SET EXPO 2016 | Cobertura

5 set

A tradicional e maior feira de equipamentos, SET Expo 2016, chegou em São Paulo na sua edição anual trazendo além das tão esperadas novidades tecnológicas, importantes reflexões sobre o mercado. Entre os dias 29 de agosto e 1 de setembro os profissionais de telecomunicação, radiodifusão e audiovisual estiveram juntos participando das conferências e exposições. Foram introduzidas e discutidas novas técnicas, regulações e equipamentos destinados à produção, criação e distribuição de conteúdos no setor audiovisual.

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A minha primeira impressão na feira foi a de que estávamos vivendo um momento anacrônico, diante das expectativas políticas vindas de Brasília. Enquanto de um lado eu observava todo um segmento em busca de novos horizontes produtivos, do outro lado havia apenas a notícia velha e desatualizada sobre o afastamento político da presidente Dilma Roussef. Era dia 1° de setembro quando a SET Expo encerrou as suas atividades, mas poderia perfeitamente dizer, que a sua data correta seria 1° de janeiro de 2016, quando enfim, o ano político vigente começava.

E tenho sim, muitas razões para celebrar a realização desta feira, pois tive a alegria de estar ao lado de grandes amigos e colegas profissionais, que estão desenvolvendo novas soluções comerciais e tecnológicas para o nosso mercado. Vamos em frente!!!

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A tecnologia não envolve apenas o lançamento de novos equipamentos como câmeras e programas de edição, envolve sobretudo o desenvolvimento de conceitos. Como avaliar certas tecnologias e suas corretas aplicações? Esse é sempre o grande desafio. A Sony acabou de fazer o lançamento mundial da sua nova câmera NXCAM, modelo HXR-NX5R e acreditem, não é apenas um novo equipamento, mas sim um novo conceito de trabalho na área de eventos ao vivo.

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Marcello Caldin – Colunista do site Oeditor.com

Hoje, através da HXR-NX5R, você tem a habilidade de publicar simultaneamente pela internet tudo o que estiver gravando, ou ainda, transmitir os arquivos originais gerados pela câmera, reduzindo significativamente o processo de edição em um ambiente jornalístico. Basta estabelecer conexão Wi-Fi com o seu celular ou tablet e você poderá além de monitorar as imagens, também controlar remotamente as funções básicas da câmera. Admirável mundo novo e seus conceitos revolucionários.

A conectividade Wi-Fi entre equipamentos eletrônicos e celulares não é uma novidade, e seria uma avaliação primária, se eu estivesse enaltecendo apenas esta função específica. A Sony sempre desenvolve novos conceitos e estes são elaborados de uma maneira estrutural e dentro de um objetivo claro.

A HXR-NX5R faz parte de um conceito maior, destinado às produções ao vivo com a utilização de múltiplas câmeras, mas que tenham também como demanda, uma publicação imediata e simultânea das imagens devidamente cortadas e mixadas ou para a transmissão dos arquivos originais.

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Dentro deste conceito de sistema de transmissão ao vivo e com a utilização de múltiplas câmeras, encontramos diversos acessórios, que serão fundamentais ao seu perfeito funcionamento, como o RM-30BP. Esta única unidade de controle remoto pode ser conectada a até três câmeras HXR-NX5R e controlar cada uma delas individualmente. Funções como zoom, foco, íris, ajuste de branco e obturador, são realizados de maneira simples e funcional. E ainda, seis botões personalizáveis de ajustes adicionais.

Um detalhe importante para quem trabalha com produções de eventos e edições com múltiplas fontes, esta unidade dispara simultaneamente as três HXR-NX5R, igualando assim os pontos de código de tempo em todas as câmeras.

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Completando este conceito encontramos a switcher MCX-500, que aceita até oito sinais de vídeo em alta definição, sendo quatro deles através de conexão SDI, dois HDMI, um BNC de vídeo padrão e um outro RGB. Transições entre as cenas, recorte de cor e adição de caracteres completam ainda mais este equipamento. E ainda, tudo o que você editar, poderá ser gravado internamente em um cartão de memória SD e também transmitido ao vivo pela internet.

Simples, compacta, leve e dimensionada para um novo patamar de produções ao vivo, a MCX-500 pode ser operada apenas por uma única pessoa. Sim, este é o conceito mais importante, que a Sony aplicou diante de uma compreensão profunda das mudanças do nosso mercado. E essa realidade, de se ter a possibilidade técnica de um único operador controlando diversos equipamentos, não é apenas regional, mas sim global.

