O cinegrafista, colorista e produtor Jamie Trent fala sobre sua trajetória desde Sydney, na Austrália, até Hollywood.

30 set

Jamie Trent, baseado em Los Angeles, é cinegrafista, colorista e produtor. Conhecido na indústria cinematográfica como JT, ele fala sobre a sua jornada desde Sydney, na Austrália, até Hollywood. Depois de ouvir que “seria impossível ser bem-sucedido nas três profissões ao mesmo tempo”, JT encarou isso como uma oportunidade e hoje é um diretor de fotografia membro do sindicato IATSE Local 600. Ele também é membro da Sociedade Australiana de Cinegrafistas (ACS), da Liga de Produtores dos Estados Unidos da América (PGA) e é colorista credenciado pela IATSE Local 700. JT fala sobre sua perseverança e sua ética profissional inabalável, que lhe deram força para enfrentar o status quo. “Nada é mais importante do que acreditar em si mesmo e seguir sua paixão.” “Meus pais se separaram quando eu ainda era bem jovem, e só conheci o meu pai biológico quando tinha 15 anos. Até aquele momento, eu ficava de lá para cá constantemente. Basicamente, minha vida consistia em me reerguer depois da queda, mas eu sabia que isso me fortaleceria, então eu não mudaria nada do meu passado. Por sorte, fui morar com o meu pai no mesmo dia em que o conheci. Embora ele fosse um estranho, minha vida mudou para sempre. Passei a ter uma inspiração. Ele foi a primeira pessoa a dizer que eu poderia alcançar qualquer coisa na vida se eu trabalhasse duro consistentemente enquanto o resto do mundo dormia”.

“Minhas primeiras memórias, as que valem a pena lembrar, são de quando eu era aprendiz de carpinteiro, aos dezesseis anos, em Sydney, na Austrália. Eu lembro de ter sido chamado por um olheiro para fazer um teste para o meu primeiro comercial de televisão. Passei no primeiro teste e consegui um comercial de macarrão, o que não é exatamente uma coisa pela qual eu gostaria de ser lembrado. Se eu não tivesse ido parar nos comerciais de TV, talvez ainda estivesse trabalhando na área de construção. Logo descobri que passar em testes de comerciais era a única coisa positiva que fazia com que eu me sentisse bem.”

“Fazer comerciais naquela idade te apresenta a um universo totalmente novo. Logo você aprende a criar uma identidade única, para se destacar dos outros. Para conseguir trabalhos, você precisa ser diferente dos outros 25 caras que vieram fazer o mesmo teste. Isso é algo que carrego comigo desde então e vem dando certo.”

“De uma hora para outra, comecei a ganhar uma boa grana com comerciais internacionais e com a minha paixão por fotografia em preto e branco. Finalmente pude comprar minha primeira câmera. Considerando a loucura que a minha infância foi, as fotografias em preto e branco eram uma maneira de escapar da realidade e encontrar o meu próprio senso de criatividade. Eu aprenderia que a prática leva à perfeição. Pouca gente aceitava a ideia de que era possível ganhar a vida como ator ou fotógrafo. Eu queria provar que eles estavam enganados. Eu acreditava que eu podia fazer qualquer coisa se tivesse determinação.”

“O engraçado é que, não importa o que eu fazia, estranhamente eu sempre acabava voltando para o cinema. Por exemplo, trabalhei como detetive particular quando tinha uns 20 anos. Eu adorava usar câmeras 35mm e gravar vídeo. Desde os 15 anos que eu tenho uma câmera na mão. Quando eu tinha 23 anos, meu pai morreu de câncer no pulmão, então fiz as malas e fui para os Estados Unidos.”

