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Blackmagic DaVinci enfrenta o Final Cut e o Premiere | Comparativo

2 mar

A Revista FilmMaker na sua edição nº26, fez um comparativo entre os principais softwares de edição e mostra como o editor de vídeo gratuito da Blackmagic Design ameaça a hegemonia do Final Cut Pro X e do Adobe Premiere.  A matéria foi escrita por Diego Meneghetti, e teve Daniel Lobo como consultor.

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Blackmagic DaVinci enfrenta o Final Cut e o Premiere | Comparativo

O predomínio dos dois softwares de edição não linear (NLE, na sigla em inglês), Final Cut Pro XAdobe Premiere, passou a ser ameaçado quando, em junho de 2015, um dos mais poderosos e respeitados softwares de correção de cor, o DaVinci Resolve, também passou a editar vídeos por meio de uma timeline integrada e repleta de recursos. Por isso, Revista FilmMaker decidiu avaliar as principais diferenças entre os três e mostrar as vantagens e desvantagens de cada um.

A Blackmagic Design, responsável pela novidade, deu um xeque-mate na Apple e na Adobe com um custo-benefício insuperável: o DaVinci Resolve 12 é gratuito e traz ferramentas completas para edição e finalização de vídeos em full HD, seja em Mac ou PC – outra vantagem do programa. Para usuários mais exigentes (geralmente grandes produtoras), a Blackmagic oferece uma versão ainda mais sofisticada, a DaVinci Resolve 12 Studio, que custa US$ 995 e habilita recursos como saída em 4K, suporte para múltiplas placas de vídeo (GPU), ferramentas 3D e redução de ruído avançado – algo dispensável para grande parte dos filmmakers que atuam sozinhos e pequenas e médias produtoras.

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Blackmagic DaVinci Resolve 12

O lançamento do DaVinci Resolve 12 jogou muita lenha na discussão entre qual seria o melhor NLE da atualidade, pois acabou com anos de dominação de Final Cut Pro XAdobe Premiere. O primeiro, que há décadas seguia como líder de mercado, perdeu espaço depois da versão X, que desagradou a muitos profissionais, mesmo que o preço tenha estabilizado em US$ 300. Enquanto isso, a Adobe seguiu aprimorando o Adobe Premiere, que durante muito tempo foi visto como pouco profissional, mas hoje, com a integração na suíte Creative Cloud, oferece ótimas ferramentas integradas, como a parceria com outros softwares da família, como Photoshop, After Effects, Media Encoder e SpeedGrade (para correção de cores). Mas essa opção exige uma assinatura mensal da Creative Cloud, que custa R$ 44/mês para um aplicativo ou R$ 109/mês para a suíte completa.

Para ajudar você a entender melhor os recursos dos três softwares NLE, Revista FilmMaker contou com a consultoria do diretor de fotografia Daniel Lobo. Acompanhe, a seguir, o desempenho do DaVinci Resolve 12 em sete aspectos importantes para a definição de um programa de edição não linear e avalie se o novo software pode resolver (sem trocadilho) a sua necessidade.

REQUISITOS

O DaVinci Resolve tem duas características muito importantes para quem deseja migrar de outro software. Adobe Premiere, como o Premiere CC, roda em PC ou Mac, o que possibilita uma adesão ampla (a versão Studio roda até em Linux). Além disso, como ele é originalmente um software de correção de cor (que por princípio importa timelines de outros programas), é fácil migrar projetos criados em outros aplicativos sem problemas.

Uma das principais vantagens do DaVinci Resolve 12 diante dos concorrentes é, claro, o custo zero. Na versão gratuita, o software da Blackmagic faz praticamente tudo o que o Final Cut Pro X faz por US$300 e o Adobe Premiere por R$ 44/mês. Os preços aumentam ainda mais ao contabilizar os softwares agregados.

Por outro lado, o DaVinci exige um computador bem avançado. A Blackmagic recomenda um computador Quad core com pelo menos 16 GB de memória RAM para usar todos os recursos do software, além de uma placa de vídeo dedicada (GPU) poderosa, com pelo menos 2 GB de memória. Em geral, o Final Cut Pro X e o Adobe Premiere rodam melhor em máquinas menos potentes do que o DaVinci Resolve.

