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Cristian Dimitrius e AMIRA na água | ARRI

2 set

Cristian Dimitrius é um vencedor do Prêmio Emmy como diretor de fotografia da vida selvagem, do quais incluem trabalhos para a BBC, National Geographic, Discovery Channel, TV Globo, History Channel e Animal Planet. Os projetos de Dimitrius o levou em locações remotas por toda a parte do mundo para filmar espécies ameaçadas da terra ou da água. Seu objetivo é expor ao público a beleza da natureza e inspirar o respeito e a conservação dos recursos da terra. Recentemente, ele filmou com AMIRA o SIRENS OF THE CRYSTAL RIVER; Dimitrius levou a ARRI AMIRA para debaixo d’água para filmar os peixes-boi selvagens na Flórida. Ele falou conosco sobre como é trabalhar com a câmera projetada para trabalhos ágeis e rápidos.Captura de Tela 2015-08-13 às 11.01.06 Por favor, descreva o filme e o que você pretendia capturar.
Para este trabalho eu precisava imagens do comportamento do peixe-boi nas águas do Crystal River, na Flórida. Anualmente, peixes-boi se agrupam durante o inverno e isso traz grandes oportunidades para fotografar esses animais carismáticos. Minha ideia era capturar o comportamento natural, algumas interações com a mãe e o filhote, o nado, imagens gerais e algumas surpresas, que geralmente acontecem quando fazemos filmagens da vida selvagem.

Como você descreveria o look que você estava buscando?
O mais natural possível, mas muito cinematográfico. Meu objetivo é combinar sempre imagens da vida selvagem e uma imagem cinematográfica, para provocar uma resposta emocional do público. No entanto, profundidade de campo não era a melhor opção para este filme, pois nós precisamos garantir foco em todo o animal, foi um pouco maior do habitual, mas ainda menor para os padrões subaquáticos regulares.Captura de Tela 2015-08-13 às 11.01.11Porque decidiu filmar com a AMIRA?
Nos últimos anos tive a oportunidade de trabalhar em uma grande produção da história natural no Brasil e a câmera principal foi a ARRI ALEXA. Eu me apaixonei por ela e no seu sensor, agora queria expandir a experiência que tive em terra para algumas filmagens subaquáticas, mantendo a mesma qualidade e look. Assim, para isso, não há nada melhor do que a irmãzinha da ALEXA, a AMIRA. Além disso, acredito que AMIRA foi a escolha certa, não apenas pela qualidade, mas pela eletrônica selada que poderiam trazer uma proteção extra contra umidade e eventuais respingos, que são comuns quando você está trabalhando em barcos e para o eficiente sistema de refrigeração, que é sempre muito bem-vindo no interior de uma caixa estanque. Tamanho e peso também foram considerados, então, eu acredito que esta foi a escolha certa.

Que tipo de caixa-estanque você está usando? Lentes? Workflow?
Eu usei a Hydroflex MK5 da ARRI Rental e uma lente Prime 20mm. Debaixo d’água, sempre usamos lentes abertas para minimizar a distância entre o sensor e o objeto. Isto é a perfeita escolha para diferentes tipos de filmagens (aberta, média e fechada), sem qualquer distorção. O workflow não foi fácil, pois tive que analisar as condições e ajustar a câmera antes de submergi-la. Para isso, tive um grande suporte da Debora e do Robert da equipe da ARRI de Fort Lauderdale. Uma vez que a câmera estava pronta, eu filmava até o cartão acabar. Por sorte, encontramos uma grande área onde alguns peixes-boi estavam somente para nós, portanto tive bastante tempo de conseguir as cenas que precisava.

O que você acha do tamanho e ergonomia da AMIRA?
Acredito que o tamanho, ergonomia e peso são ótimos para um único operador ou uma equipe pequena. Na terra, gosto de usar em ângulos baixos, fora do tripé, no ombro, e em um tripé se necessário. Debaixo d’água, dentro de uma caixa-estanque, pude manuseá-la facilmente por mim mesmo e tive a ajuda de outra pessoa apenas para colocá-la na água e trazê-la de volta ao barco. Esta é uma ótima câmera para produções da vida selvagem, pois nestes ambientes, precisamos trabalhar com uma equipe reduzida. A AMIRA se encaixa perfeitamente nesse mundo.Captura de Tela 2015-08-13 às 11.01.19Como as imagens saíram?
As imagens estavam maravilhosas considerando o pouco tempo que eu gastava dentro d’água. Tivemos mãe incrível e sua interação com seu filhote, bocejando, um agradável movimento do nado, cochilos engraçados e muitos peixes ao redor do peixe-boi. A visibilidade não era das melhores, mas conseguimos look natural do rio, que às vezes funciona muito bem em algumas produções. Como esperado, a textura, a cor e os detalhes eram ótimos e respeitadas as normas exigidas para um documentário high-end da vida selvagem. Isso é extremamente importante porque, como eu disse antes, as pessoas reagem a isso, mesmo sem perceber. Um look de vídeo não provoca a mesma ligação emocional à cena como um look cinematográfico. Quando filmamos a vida selvagem, quero que as pessoas assistam, se conectem e começam a se preocupar mais com a natureza, nós definitivamente precisamos desse look que esta câmera pode produzir.

