital. Por isso, eu aguardo a todos vocês aqui no site na próxima segunda-feira. E vamos em frente!!!

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