Contudo, é importante lembrar que edição de vídeo é uma atividade que utiliza tudo o que a máquina tiver para oferecer. Uma configuração de hardware mais robusta fará diferença no desempenho. Usar uma GPU do tipo CUDA (Compute Unified Device Architecture) é bem recomendável. O Adobe Premiere e o Final Cut Pro X têm requisitos em hardware parecidos: no Windows, o software da Adobe exige, no mínimo, um computador Core2Duo ou AMD Phenon II com suporte a 64 bits, com 8 GB de RAM. No Mac, roda apenas em máquinas com processador Intel. Já o Final Cut Pro X, exclusivo para Mac, recomenda ter 8 GB de RAM e uma placa de vídeo com suporte a OpenCL.

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Uma das grandes novidades do DaVinci Resolve 12 é o sistema de gerenciamento de mídia, que habilita recursos como copiar, mover, transcodificar, consolidar e excluir todos os ativos do projeto, com a opção de arquivar ou exportar para outro sistema – o que deve agradar aos usuários acostumados com a interface do Final Cut Pro X e mesmo do Avid Media Composer.

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Acima, tela de importação de mídia do DaVinci; na pág. ao lado, a de gerenciamento de mídias (maior) e a de modos de edição (menor)

Além de organizar os arquivos, o software da Blackmagic não restringe o acesso a eles e tudo pode ser feito por meio do próprio aplicativo de maneira bem amigável.

Esse foi um dos pontos cruciais do Final Cut Pro X: os arquivos não ficam mais diretamente acessíveis ao usuário, como era no Final Cut 7 (embora o gerenciamento de mídia nessa versão fosse muito fraco). No Final Cut Pro X, após a importação, o software cria uma cópia da mídia do cartão, com versões de alta qualidade e proxy, de acordo com a necessidade. Todas essas mídias, porém, ficam armazenadas dentro das bibliotecas do Final Cut Pro X – o que geralmente é conhecido como “projeto” nos outros programas e não ficam visíveis ao usuário. Ainda é possível acessá-las, mas a ideia é deixar que o software se ocupe disso.

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Acima, a tela de importação de mídia do Apple Final Cut X (com mudanças que geraram críticas dos usuários) e, abaixo, a do Adobe Premiere, que permite acesso direto à mídia

Já o Adobe Premiere segue a filosofia do antigo Final Cut 7 (e do DaVinci Resolve) e possibilita ao filmmaker acesso direto aos arquivos de mídia. Além disso, uma vantagem do Premiere CC é que ele aceita diferentes codecs na- tivamente, sem necessitar da criação de uma versão otimizada.

DESEMPENHO

Isso vale para todos os editores de vídeo: as mídias otimizadas (convertidas para o formato nativo do editor) ocupam mais espaço em disco, mas possibilitam uma visualização sem engasgos. Assim, em vez da velocidade do processador, o gargalo de desempenho fica a cargo do disco de armazenamento – peça que é bem mais acessível que uma GPU.

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Acima, a interface geral de edição do DaVinci Resolve 12, programa de edição que exige um maior poder de processamento e que funciona muito bem com arquivos ProRes

Entre os três softwares, o DaVinci Resolve 12 é o que exige maior poder de processamento para um playback sem problemas. Uma opção para otimizar o desempenho é mudar “Proxy Mode” para “Quarter Resolution” na visualização e trabalhar com mídias otimizadas sempre que possível.

Mesmo assim, o DaVinci Resolve 12, como o Final Cut Pro X, funciona muito bem com arquivos em ProRes. Ambos conseguem lidar com formatos nativos, mas não espere o mesmo desempenho: os tempos de renderização serão intermináveis. Se você sabe que o seu projeto terá muitos efeitos e precisará de render, vale a pena converter as mídias no início.

Adobe Premiere talvez seja a exceção por lidar com os arquivos diretamente no formato nativo, como RED, H.264, MXF, inclusive misturando-os na timeline. Nesse aspecto ele ainda é imbatível, mas é importante usar um codec com a menor compressão possível. Embora exija mais dos discos, isso não gera gargalo no processador, que, em geral, já está sobrecarregado com efeitos e outras funções.

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INTERFACE

A maneira como o usuário interage com o programa é um parâmetro importante para avaliar se a edição será amigável ou se o tempo de aprendizado do software será algo irritante e impeditivo. Nesse aspecto, o DaVinci Resolve 12 tem muito a oferecer, principalmente se comparado ao que os usuários estão acostumados.

