Canon EOS C-700 | Review

3 out

Nada mais será como antes. O Cinema Digital acaba de receber a tão aguardada novidade: Canon EOS C-700 e acreditem, finalmente temos uma câmera modular e com uma textura de imagem, que vai te deixar simplesmente apaixonado!!!

Vamos em frente!!!

site_c700

Quando a Canon anunciou no último dia 1º de setembro a sua nova câmera EOS C-700, até parecia, que entre a emoção da novidade e a busca por informações, existia um certo alívio, porque era nítida a concretização de um projeto longo e constante desse fabricante tão querido por todos nós. Vamos retomar um pouco dessa história de sucesso.

Não posso deixar de mencionar, que com a adição dos modelos DSLR o nosso mercado mudou e muito, apesar de sempre me incomodar o fato da utilização de um compressor interno tão questionável tecnicamente. Seja ALL-I ou Interframe, essa tecnologia de compressão utilizada pela Canon, sempre demonstrou estar sendo aplicada no segmento de mercado errado. Era como se os profissionais estivem forçando essa tecnologia a atuar de uma maneira superdimensionada.

Eu sempre enfatizo a questão do desenvolvimento correto do Fluxo de Trabalho e quando se depara com a maciça adoção do H.264, como padrão de captação de imagens para os comerciais de televisão, muita coisa deu errada. Demorou para que os diretores de fotografia percebessem o equívoco e enfim, passassem a adotar os gravadores externos conectados à DSLR. Interessante observar, que inclusive essa consciência de elevar as taxas de dados, funcionou como uma preparação ao mercado para a chegada do UHD.

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O modelo EOS 1D-C foi o primeiro grande passo nessa evolução e adotava enfim, um compressor de gravação interno MJPEG e com taxas elevadas de dados. Era a barreira que se quebrava entre a alta definição e a ultra alta definição. O mercado enfim compreendia, que no universo 4K era fundamental uma taxa de dados consistente e adequada a todos os processos de pós-produção.

Logo em seguida vieram os modelos C-100, C300 e C500, cada um destes, solucionando e avançando tecnicamente, seja em ergonomia, seja em áudio ou até mesmo em novas opções de taxas de dados. A questão da gravação interna em RAW, parecia ser algo que a Canon não conseguia solucionar… até agora!!!!

A Canon EOS C-700, chega madura e trazendo consigo todas as etapas desse longo processo evolutivo. Tudo está pronto e funcionando da maneira que deveria ser. Hoje, a tão delicada textura das imagens, marca registrada do fabricante, está oferecida da maneira mais correta possível e acessível em sua escala modular.

Primeiro, importante fazer uma distinção… A Canon oferece duas opções de sensores Super-35mm e que definem a tecnologia aplicada à imagem:

  • Sensor CMOS com tecnologia de foco automático. (Rolling Shutter)
  • Sensor CMOS Padrão sem tecnologia de foco automático. (Global Shutter)

O que isso quer dizer na prática? Escolhendo o sensor CMOS com tecnologia de foco automático (Dual Pixel), você terá problemas de Rolling Shutter nas imagens e uma faixa dinâmica de 15 escalas. Já com a escolha do sensor CMOS padrão, você terá o benefício do Global Shutter, mas uma faixa dinâmica de 14 escalas. Ambos os sensores oferecem uma gravação de imagem até 4K e podem ser montados com lentes EF, PL e B4. Está programada para março de 2017 uma atualização, que permitirá a gravação em 4,5K.

Segundo, você pode gravar internamente as imagens dispondo de dois compartimentos tipo Compact Flash 2.0 e um SD Memory Card. E ainda, dois compressores distintos: ProRes + XF-AVC. Você terá uma variedade enorme de taxas de quadros por segundo e também, diversas taxas de dados, profundidade e amostragem de cor.

  • Compact Flash 2.0
  • 4K 30P –    ProRes  – 422 HQ (10 bit).
  • 2K 60P –    ProRes – 422 HQ (10 bit).
  • 2K 60P –    ProRes – 4444 (12 bit).
  • HD 60P –   ProRes – 422 HQ (10 bit).
  • HD 60P –   ProRes – 4444 (12 bit).
  • HD 180P – ProRes – 422 HQ (10 bit).
  • Compact Flash 2.0
  • 4K 60P –    XF-AVC – 422 Intra (10 bit).
  • 2K 120P –  XF-AVC – 422 Intra (10 bit).
  • 2K 60P –    XF-AVC – 422 LGOP (10 bit).
  • 2K 60P –    XF-AVC – 444 Intra (12 bit).
  • 2K 60P –    XF-AVC – 444 Intra (10 bit).
  • HD 120P – XF-AVC – 422 Intra (10 bit).
  • HD 60P –   XF-AVC – 422 LGOP (10 bit).
  • HD 60P –   XF-AVC – 444 Intra (12 bits).
  • HD 60P –   XF-AVC – 444 Intra (10 bits).
  • HD 240P – XF-AVC -422 Intra (10 bit).
  • HD 60i –    XF-AVC – 422 LGOP (10 bit).
  • SD Memory Card
  • 2K 60P – XF-AVC (Proxy) – 420 LGOP (8 bit).
  • HD 60P – XF-AVC (Proxy) – 420 LGOP (8 bit).

Terceiro, você pode gravar externamente as imagens dispondo do acessório modular Codex CDX-36150 em formato RAW, conectado na EOS C-700.