“Anos depois, eu estava ganhando uma boa grana trabalhando como corretor de imóveis em Los Angeles. O problema é que eu nunca gostei. Toda hora eu encontrava gente da indústria cinematográfica e eles me perguntavam por que eu não estava fazendo filmes. Minha namorada daquela época me falou francamente que eu não tinha feito faculdade de cinema, não tinha formação, experiência ou contatos na indústria. Ela disse que levaria 20 anos de experiência chegar a diretor de fotografia e que eu podia esquecer essa ideia.”“Naquela época, em 2012, ela trabalhava em uma casa de pós-produção e conhecia diretores, coloristas e cinegrafistas famosos, mas se recusava a me ajudar. Ela me levou em uma sessão de coloração, e lá eu perguntei como poderia aprender a fazer gradação de cores. Eles riram e disseram que, com sorte, eu seria assistente de colorista depois de 10 anos. Parecia existir uma hierarquia incrível envolvida naquele processo todo. Acabei comprando o software DaVinci Resolve e comecei a aprender a fazer gradação de cores como autodidata.”

“Comecei a fazer contatos e conheci um DP que me contratou para trabalhar com ele algumas vezes. Ele tinha uma câmera RED One MX e me deixou operá-la. Na mesma hora ele gostou do meu enquadramento e da minha composição. Ele me apresentou a um diretor que estava pensando em me colocar no seu próximo longa-metragem. Naquele mesmo dia, vi o DP tentando tirar um parafuso roscado da câmera com a ajuda de uma parafusadeira. Segundos depois, a parafusadeira furou o sensor da câmera. Esse não foi um bom início para o filme e nem para o meu sonho de virar cineasta.”

“Depois de conversar com o DP, resolvi investir em uma câmera RED. Eu não entendia nada de câmeras, a não ser o que tinha aprendido com um DP e quando fotografava em preto e branco quando era garoto. Quando o diretor descobriu que a câmera RED tinha sido destruída, por sorte eu tinha uma exatamente igual. Consegui fazer um acordo para me tornar o operador de câmera A e consegui o meu primeiro emprego remunerado nesse filme.”

“Alguns meses depois, chegou a hora de fazer a gradação de cores do longa, mas não havia dinheiro disponível no orçamento. Era uma oportunidade para mim. Então aproveitei a chance e perguntei ao diretor se eu poderia fazer a gradação de cores. Ele disse: ‘mas você não é colorista!’. Mas, no fim das contas, ele concordou em me deixar fazer o trailer para ver como ficaria.”

“Eu saí e comprei um sistema para o operar o DaVinci Resolve com duas placas proprietárias RED Rocket e múltiplas placas gráficas. Nessas alturas, minha namorada estava pensando que eu tinha ficado completamente maluco. Eu saí do emprego de corretor imobiliário e gastei um dinheiro enorme em uma câmera RED, e mais dinheiro ainda na suíte de gradação de cores. Uma coisa que aprendi na vida é que, se você quiser ser bem sucedido em alguma coisa, você tem que se garantir 100% e não existe plano B.”

“Felizmente, o Patrick Inhofer, da ‘Tao of Color’, se interessou em me ensinar o básico de gradação de cores. Fiquei muito grato que ele tenha enxergado potencial em mim. Então me inscrevi em várias comunidades de coloristas, porém todos eles me conheciam como cinegrafista e não me levaram a sério. Quando ficaram sabendo que eu queria fazer a gradação de um longa-metragem por conta própria, fui jogado para escanteio. Inclusive perguntaram como eu faria uma tarefa impossível como essa, considerando a minha experiência limitada, e disseram que eu era louco.”

“Acho que essas experiências me tornaram uma pessoa mais determinada. Fiquei obcecado em ler, estudar, fazer gradação de cores e filmar tudo que encontrava. A Moviola estava fazendo entrevistas para encontrar um cinegrafista que pudesse dar aulas para uma turma de cinema. Juntei todas as minhas anotações em um plano de estudo de 65 páginas. Isso me ajudou a conseguir o trabalho de instrutor no curso introdutório de câmeras.”

“Depois, por sorte, conheci o presidente da sociedade de operadores de câmera (SOC) durante um evento, e perguntei como poderia me tornar um sócio efetivo. Ele olhou os filmes nos quais eu tinha trabalhado recentemente, o meu cargo de instrutor do curso de câmeras da Moviola e pediu que eu enviasse uma solicitação para virar sócio da SOC, e fui aceito. Agora eu podia mergulhar de cabeça, trabalhando como operador de câmera certificado pela SOC.”