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O DaVinci Resolve 12 com o cursor no modo de edição Razor: uso intuitivo, fácil de aprender

Final Cut Pro X trouxe uma nova interface “estranha” para quem editava vídeos na versão 7. A janela de visualização ainda está presente, mas com novos botões, nomes diferentes daqueles que os usuários já conheciam e novas formas de fazer as coisas. O que era “Project” na versão 7, na X é algo incorporado na “Library”. O “Project“ da versão X é a antiga timeline. Ainda surgiu o “Event” como um elemento novo de organização dentro da “Library”.

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Acima, o DaVinci em ação com o cursor no modo de edição Trim, o programa permite a edição de vários clipes sem “engasgos”

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Acima, interface geral de edição do Final Cut Pro X (que lida com arquivos nativos, mas sem agilidade).

Segundo a Apple, essa mudança foi para melhorar a organização dos elementos e seu acesso. A maior alteração, no entanto, foi a própria timeline. O Final Cut Pro X adota a chamada Magnetic Timeline, em que não existem “tracks” e todas as cenas e clipes estão ancoradas na pista central. Algo a se acostumar.

Já o Adobe Premiere pouco mudou nas versões recentes – o que é algo positivo para os usuários fiéis. As novas funcionalidades vão sendo agregadas organicamente ao “Workspace”. Além disso, na suíte CC, outros programas seguem um jeitão semelhante, o que traz agilidade na edição.

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Interface do Premiere, o melhor no trabalho com arquivos nativos.

A interface do DaVinci Resolve 12 para edição é algo novo mesmo para os usuários que já conheciam o software – pois, claro, antes nem existia o módulo de edição. O formato e a organização das ferramentas, no entanto, foram pensados para agradar. Tudo é bem intuitivo e, ao contrário do Final Cut Pro X, em que o usuário pode se sentir perdido à primeira vista, no DaVinci Resolve 12 é possível editar sem grandes conhecimentos do software. O estilo adotado com as tradicionais tracks também ajuda o usuário a se familiarizar facilmente.

Esse design aparentemente simples esconde alguns recursos interessantes. Existem apenas três modos de edição: Normal, Trim e Razor. A novidade é que dependendo do modo selecionado e da posição sobre o clipe, a representação do cursor muda e também seu efeito no clipe. O cursor pode adquirir funções de Ripple, Trim, Slide, entre outras. Uma das melhores adições é que torna possível movimentar clipes e não deixar espaços (gaps) entre eles. Embora pareça ter muitos detalhes com os quais lidar, o Trim sensível ao contexto deixa o worflow muito ágil em pouco tempo. É possível até editar múltiplos clipes de uma só vez.

Um destaque da interface do DaVinci Resolve 12 é o modo de correção de cor, que, embora seja semelhante às ferramentas de outros programas, difere do que o filmmaker está acostumado, principalmente pela organização em nodes.

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O modo de Correção de Cor (telas acima e abaixo) é o maior destaque do DaVinci Resolve 12 diante dos concorrentes, pois é a função originária do programa e tem alta eficiência

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Os nodes são uma forma simples e poderosa de criar uma hierarquia de correções, um tipo de tratamento de imagem encadeado. Com isso, é possível afinar qualquer uma das etapas da correção sem afetar as outras. Por exemplo: em um node inicial, a correção pode ser no equilíbrio de branco de um take. Já o node seguinte pode reforçar a cor de algum elemento ou equilibrar a exposição. Se for preciso alterar qualquer um desses elementos, as demais alterações não são perdidas. Em um projeto com muitas sequências diferentes, ainda é possível endereçar nodes de correção para toda a sequên- cia, tornando simples criar e alterar um look daquele trecho do vídeo.

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Acima, modo de Correção de Cor no Final Cut Pro X, que tem efeitos simplificados e rápidos, e, abaixo, o modo de Correção de Cor do Premiere, que distribui recursos em outros softwares.

Premiere - modo de correcao de cor

RECURSOS

Se, por um lado, o Final Cut Pro X pode ser confuso e limitado em projetos mais complexos, para projetos mais simples ele é difícil de ser superado em dois recursos automáticos: as capacidades de igualar cor de diferentes câmeras e de solucionar pequenos problemas de captação. Ele também trabalha bem com chromakey (algo com que a versão 7 sempre teve problemas) e oferece recursos como tarjas e ele- mentos animados e customizáveis.