  • Codex CDX-36150
  • 4K 120P –  RAW – RGB (12 bit ou 10 bit).
  • 2K 240P – RAW – RGB (12 bit ou 10 bit).

site_raw

Interessante observar que existe uma lógica muito bem desenvolvida no conceito modular da EOS C-700, e este conceito, também se aplica às taxas de dados disponíveis e de seus formatos e compressores. Seria justo afirmar, que estamos diante de quatro módulos de taxas de dados e cada um deles representa um segmento do nosso mercado.

1º Módulo de Taxa de Dados – RAW

A adição do gravador modular Codex CDX-36150 seria a sua melhor e mais pesada forma de registrar as suas cenas e está destinado ao segmento de Cinema Digital. O formato RAW em até 12 bit, garante a sua qualidade máxima em todos os processos de pós-produção e de entrega para as grandes telas de exibição. Apesar das informações técnicas descreverem este arquivo RAW como sendo sem compressão, ainda não encontrei uma informação precisa sobre a sua taxa de dados.

É importante  destacar, que esta câmera trabalha através de diversos e distintos espaços de cores como: DCI-P3, Cinema Gamut, BT 2020 e BT 709. Traduzindo… Cada espaço de cor é específico para um veículo de exibição, tanto para o cinema, quanto para a televisão em HD ou UHD.

2º Módulo de Taxa de Dados – ProRes

O ProRes já é uma escolha de compressor mais econômica em termos da taxas de dados aplicadas às cenas, em relação aos enormes arquivos RAW e também, por já dispor da aplicação de espaços de cores destinados à televisão HD ou UHD. Grandes documentários e séries de televisão encontram no ProRes uma solução mais adequada de seu fluxo de trabalho, mas não abandonam em nenhum instante, a qualidade máxima na transmissão televisiva. Poderia afirmar, que este compressor seria em última análise, a melhor opção de masterização destinada à televisão.

3º Módulo de Taxa de Dados – XF-AVC

Ainda falando sobre o segmento da televisão, o compressor XF-AVC representa uma grande economia em relação ao ProRes, mas ainda oferece uma grande variedade nas taxas de dados, inclusive por diferentes métodos de compressão, como o Intraframe e o Interframe (LongGop), mais utilizados para as transmissões televisivas. Quando se comprime as imagens através de grupos de imagens (LongGop), existe uma grande redução nas taxas de dados e consequentemente, no espaço utilizado nos servidores e discos rígidos.

Apenas como um ponto de reflexão, as taxas de dados no XF-AVC podem variar entre 810 Mbps a até 24 Mbps e assim, este compressor não pode e não deve ser descartado como uma maneira muito eficiente de se desenvolver o fluxo de trabalho.

4º Módulo de Taxa de Dados – XF-AVC Proxy

Como é bom e produtivo dispor de um compressor destinado à geração de arquivos Proxy (Off-line) já dentro da EOS C-700, pois isso irá reduzir processos posteriores. E ainda,  isto é feito a partir de uma unidade de gravação de cartão de memória SD, não prejudicando a gravação simultânea em outra unidade de gravação do Compact Flash 2.0. Ao mesmo tempo, que faço a geração dos meus arquivos ProRes (On-Line), os arquivos XF-AVC Proxy (Off-line) também são gerados.

Um detalhe importante, como a câmera possui três unidades de gravação interna de mídia, duas unidades Compact Flash e uma SD, muita coisa pode ser feita ao mesmo tempo, por exemplo: em uma unidade Compact Flash 2.0 gravo em ProRes e na outra unidade Compact Flash 2.0, gravo em XF-AVC. E ainda, em SD gravo o XF-AVC Proxy. Não importa qual seja o seu compressor para On-line, mas o fato de se gravar ao mesmo tempo um arquivo Off-line, demonstra o pensamento modular da Canon.

Claro que eu não poderia deixar de mencionar um fato curioso e engraçado… No início desse trajetória de sucesso da Canon e da tecnologia DSLR, o que era utilizado como compressor interno de gravação nas câmeras, era justamente o H.264, com amostragem de cor 4:2:0 e agora, na EOS C-700, isto é utilizado como padrão de geração de arquivos Proxy. Parece que agora as coisas estão encontrando o seu devido lugar e aplicação. Qualquer compressor que tenha uma amostragem de cor 4:2:0, não pode e não deve ser considerado um arquivo On-line e sim, apenas uma referência para edição Off-line.

Como é bom observar o desenvolvimento das diversas tecnologias envolvidas na EOS C-700 e sobretudo, pela crescimento constante da Canon no Cinema Digital. Espero receber em breve cenas gravadas por esta câmera e ter enfim, a alegria de colorir novos filmes com essa textura maravilhosa. E enquanto isso ainda não acontece, vou compartilhar com todos vocês um comercial, que foi publicado no último dia 7 de setembro, pela Aston Martin, rodado pela EOS C-700. E vamos em frente!!!

Sobre Marcello Caldin:

  • Editor e Colorista de filmes e comerciais desde 1989.
  • Instrutor de AVID Media Composer e Symphony.
  • Instrutor de Blackmagic Design DaVinci Resolve.
  • Consultor Técnico para emissoras de televisão e produtoras (Rede Globo).
  • Repórter Fotográfico (Pastoral da Criança e Instituto GRPCOM).
  • Criador do Workshop: “O Fluxo de Trabalho.”

 

Saiba mais sobre o Workshop O Fluxo de Trabalho. Clique aqui

Matérias antigas: Clique aqui

Contato: marcellocaldin@marcellocaldin.com

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