Quais os tipos de produções que seria ideal em filmar com a AMIRA?
Acredito que ela seja uma ótima câmera para qualquer tipo de documentário especialmente quando o fotógrafo faz a fotografia sozinho ou não tem, ou não pode ter, uma equipe grande no set ou em grandes orçamentos. É mais fácil usar um único operador de câmera e combinar com uma excelente qualidade de imagem de uma construção robusta.
No mundo do documentário subaquático, a habilidade de filmar a 200fps pode fazer uma enorme diferença e como eu disse antes, os eletrônicos selados provêm uma proteção extra contra sujeira e umidade que fazem a diferença em ambientes agressivos. Eu me sentiria confortável tendo esta câmera nos Polos, em florestas tropicais, ilhas e até mesmo em caixas-estanques, sabendo que este sistema não me deixaria na mão.

Quais os próximos projetos que você tem?
Este ano, temos
muitas aventuras para filmar para o meu programa de TV, incluindo morcegos, baleias assassinas, crocodilos, macacos, cães da neve e hipopótamos. Além disso, há uma nova  série para a televisão a cabo, mas isto é topsecret (risos), e um grande projeto no Pantanal brasileiro para a TV canadense. Então, será muito tempo no campo! Apesar do trabalho de campo, estou trabalhando também com exposições e projetos educacionais no Brasil e em breve nos EUA, mostrando a natureza em shopping centers, locais públicos e escolas. Minha missão ao longo da vida é inspirar as pessoasa se apaixonarem pelo nosso planeta através de minhas imagens, despertando o desejo do conhecimento e conservaçãodo lugar e tudo o que podemos chamar de lar. Esta missão não termina nunca e ainda há muito o que fazer. A AMIRA é apenas uma grande parceira para me ajudar a conseguir isso.

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ALEXA XT e Master Primes em INVENCÍVEL | ARRI

4 fev

Dirigido pela Angelina Jolie e baseado no livro de Laura Hillenbrand, INVENCÍVEL conta a marcante história verdadeira de Louis Zamperini, um corredor americano de longa distância que competiu nos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936 antes de se alistar nas Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Quando seu B-24 caiu no Oceano Pacífico, Zamperini sobreviveu 47 dias em um bote salva-vidas, apenas para ser capturado pelos japoneses e submetido a maus tratos em um campo de prisioneiros de guerra.

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Para o DP Roger Deakins, CBE, ASC, BSC, que tem usado a ALEXA em todos os filmes digitais que ele filma, INVENCÍVEL proporcionou a oportunidade de experimentar a mais recente geração de câmeras ALEXA XT, combinando-as com lentes ARRI/ZEISS Master Prime.

Qual o tipo de look que você e Angelina quiseram dar a essa narrativa épica?

O filme é épico em alguns aspectos, mas também é muito pessoal. A decisão mais importante a ser feita, foi onde fazer o filme, porque precisávamos de configurações específicas e variadas. No final, fomos levados a filmar na Austrália, especificamente ao redor de Sydney e em várias partes de Queensland. O look do filme foi criado pela Angelina, nosso designer de produção Jon Hutman e eu, observando e conversando a respeito do roteiro, mas a chave para isso foi uma história pessoal e queríamos que o público se sentisse conectado com os personagens.

Foram diferentes abordagens visuais para as várias fases da história?

Eu não estou tão certo se eu gosto de variar o estilo ou abordagem para cenas em um filme, sinto que qualquer filme deveria ser um conjunto harmonioso. Dito isto, tivemos uma variedade de cenas que exigiam diferentes abordagens de um ponto de vista técnico. Por exemplo, um campo de prisioneiros, Omori, foi um set totalmente construído, ao passo que para o outro, Naoetsu, encontramos uma ilha no meio do porto de Sydney. Este, uma formação rochosa, não muito longe da famosa Sydney Opera House, tinha sido um estaleiro naval na Segunda Guerra Mundial e combinava muito com a sensação real de uma prisão, uma vez que já existia no Japão.

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As cenas com Louis treinando e correndo em uma competição no colégio e nos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936, apresentaram um conjunto de desafios. Queríamos estar envolvido com o Louis na pista ao invés de filma-lo pela perspectiva do público e isso exigiu equipamentos especiais.