Ao seguir na direção oposta do Final Cut Pro X, que integra comandos de cor e efeitos simplificados e rápidos, o Adobe Premiere distribui os recursos entre os softwares do pacote Creative Cloud. Por exemplo: para uma cartela elaborada, o Photoshop é perfeito; para uma correção de cor com mais nuances que o corretor interno, é preciso usar o Speedgrade; para dar saída para web e para uma exibição em alta definição, entra em cena o Media Encoder; para recursos de chromakey ou composição, o After Effects é quase imbatível. O importante é que todos esses recursos ficam interligados: ao realizar modificações no vídeo em outros programas, o Adobe Premiere atualiza a timeline com as alterações. O lado ruim é o preço: para ter todas as funções, é necessário pagar pela assinatura de mais de um programa ou pelo pacote completo da CC.

Um dos pontos negativos do DaVinci Resolve 12 é justamente em relação as cartelas, GCs, tarjas e recursos afins. Embora existam algumas opções, elas são muito básicas no DaVinci – que também oferece suporte a efeitos OpenFX, mas não traz nenhum como padrão. Na avaliação dos recursos, o ponto alto do DaVinci Resolve é o modo de correção de cor. Outros desta- ques são a função de chromakey, muito boa, e o tracker (que pode ser usado em janelas de correção, efeitos e até texto), muito mais preciso que o de outros softwares.

O editor da Blackmagic também tem o recurso de Multicam, mas nesse aspecto ainda está atrás do Adobe Premiere e bem longe do Final Cut Pro X, embora cumpra o seu papel. Na versão 12 também foi incluído o easyDCP: o DaVinci Resolve 12 pode gerar um DCP (for mato-padrão para exibição em salas de cinema) diretamente da timeline. Boa parte dos usuários não usará essa função, mas ela pode ser útil, por exemplo, para filmmakers que realizam curtas-metragens e precisam enviar o filme para festivais sem precisar gastar com finalizadoras.

INTEGRAÇÃO

Não é raro que usuários queiram exportar o projeto para ser trabalhado em outro programa. Em um trabalho em equipe, edita-se no Final Cut Pro X e depois envia-se o projeto para outra pessoa realizar as composições no After Effects. Ou edição no Adobe Premiere e depois correção de cor no DaVinci Resolve 12. Este, que sempre foi o workflow de grandes projetos de cinema e publicidade, está chegando às produtoras menores e aos filmmakers freelancers.

Para os usuários de outros produtos da Adobe há um incentivo para ter o Adobe Premiere pela compatibilidade com os outros softwares da empresa. Editar com os softwares da Creative Cloud não é apenas simples, mas também bastante otimizado. O Adobe Premiere ainda consegue exportar facilmente um projeto em XML para ser usado em um software de correção de cor. O Final Cut Pro X também foi pensado para exportar o projeto sem maiores problemas. Nos dois casos sempre haverá limitações em takes com efeitos, remapeamento de tempo e tran- sições mais complexas.

Nesse contexto, o DaVinci Resolve 12 se beneficia por ser, na essência, um software de correção de cor e, portanto, possibilita importar arquivos de diferentes programas de edição com pouquíssimos problemas de compatibilidade. A questão é que a saída do DaVinci tradicionalmente eram as mídias corrigidas, e não os projetos. A Blackmagic tem trabalhado nisso e a versão 12 inclui a exportação de arquivos EDL, XML e no formato do Final Cut Pro X.

SAÍDA

A maioria dos usuários trabalha com elementos e mídias diretamente na timeline e usa o próprio programa de edição para dar a saída final no projeto. Essa é uma maneira de simplificar o processo, principalmente se a montagem e a finalização for feita por uma só pessoa.

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Acima, tela do modo Deliver na renderização e, abaixo, tela do modo Quarter Resolution, do programa Blackmagic DaVinci Resolve 12, que tem a enorme vantagem de ser gratuito.

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Nesse aspecto, o DaVinci Resolve 12 funciona muito bem: o módulo de exportação integrado do software conta com os principais formatos e é altamente configurável. A disputa com Adobe Media Encoder é acirrada, pois a ferramenta da Creative Cloud oferece mais formatos, mas o DaVinci Resolve 12 é consideravelmente mais rápido. Nos dois casos, uma GPU com CUDA me- lhora bastante o desempenho.

Por outro lado, muitos usuários reclamam (com razão) que o modo de saída é um dos grandes problemas do Final Cut Pro X. Mesmo com a ajuda do Compressor (que custa mais US$ 100), a solução da Apple é limitada em formatos e configurações. Nesse caso, é comum que os filmmakers exportem o chamado “Master File” e depois usem outro software para gerar as ver- sões solicitadas pelo cliente.