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O entendimento de que existe um conceito definido pela Sony e que este foi dimensionado dentro de uma estrutura organizada de fluxo de trabalho, traz enfim respostas importantes para todos os profissionais, sejam eles distribuidores ou consumidores finais. Durante a feira eu pude verificar a existência de outros fabricantes, lançando também suas câmeras destinadas às produções ao vivo e para a publicação simultânea pela internet, mas ainda não desenvolveram uma sequência de equipamentos integrados como a Sony.

É nítida a visão televisiva dentro dos conceitos da Sony, aonde tudo está extremamente  organizado e planejado para funcionar à prova de falhas. E não podemos esquecer o jornalismo, porque quando se está em campo cobrindo uma matéria e esta necessita ser editada e publicada o mais rapidamente possível, a habilidade de se transmitir os arquivos originais através de Wi-Fi, é sem dúvida muito significativa.

Aqui no Brasil, o segmento que mais cresceu foi justamente o de eventos ao vivo e existe sim, uma correta sincronia entre as atenções dos fabricantes e os profissionais do audiovisual. Em minhas publicações futuras vou destinar matéria específica sobre a HXR-NX5R e desenvolver mais profundamente as suas características, mas para este momento, o meu maior objetivo é traduzir alguns conceitos desenvolvidos pela Sony, justamente por avaliar a sua relevância.

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A Panasonic traz ao Brasil uma nova câmera, modelo AG-AC030PB e que será com certeza um grande sucesso de vendas. Simples de explicar… Existe um equilíbrio entre as funções oferecidas e seu custo muito atrativo. A Panasonic foi muito criativa e cuidadosa em elaborar esta nova câmera e por isso, fica muito claro, que encontrará a sua justa demanda com os clientes brasileiros.

Quando eu pude manuseá-la durante a feira, senti-me confortável e até muito interessado em adquiri-la para os meus trabalhos sociais, porque percebi que tinha em mãos algo similar a uma câmera fotográfica, por causa do seu peso reduzido, mas com diversos benefícios tecnológicos inclusos, como a luz embutida em seu corpo e pelas entradas de áudio profissionais.

Vamos observar com mais calma os detalhes técnicos. A taxa de dados da gravação em formato MOV ou MP4 é de 50 Mbps, o que é uma excelente qualidade. Temos também o formato AVCHD, mas com uma taxa de dados de 25 Mbps.

O tamanho do sensor é de  1/3.1 de polegada e as imagens são estabilizadas através de cinco eixos. Duas entradas de áudio profissional e zoom óptico de 20 vezes e zoom inteligente de 40 vezes. Três anéis independentes para ajuste de zoom, foco e íris. Gravação em 120 quadros por segundo em alta definição. E ainda, dois monitores e com cinco anos de garantia!!! Acho que não preciso dizer mais nada, certo???

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Um dos estandes que eu mais gostei na feira foi o da Canon. Pude finalmente ter acesso a toda a linha de câmeras e de lentes!!! Adorei a experiência. Ficou muito claro para mim a textura diferenciada nas imagens, mesmo quando se monta as lentes Canon em câmeras de outros fabricantes.

E as surpresas foram ainda maiores, por causa do recente anúncio da nova EOS-C700. Claro que este novo lançamento não estava na feira, até por causa da data de anúncio, mas antes de falar sobre a IDX-Mark II, eu gostaria de compartilhar com vocês o vídeo da EOS-C700.

Sempre é bom saber sobre as novidades de câmeras destinadas ao cinema digital e claro, que como montador de filmes e colorista, eu vou adorar receber cenas gravadas com a nova EOS-C700. Mas eu sempre faço uma reflexão sobre este fato: E para os trabalhos diários, qual seria a escala adequada de câmera?

Se a EOS-C700 é uma câmera pontuada para comerciais nacionais e filmes cinematográficos, existe um ponto de equilíbrio dentro da tecnologia Canon? Sim!!! E a minha resposta é: IDX-Mark II!!!