“Eu tinha virado membro do Local 600 em 2014, mas precisava urgentemente documentar e enviar os comprovantes de 100 dias de trabalho remunerado em longas-metragens como cinegrafista para ser conseguir entrar na lista oficial do sindicato. Eu já estava preparado para um processo de 6 semanas, mas para minha surpresa total fui aprovado quase que na mesma hora. Entrei na lista do IATSE Local 600 como cinegrafista. O John Aronson ASC havia oferecido o que seria o meu primeiro emprego como operador de câmera sindicalizado, mas eles se mudaram para a cidade de Nova Iorque. Naquele momento eu me dei conta da dura realidade. Eu não conhecia ninguém, não tinha contatos e era somente um peixe pequeno em uma lagoa enorme. Pelo menos eu já tinha colocado o pé na porta e estava disposto a começar por baixo novamente. Percebi que, quanto mais eu me esforçava, mais sorte eu tinha.”

“No meio disso tudo, em 2016, recebi um e-mail encaminhado pelo Local 600, enviado pela escola de cineastas Inner City, que buscava um cinegrafista que pudesse dar aulas para uma turma de cinema formada por alunos de comunidades menos favorecidas. Eu me candidatei junto com dezenas de cinegrafistas Local 600. O instrutor do ano anterior tinha sido o cinegrafista Russell Carpenter ASC. Ele era o DP em um filme de baixo investimento sobre um barco. Você já deve ter ouvido falar nesse filme, chamado “Titanic”. Eu achava que as chances eram mínimas, porém, para a minha surpresa, fui chamado para uma entrevista, e na terceira vez que me telefonaram, me ofereceram a vaga.”

“Ensinar os jovens é uma experiência muito gratificante. No ano seguinte, eu esperava que a vaga de instrutor seria anunciada via e-mail para os cinegrafistas Local 600 novamente. No entanto, me ligaram para perguntar se eu gostaria de dar aula por mais um ano. Eu sugeri que eles criassem um programa escolar em torno da gradação de cores, além da cinematografia. Isso era exatamente o que eu queria fazer. A oportunidade de compartilhar tudo que venho aprendendo nessa jornada faz tudo valer a pena.”

“Um dos meus objetivos era entrar para a Liga de Produtores dos Estados Unidos da América (PGA). Como autodidata, aprendi sozinho a fazer a produção em vários filmes. Um dos requisitos para enviar a solicitação é ter trabalhado em filmes com acordo de distribuição e exibição nos cinemas. No início de 2016, fui aceito como associado pleno da PGA.”

“Minha história mostra que, se você focar em alguma coisa e trabalhar duro consistentemente, tudo é possível. Uma vez que decidi aonde eu queria chegar na indústria cinematográfica, não teve mais volta. O objetivo era virar cinegrafista e colorista com conhecimentos de produção, e nunca houve plano B.”

“Recentemente, em agosto de 2017, fui contratado pelo reality show “Big Brother”, nos estúdios do canal CBS, para fazer um trailer conceitual com os participantes do programa no estilo de uma história em quadrinhos. Fui contratado como diretor e também me encarreguei da direção de fotografia, que envolvia mais de 120 pessoas, incluindo equipe, funcionários, atores e figurantes. Foi um projeto bastante ambicioso que diziam que não era possível. Entrei como produtor, contratei e supervisionei a produção inteira. Uma vez que a edição foi concluída, fiz todo o trabalho de coloração DI antes de supervisionar os efeitos visuais e entregar o produto final em menos de 7 dias. Foi além das expectativas e um prazer enorme trabalhar ao lado de uma equipe incrível.”

“Agora sou credenciado e estou tentando entrar na lista oficial de coloristas do IATSE Local 700. Tem sido uma jornada interessante e acho que estou apenas começando. Mal passo esperar pela próxima aventura. Demorei a encontrar a minha carreira dos sonhos, mas nunca é tarde demais para brilhar e ser tudo que você quiser.”

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