O DAVINCI RESOLVE?

Infelizmente, ainda não existe um software NLE que atenda a qualquer necessidade de edição. Cada um dos programas tem aspectos positivos e negativos – muitas vezes a escolha recai sobre qual deles realiza melhor o tipo de trabalho necessário. Na versão 12, o DaVinci Resolve 12 avançou muito, mas ainda peca por não oferecer recursos comuns a outros NLEs. Por outro lado, vale lembrar que o software da Blackmagic é um dos mais usados em Hollywood para a correção de cor. E isso você pode ter em casa, de graça (se o computador tiver uma boa placa de vídeo, melhor ainda).

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O site Oeditor.com agradece a Revista FilmMaker que gentilmente disponibilizou todo o conteúdo desta matéria. A Revista FilmMaker é voltada para o público interessado em filmagens com câmeras fotográficas DSLRs e filmadoras digitais modernas, em HD e Full HD. A publicação apresenta novidades do segmento, teste de equipamentos, informações sobre acessórios, dicas sobre técnicas de filmagem, reportagens sobre o trabalho de profissionais de destaque na área e muito mais. Uma publicação feita para profissionais do segmento de filmagens que atuam em cinema, publicidade, institucional, documental, cobertura social e educacional.

As edições avulsas podem ser compradas diretamente pela Windows Store ou pelo site da Editora Europa.

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Utilizando a Blackmagic para expandir a Indústria Cinematográfica Brasileira

21 jul

Para um cineasta independente, a filmagem quase sempre vem acompanhada de um custo alto. Principalmente quando se trata de um cineasta Brasileiro, esses custos multiplicam-se em várias vezes. A indústria cinematográfica brasileira ainda está na fase inicial de crescimento, portanto ainda existe uma dificuldade em obter equipamentos profissionais.

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Além do mais, vários equipamentos precisam ser importados do exterior e estão sujeitos a taxas de importação. Não é raro um cineasta brasileiro depender de subsídios governamentais para conseguir os recursos necessários para iniciar um novo projeto, ou até mesmo utilizar o seu próprio dinheiro. Apesar disso, cineastas brasileiros independentes apostam nas novidades tecnológicas para produzir os filmes que movem a indústria.

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Rafael Duarte e Taísa Ennes Marques fazem parte desse movimento. Juntos, eles fundaram uma pequena empresa de produção cinematográfica no sul do Brasil, onde mantém uma produção constante de filmes de curta-metragem – sejam independentes ou financiados pelo governo. Os esforços estão valendo a pena.  Depois de receberem o Prêmio ABC de Melhor Fotografia para Curta-metragem, da respeitadíssima Associação Brasileira de Cinematografia, a empresa está encontrando um nicho de mercado promissor. Segundo Rafael, o lançamento da Blackmagic Cinema Camera alavancou sua trajetória.

“A chegada da Blackmagic Cinema Camera ao Brasil virou nosso mundo de ponta cabeça”, ele disse. “De repente, percebemos que seria possível obter resultados de qualidade cinematográfica mesmo com o orçamento limitado.”

Desde então, a produtora integrou a Blackmagic Design tão profundamente em seu fluxo de trabalho que agora a equipe utiliza várias câmeras, inclusive a Blackmagic 4K Production Camera, como também o DaVinci Resolve para a correção de cor.

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Eles enfrentaram vários obstáculos antes de utilizar Blackmagic. “Taísa e eu nos conhecemos em um período de nossas vidas em que ambos querÍamos fazer filmes, mas não sabíamos por onde começar,” disse Rafael. “O cinema no Brasil, principalmente no sul, é difícil. Não existe uma grande indústria cinematográfica, dependemos muito de subsídios do governo. E quando éramos mais jovens, não sabíamos como lidar com isso. Então, resolvemos unir forças e começamos a fazer filmes com nosso próprio dinheiro.”

A dependência nas câmeras baratas acabou sendo uma experiência frustrante. Independentemente da câmera utilizada, os resultados ficavam aquém de um padrão de qualidade internacional. Modelos mais caros estão fora de cogitação, mas a produtora precisava de uma câmera mais adequada para a visão de Rafael e Taísa. Ao descobrir a Blackmagic, foram inspirados pelo seu potencial cinemático. Juntaram seus recursos para comprar uma Blackmagic Cinema Camera. Ao usá-la pela primeira vez nos cânions do sul do Brasil, foram surpreendidos.