Eu venho acompanhando desde o início a chegada da tecnologia DSLR e realmente este fato mudou o nosso mercado. Ganhamos lentes com textura e profundidade. Perdemos em quantidade na taxa de dados gerados. Explico isso melhor…

As câmeras  Canon EOS gravam no máximo uma imagem em alta definição, com uma taxa de dados de 90 Mbps (ALL-I) e com uma profundidade de cor de 8 bit e amostragem de cor 4:2:0. Pode parecer muito, mas esteja certo de que é justamente o contrário, se formos comparar com os arquivos gerados em fotografia. Traduzindo esses números para uma escala simples de entendimento, você terá apenas 0,468 MB em um quadro de vídeo.

Por isso, que a maioria dos diretores de fotografia utilizam gravadores externos às câmeras fotográficas, para justamente subir a taxa de dados. E assim, vai se adicionando acessórios, e mais acessórios e quando percebemos temos um amontoado de equipamentos, que se assemelham a uma árvore de natal.

Já com a IDX-Mark II além de se poder gravar as imagens em alta definição (ALL-I 90 Mbps), você pode gravar imagens em 4K DCI (4096 x 2160p) utilizando o CODEC MJPEG (500 Mbps em 24p) e com profundidade de cor de 8 bit e amostragem de cor 4:2:2. Traduzindo novamente em números, cada quadro de vídeo terá um tamanho de 2,604 MB!!!! E o melhor de tudo, sem a adição de um gravador externo.

A IDX-Mark II é uma câmera projetada para jornalismo e por isso é muito mais robusta e resistente do que uma 5D-Mark III. Grava as imagens 4K internamente com uma taxa bem alta de dados, e ainda, oferece opções de câmera lenta tanto em 4K (60p), como em HD (120p).

Se você me pedisse uma avaliação de compra, levando em conta as condições naturais do mercado brasileiro, a IDX-Mark II seria a minha melhor sugestão de câmera para o cinema digital e filmes publicitários, porque tem o equilíbrio entre textura de imagem e taxa de dados por segundo. E ainda, fará com que o meu fluxo de trabalho seja mais efetivo e econômico.

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Observando os estandes na feira, tive uma grata constatação: uma grande parcela dos distribuidores e revendas estão investindo no treinamento dos seus consumidores. Já na entrada do pavilhão, estava a AVID compartilhando o seu espaço com a ADOBE. Eu recebi treinamento de vários programas da Adobe, como correção de cor secundária no Lumetri e correção de falhas de áudio no Audition, além da organização de mídia com o Nexis Pro da AVID. A Blackmagic também investiu em treinamento de sua linha de câmeras, ATEM e programas como o DaVinci. A Newtek fez animadas demonstrações do seu Tricaster. A Proclass estava com uma sala de aula dedicada aos seus cursos.

Enfim, foi uma alegria perceber que a cada ano essa consciência de integração de venda e de treinamento, faz enfim, parte do mercado nacional. Particularmente eu acredito, que essas propostas educacionais têm de crescer ainda mais e gostaria de ver em breve, cursos oficiais e reconhecidos internacionalmente através de todos os fabricantes representados no Brasil.

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A cada nova matéria, eu busco sempre aprimorar as minhas habilidades e conteúdos produzidos, e por isso hoje eu gostaria de iniciar uma nova seção, a de entrevistas. Durante a cobertura da SET Expo 2016, pude conversar com grandes amigos e colegas profissionais, buscando colher o máximo de informações possíveis para vocês.

Além de focar nos lançamentos eletrônicos, acho também importante destacar o fator humano envolvido em um evento como esse. Afinal de contas, a tecnologia é incrível, mas de nada serve sem a interação humana.

O primeiro entrevistado desta coluna é Fernando Tasselli, gerente de marketing do Grupo Merlin.

Seja bem-vindo Fernando, como o senhor define o Grupo Merlin?

“O Grupo Merlin está com 32 anos de mercado e sempre teve a preocupação em atender os seus cliente de uma forma diferenciada, auxiliando na escolha dos equipamentos certos para a produção certa. Esta é a base que nos trouxe até aqui. Normalmente, quando o cliente entra em contato conosco buscando um determinado tipo de produto, nós sempre perguntamos: Qual é a finalidade deste produto? Em 80% dos casos, existe um produto diferente da escolha inicial e que se ajusta melhor as demandas do cliente. Então, nós percebemos outras necessidades e entre elas o curso, que já tem 5 anos de funcionamento e conta com mais de 50 cursos. Hoje o Grupo Merlin é composto por 6 segmentos distintos: Merlin Projetos, Merlin Mega Store, Merlin Locação, Merlin Cursos, Merlin Distribuidora e Merlin Criativa.”

