O amor do cineasta Tyler M. Manzo pela exploração urbana serviu de inspiração para série “Our Happy Apocalypse”

19 set

“Eu cresci explorando áreas urbanas, descobrindo estruturas velhas e decaídas na área da baía de São Francisco. Tenho paixão por fábricas antigas e prédios com uma aparência apocalíptica. Combinando isso com o meu amor por ficção científica e filmes clássicos de faroeste, misturei o máximo de gêneros possível e criei o universo de ‘Our Happy Apocalypse’. A grande vantagem é que eu conhecia várias locações apocalípticas. As locações me deram uma enorme vantagem sobre outras webséries porque elas eram tão épicas e enormes”.“Um dia eu estava explorando um prédio antigo com um amigo e começamos a pensar em como seria viver em uma sociedade apocalíptica onde todo mundo é obcecado em encontrar algum tipo de tesouro. Tipo a situação do ‘Deu a Louca no Mundo’, mas no apocalipse. Aí eu comecei a desenvolver personagens a partir daquela estrutura, e as ideias começaram a surgir. Filmamos algumas imagens de teste com uma filmadora e eu fui a estrela do vídeo, que você pode assistir no meu canal do Vimeo se quiser se divertir. E então a ideia começou assim. Meu amigo e corroteirista Anthony Chang me ajudou a desenvolver a história. Começamos a ter tantas ideias para o rumo da história que sabíamos que teria que ser uma série ao invés de um filme”.

“Foi complicado. Filmar nessas locações remotas trouxe muitos desafios. Praticamente todas as locações que utilizamos não tinham eletricidade, então tivemos que fazer a iluminação com luzes LED portáteis e rebatedores. Além disso, prédios antigos podem ser perigosos, com pisos instáveis e perigos por todo lado. Usei os meus conhecimentos de exploração urbana para me orientar, mas foi difícil. Nós também tínhamos um Dodge Dart 1965, que era o carro usado pelo protagonista. Colocar o carro em algumas dessas locações foi bem louco. Até encontramos um grupo de praticantes de motocross quando filmamos em uma dessas locações. Enfim, esse tipo de coisa. Sem dúvida foi bem mais complicado do que uma websérie normal. O meu cinegrafista, Ferguson Sauvé-Rogan, trabalhou duro para conseguir as cenas que nós queríamos, então eu pude me concentrar na direção. E minha esposa, que na época era minha noiva, me ajudou a manter a sanidade mental durante o processo”.

“Uma das maiores influências foram ‘O Samurai do Rock’n’Roll’, ‘O Bom o Mal e o Feio’, a franquia ‘The Fallout’, os filmes do ‘Mad Max’, além de ‘Deu a Louca no Mundo’ (adoro uma boa caça ao tesouro). ‘Os Irmãos Cara de Pau’ também. Tive muitas influências que vieram de gêneros completamente diferentes”.“Usamos várias vezes um dolly bem rudimentar que o Ferguson fez com um cano de PVC. Era superleve e fácil de transportar. Ele usou em dezenas de outros filmes que fizemos no passado. Como não era um equipamento supercaro, nós podíamos simplesmente jogá-lo em uma estrada velha de cascalho sem muitas preocupações. Foi muito útil. Também usamos muito a Steadicam (operada pelo Steven Ng) que quase não conseguiu segurar a Blackmagic Cinema Camera. Felizmente, com a operação profissional nós conseguimos fazer tudo do jeito que queríamos”.

“Filmamos o projeto inteiro com uma Blackmagic Cinema Camera (modelo 2.5K). Para mim era muito importante ter pelo menos 13 stops de faixa dinâmica. Como não tínhamos muita luz disponível, ter toda essa latitude na pós era fundamental. Além disso, os arquivos ProRes sem correção oferecem muita liberdade de correção de cores na pós, o que foi fundamental para executar a gradação pesada que eu queria. Usamos lentes Voigtländer 17mm F 0.9, que deram um destaque perfeito em boa parte do programa. Ajudou muito nas situações de baixa iluminação, e não tinha muita nitidez, o que deu aquele look cinematográfico. O meu operador de som, Winson Tam, trouxe microfones de lapela Zaxcom e um gravador Nomad, que ajudaram a diminuir o barulho do vento, captando diálogos limpos. Usamos Adobe Premiere para edição e pós”.“Eu mesmo fiz a edição e a correção de cores. Gostei muito de fazer a gradação de cores com laranja/amarelo extremo. Eu pratiquei em fotos por um tempo, tentando obter o look que eu tinha em mente para o programa. Até que finalmente ficou perfeito. Foi um ótimo aprendizado. Muita gente me pergunta como eu fiz os visuais da abertura do programa. Eu estava muito inspirado pela abertura de programas tipo ‘True Detective’ e ‘True Blood’. Acho legal porque essas aberturas são abstratas e os visuais preparam o público para o que vai acontecer. Então eu mesmo fiz toda abertura no Premiere, com vários efeitos de camadas transparentes, além de muitos efeitos de poeira e filtros de partícula rastreados manualmente. No geral, a edição ficou muito boa, mas é da abertura que eu mais tenho orgulho. É claro que o episódio também tem armas de raio laser, que achei necessárias para fazer o link com uma coisa meio ficção científica dos anos 50. O responsável por esses efeitos foi o meu amigo Oli Phipps, utilizando After Effects”.

“Como em qualquer projeto onde o orçamento é limitado, é sempre uma relação de amor e ódio. Eu amo o conceito do programa que criei. Eu já tinha os personagens na cabeça há anos, então foi um sentimento incrível trazê-los à vida na tela. Mas houve momentos frustrantes, é claro. A pós-produção levou mais tempo do que o esperado devido às limitações do orçamento, mas no fim das contas isso ajudou no processo de aprendizado. Estou muito ansioso para fazer mais episódios em breve”.

Diretora: Tyler M. Manzo

Diretora de Fotografia: Ferguson Sauvé-Rogan

Produtor: Kurtis Lee Hermes (Occular Creations LLC)

Produtor: Steven Ng (Room 121 Prod.)

San Francisco, United States

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