“Apesar de ser uma câmera prática e com preço acessível, a forma como o obturador captura a imagem, a latitude e a quantidade de informação do arquivo DNG realmente valorizam a imagem“, disse Rafael. “O resultado superou nossas expectativas. Mesmo usando apenas a luz do sol e um rebatedor, os resultados ficaram lindos. Nunca me estresso durante as filmagens. Mesmo se estiver com pressa ou com algum problema, basta garantir que a luz esteja no lugar certo e que os claros não estejam estourando, por exemplo, que o resto é possível administrar dentro do Resolve. Sempre fica lindo.”

“Caçando” uma Hiper-realidade e o visual RAW

A Blackmagic Cinema Camera de Rafael e Taísa rapidamente tem se tornado uma peça-chave para seus filmes, programas de televisão, e outros projetos. Esse ano, o projeto-destaque da produtora foi  o filme “Caçador”. Com o orçamento baixíssimo de US$2.000, Caçador dependeu da Blackmagic Cinema Camera para seu visual particular: uma mistura de conto de fadas com Faroeste, inspirado pela figura folclórica do Gaucho. Um pedaço de híper-realidade projetado na tela.

“Nós trabalhamos em locações inóspitas de montanhas e cânions, foi algo mágico,”  disse Rafael. “Geralmente quando se captura algo assim monitorando em uma telinha de LED, parece que você perde um pouco da magia. Mas quando abrimos as imagens no Resolve e começamos a colorização, encontramos várias possibilidades lindas e esotéricas. Foi dificil escolher só uma. O formato RAW DNG da Cinema Camera oferece muita flexibilidade por não ter compressão. Eu sinto como se pudesse fazer qualquer coisa com a imagem.”

A transferência da filmagem para o DaVinci Resolve foi natural, e nele a equipe aperfeiçoou a imagem RAW como se estivessem alterando a própria Mãe Natureza, e não apenas o filme digital. O fluxo de trabalho baseado em nodes (nós) foi mais intuitivo para Rafael que o típico sistema de camadas que a maioria das ferramentas de colorização oferecem; e Rafael pôde transferir a sua visão para a filmagem e trabalhar detalhadamente com a colorização.

Por exemplo, uma das cenas mostra a paisagem de grama sob o pôr do sol. No início, Rafael pensou que ao tentar preservar o céu, poderia perder detalhes da grama nas sombras (o firmware da Cinema Camera não suportava a visualização de histogramas na época). Porém, acabou descobrindo que era só uma questão de ajuste nas curvas de cores.  Sem isso, seria impossível otimizar a exposição da imagem. Outra cena, uma imagem noturna do caçador fumando e bebendo na varanda, era pra ser filmada durante o dia, mas faltou tempo.  Foi possível filmar a cena porque Rafael havia trazido consigo uma lâmpada halógena de 1000 watts, apenas por precaução. No entanto, a lâmpada emitia um tom alaranjado na imagem que jamais seria convincente para cenas noturnas.  Após o upload no Resolve, ele trabalhou com o balanço de brancos do RAW para criar um efeito realístico de luar.

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“Já me perguntaram se eu tive uma equipe grande trabalharam naquela cena, mas a realidade é que foram só cinco pessoas,” ele disse.  “Foi tudo filmado no estilo de cinema guerrilha. Tirando essa cena em particular, a maior parte do meu trabalho como diretor de fotografia do Caçador era conciliar as tomadas com o horário certo do dia para garantir a melhor iluminação natural para cada cena. A regra era que não podíamos filmar entre as 11h e 13h, quando o sol estava a pino.”

Apesar do baixo orçamento, o filme independente foi bem sucedido: receberam um dos prêmios mais respeitados do mundo cinematográfico brasileiro, o Prêmio ABC de Cinematografia de Melhor Direção de Fotografia para Curta-Metragem. A cerimônia foi prestigiada também por outros homenageados, como Lula Carvalho (Tropa de Elite, Robocop, e As Tartarugas Ninja), que ganhou o Prêmio Melhor Direção de Fotografia no evento.abctrophy

“Fomos para a cerimônia sem pensar que podíamos ganhar. Era como se estivéssemos em uma festa com vários famosos,” disse o Rafael. “Ficamos tipo, ‘Poxa, o que estamos fazendo aqui?’ A Blackmagic Cinema Camera foi um salto tecnológico tão grande em relação às cameras que usávamos antigamente que às vezes ate me sinto como se estivesse trapaceando. Como se não fosse eu, mas a camera que fez todo o trabalho duro. Ela é perfeita!”