Este ano de 2016 tem sido muito difícil para o mercado audiovisual. Como este novo modelo de negócio, criado pelo Grupo Merlin, auxiliou a superar esta crise?

“Se nós formos olhar para o cenário político do Brasil, a gente não trabalha. Então, nós estamos firmando alguns acordos com os principais fabricantes, como Sony e Panasonic, para que exista um subsídio no custo final dos equipamentos, e assim manter os valores competitivos. Essa é a nossa estratégia, o fabricante entende que para se vender no Brasil é preciso reduzir as margens de lucro e nós também temos de participar dessa redução. Este não é um ano de se ganhar dinheiro com vendas. Em contrapartida, a Merlin Locação e a Merlin Cursos ajudaram muito a manter a nossa estrutura funcionando. Se o cliente não tem condições de comprar um equipamento, então ele aluga. O importante é manter o mercado girando. Nós precisamos trazer o cliente junto, fazê-lo crescer junto, seja através dos cursos ou da locação  e no futuro através da compra. A Merlin hoje é a empresa que mais vende câmeras na América Latina!”

Será que em breve nos veremos filiais da Merlin Cursos pelo Brasil?

“Só neste mês, nós fizemos cursos aqui em São Paulo, Ribeirão Preto e Rio de Janeiro. Mas como isso funciona? Eram grupos de profissionais que tinham a demanda do curso e nós fomos lá e fizemos. Então, qual é a estratégia? Quando os clientes têm interesse em realizar um curso na sua cidade, a empresa ajuda a divulgar isso e a montar os grupos junto com os clientes. A força do cliente e da Merlin ajudaram a concretizar os cursos e dificilmente os custos mudam em relação ao que nós temos em Campinas, na sede do empresa. Tem alguns cursos, que nós damos preferência que sejam realizados na sede, como o Adobe After Effects, porque necessitam de uma estrutura de computadores, que seria complicado de transportar para outras cidades, inclusive por causa dos custos envolvidos. E nós também estamos transformando alguns cursos em formato online, como os de operação de câmeras da Panasonic. A metodologia do online é diferente, não é apenas gravar uma palestra e disponibilizar na internet. Tem de produzir, editar, mostrar os caminhos de uma maneira didática.”

Na sua opinião, quais os equipamentos que chamaram a atenção dos consumidores aqui na SET Expo 2016?

“A Sony fez o lançamento da HXR-NX5R e que tem múltiplas aplicações para o setor de eventos. Será com certeza um grande sucesso de vendas e nós, neste mês de setembro, teremos dois eventos em Campinas com esta câmera da Sony e também com a da Panasonic, AG-AC30PB. Estas duas câmeras serão o grande sucesso de vendas desse ano.”

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A tecnologia sempre é um desafio. Ainda mais quando está dentro de um mercado tão competitivo. Interessante observar durante a feira diversos distribuidores atuando de maneiras distintas e com estratégias muito diferentes. Apesar do evento ter coincidido com uma grande turbulência política, ficou claro que o mercado audiovisual está fazendo a sua parte para atender as demandas dos consumidores brasileiros e ainda, inovando e oferecendo novos serviços.

A questão de atrelar formação profissional às vendas de equipamentos eletrônicos está consolida e tende a crescer ainda mais. Não apenas diante do correto entendimento do mercado, mas sobretudo por se transformar em uma nova fonte de recursos para as empresas superarem as crises e assim, reformarem o seu modelo de negócio.

A minha alegria foi ainda maior em rever muitos amigos e colegas de profissão, que eu pessoalmente tive a oportunidade de acompanhar e compartilhar desafios. Agradeço a todos pela calorosa acolhida em São Paulo e desejo rever a todos no próximo ano. E vamos em frente!!!

Sobre Marcello Caldin:

  • Editor e Colorista de filmes e comerciais desde 1989.
  • Instrutor de AVID Media Composer e Symphony.
  • Instrutor de Blackmagic Design DaVinci Resolve.
  • Consultor Técnico para emissoras de televisão e produtoras (Rede Globo).
  • Repórter Fotográfico (Pastoral da Criança e Instituto GRPCOM).
  • Criador do Workshop: “O Fluxo de Trabalho – Uma reflexão sobre o uso inteligente da tecnologia.”

Contato: marcellocaldin@marcellocaldin.com

Matérias antigas:

https://oeditor.com/category/marcello-caldin/

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