O que motivou a decisão de filmar com lente esférica 2.40:1?

Eu acho que a escolha do formato é realmente intuitiva. Sim, tivemos várias cenas no mar, bem como no ar que parecia clamar por um formato widescreen, mas que não foi a verdadeira razão para a nossa escolha. O formato widescreen apenas parecia “correto”.

INVENCÍVEL foi sua introdução nas câmeras ALEXA XT. Você ficou satisfeito com a evolução das câmeras ALEXAs?

A ALEXA XT é realmente uma ferramenta maravilhosa e não tivemos qualquer problema com as câmeras. Gostei especialmente dos filtros NDs internos, foram um bônus real com o brilho do sol na Austrália. A ALEXA XT Studio tem seu próprio sistema de filtro ND interno, o qual foi também de grande valor.

Houveram situações envolvendo contrastes extremos; a ALEXA segurou as imagens?

Eu não tinha a expectativa de que as imagens não segurariam, pois tinha filmado em condições similares em SKYFALL. Na verdade, em SKYFALL senti que tinha usado a ALEXA numa tal variedade de condições, que eu não tinha absolutamente nenhuma preocupação de usar a câmera em INVENCÍVEL. Quando conversei pela primeira vez com Angelina, consideramos a película, mas após testes de filmagem com a ALEXA e percebendo a quantidade de efeitos que faríamos nas pós, ela ficou muito confortável com a escolha da ALEXA.

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Você tinha quais modelos de ALEXA XT?

Usamos uma câmera XT Studio, uma XT Plus e uma XT M. Gosto do visor ótico da ALEXA XT Studio quando estou trabalhando fora do dolly ou em um tripé. Quando estou com uma cabeça remota, que é algo que faço bastante em qualquer filme, mas a qual foi vital para cenas na água e para trilha de corrida, então uso a câmera XT Plus.

Tínhamos uma réplica de um avião B-24, onde usamos em duas sequências longas, embora a réplica tivesse 23m de comprimento, o espaço real de trabalho era muito pequeno, portanto usamos a câmera ALEXA M montada numa cabeça remota Micro Scorpio. Isso nos permitiu adicionar um movimento fluido para a câmera e para acompanhar a ação de uma maneira que teria sido impossível com um equipamento convencional, seria necessário vários cortes na estrutura do avião, e como todo o conjunto tinha 23m e 3.70m acima do chão, teria sido muito demorado!

Para equipar as câmeras em tais situações, foram apresentados poucos obstáculos, mas iluminar o cenário foi um desafio ainda maior, especialmente porque INVENCÍVEL não é um filme de ação, mas baseados em eventos reais. Para o sucesso do filme, estas sequências precisariam ser absolutamente reais.

 Você frequentemente filma com multi-câmeras?

Filmamos às vezes com duas câmeras, tais como, quando estávamos filmando Louis e seus dois colegas sobreviventes em seus pequenos botes infláveis e também usamos duas câmeras quando tínhamos cenas no campo de prisioneiros com uma infinidade de figurantes. Embora, a maioria das vezes filmamos somente com uma câmera.

Você ajustou a ASA para configurações individuais ou a manteve praticamente constante?

Costumo filmar em ASA 800, pois me entrega a qualidade de imagem ideal. Filmei INVENCÍVEL totalmente em ASA 800 por essa razão. No entanto, em OS SUSPEITOS (PRISONERS) usei em ASA 1280 para algumas cenas noturnas e fiz o mesmo no meu último projeto, SICARIO. Acho que essa sensibilidade a mais é muito útil para trabalhos noturnos e não há uma perda de qualidade perceptível. Acredito que você perceba, caso você faça a mesma coisa em cenas a luz do dia, mas mesmo assim a diferença é mínima.

Você filmou com ALEXA XT no modo OPEN GATE em seu novo filme SICARIO. Tem provado ser um recurso útil?

Amei filmar em Open Gate com ALEXA XT (em SICARIO). Comparo filmar em película Super 35mm, já que tem um efeito semelhante na minha escolha de lentes. Utilizando esses pixels extras, realmente faz a diferença, não que eu tenha qualquer reclamação sobre o ARRIRAW regular, mas você nota uma sutil melhora na nitidez dos detalhes usando o OPEN GATE, especialmente nas cenas com grande angular. Temos usado isso em filmes para planos abertos, portanto ter este nível extra de detalhe, tem sido um bônus real. Eu teria usado esse modo em INVENCÍVEL, se tivesse disponível na época, mas de forma nenhuma estou infeliz com os resultados que obtivemos com as XTs neste filme.