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Avançando na cena cinematográfica Brasileira com confiança

“A Blackmagic nos dá a confiança que precisamos para competir com produções maiores,  ou quando participamos de festivais de cinema e premiações grandes como a ABC,” diz Rafael. “Às vezes aqui no Brasil ficamos com um pouco de receio e achamos que não temos o orçamento para produzir imagens como em Hollywood, mas isso não é verdade. Se você tiver apenas o sol e uma câmera da Blackmagic, o resultado irá superar suas expectativas.”

DaVinci Resolve 12 será tambem um poderoso programa de edição | Blackmagic Design

9 jun

Há muito se falava que o DaVinci Resolve se poderia transformar em um programa de edição e Blackmagic confirmou isso durante a NAB Show.Resolve12DeliverA espera foi longa mas a Blackmagic queria ter certeza que teria um programa de edição tão ou mais potente que os concorrentes. Teremos de aguardar ate julho para podermos conferir.

Agora vai ser possível editar timelines com outro software de edição e as configurações, Plug-ins e edições são preservadas. Por exemplo, quando se importa um XML do Premiere ou Final Cut Pro X, o DaVinci Resolve 12 pode importar clips multi-cam e preservar todos os ângulos de câmara originais.

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O DaVinci Resolve 12 chega com uma interface nova que inclui 80 novos recursos.
Entre as características de edição destaco:

– Multi-câmara com diversos ajustes entre eles por onda de audio igual ao que temos usando o Pluraleyes
– 3D tracking
– Timelines aninhados
– Ckroma key
– Filtragem de Metadados
– Controles de reprodução (teclas)JKL foram aprimorados com menor latência e com reprodução em câmera lenta
– Transições customizáveis com o editor de curvas
– Novo processador de áudio profissional com suporte para plugins VST/AU
– Ajustes de audio e exportação para Pro Tools
– Mixagem de audio em tempo real com movimentos de fader graváveis
– Textos

Veja o que ha de novo na parte de edição da versão 12:

 

Fonte e Texto: FilmMaker

Descubra como Marcus Tenchella usou DaVinci Resolve para alcançar o sucesso | Blackmagic Design

23 jan

Screen Shot 2015-01-23 at 17.44.35Marcus Tenchella é um jovem colorista com costeletas à moda antiga. Graduado em Comunicação pela universidade brasileira UNESP, foi um projeto para a universidade que cativou um dos mais famosos coloristas do Brasil. Vejo isso desta forma: minha carreira me escolheu, reflete Marcus, hoje um colorista sênior da Casablanca, uma das principais instalações criativas do Brasil. “Um amigo da faculdade me convidou para trabalhar em seu projeto de filme para a escola. Naquela época, ele trabalhava nos Estúdios Mega e sabia muito sobre o processo de cores. Me envolvi profundamente com o projeto desde o início e sabia que essa era a direção que precisava seguir”.

Pouco depois, em 2006, este mesmo amigo atraiu Marcus para o departamento de telecine como assistente de colorista, trabalhando no sistema de cores 2K e Renaissance do DaVinci original. 

A reputação de Marcus como uma estrela em ascensão lhe valeu notoriedade no mercado de pós-produção do Brasil e logo as estrelas da Casablanca o atrairiam para uma das vagas de assistente na equipe de coloristas. Ele comenta, Estava muito focado e determinado, trabalhando, às vezes, 18 horas por dia. Ao final daquele ano, Marcus foi promovido a colorista júnior. 

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A Casablanca presta serviços de produção e pós-produção de filmes, programas de TV e comerciais para emissoras, cineastas e agências nacionais. “Fazemos muito trabalho de produção e pós-produção para grupos como a Fox e a HBO, que preferem trabalhar com produtoras brasileiras, como a Casablanca, para produzir seriados, bem como emissoras gigantescas como a TV Globo, que atualmente conta com a Casablanca para a produção de um de seus novos programas infantis”.

Embora a maior parte do trabalho da Casablanca com cores ser feito em uma de suas três salas de cores totalmente equipadas com Blackmagic DaVinci Resolve, a primeira experiência de Marcus com a versão digital intermediária do Blackmagic DaVinci Resolve foi no set. “Normalmente trabalhamos após um projeto concluir as gravações, no entanto, tivemos um projeto de filme,‘Crô’,onde fizemos sua correção de cores no set. Foi a primeira vez que usei a versão digital do sistema Resolve e, graças a sua abordagem lógica, funcionou muito, muito bem, Marcus foi convencido. 

Além de corrigir o filme no Resolve, Marcus aprendeu como fazer algumas edições rápidas, podendo montar sequências corrigidas e revisá-las com o diretor, melhorando a colaboração entre o diretor de fotografia, a pós-produção e o diretor do filme. “O Resolve foi incrível. Pude facilmente exportar e enviar fotos por e-mail para o diretor de fotografia, para que ele revisasse quando tivesse tempo. Sem a necessidade dele vir até o sistema ou esperar pela minha disponibilidade. O diretor de fotografia podia nos dizer imediatamente o que gostou e o que não. Era rápido e ajudou muito a evoluir o visual do filme”.

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A correção de cor mais apurada no set também ajudou a criar um pacote para patrocinadores, o que ajudaria a vender o filme. No Brasil, você precisa de patrocínio para fazer seu filme. É lei. No caso de‘Crô’,corrigir as cores das filmagens dramaticamente melhorou o seu apelo aos potenciais patrocinadores e ajudou a ser patrocinado muito rapidamente. A facilidade de uso e a velocidade com que pude corrigir o projeto realmente me convenceu sobre o Resolve. Adoro usar este sistema de cores.

Marcus também gosta do contínuo desenvolvimento e evolução do Resolve e sua ampla adoção pela indústria. “Comecei a trabalhar com o Resolve na versão 9, depois atualizei para a 10 e agora estou trabalhando com a versão 11”, comenta Marcus. O bom é que o software evolui continuamente e que todos podem ter o Resolve em seu desktop. Por isso ele incentiva muitas pessoas a usarem o sistema. Às vezes, simplesmente envio o projeto para que outra pessoa possa revincular facilmente os arquivos. Isso facilita muito ao trabalhar remotamente ou colaborar com outra organização, porque o Resolve foi projetado para incentivar as pessoas a trabalharem com um workflow aberto.

Marcus cita os numerosos formatos de arquivo suportados e a interface intuitiva do Resolve, permitindo que os usuários carreguem projetos e interajam com ele facilmente, mesmo sendo iniciante com o aplicativo. “Mesmo que você não domine o programa, pode olhar para a interface e, com o mínimo de conhecimento, estar pronto para trabalhar”.

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Entenda o que faz o profissional da colorização | Blackmagic Design

14 nov

O cinema nasceu preto e branco mas em 1901 ganhou cores. Duas foram as principais tendências nas pesquisas do cinema colorido: a colorização posterior às filmagens e a captação das “cores naturais” durante as filmagens. A princípio, elas causavam deslumbre e foram usadas à exaustão. A colorização nasceu da necessidade de corrigir “imperfeições” da captação, incluindo white balance, erros de exposição, condições variáveis de luz.

Não demorou muito tempo para que produtores e admiradores da sétima arte entenderem que, além da antiga limitação técnica, a ausência ou presença de cores alterava a narrativa de um filme, incorporando-se à linguagem tanto quanto a fotografia, o figurino ou a arte.

Desde então, com objetivos técnicos e artísticos, a correção ou gradação de cores faz parte das escolhas de um diretor para contar uma história.

Um exemplo das motivações artísticas são dois filmes do mesmo diretor, cujas cores são totalmente distintas, como o alaranjado Abril Despedaçado (2001) e o acinzentado Diários de Motocicleta (2004), de Walter Salles.

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Outra evidência é que, mesmo com a tecnologia a cores estando disponível a um custo baixo, ainda hoje se fazem filmes em preto e branco, como O Artista (2011), de Michel Hazanavicius e Blacanieves (2012), de Pablo Berger.

Hoje em dia a colorização como técnica de linguagem evolui das telas do cinema para a televisão e hoje está presente em seriados, novelas e documentários. Vale lembrar a recente produção da Rede Globo, a mini-novela O Rebu, que destacava a melancolia dos personagens com uma cor predominantemente azul.

Por definição “Color Grading” é o processo de alterar ou realçar as cores de um filme (em película) ou de uma imagem digital. Este processo pode ser eletrônico, fotoquímico ou digital. O processo fotoquímico é em geral, realizado em um laboratório fotográfico. Atualmente, a correção de cor tanto para cinema, quanto para TV é feita quase totalmente de maneira digital.

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Se você ainda não está convencido da importância da colorização, pense que fazer ajustes e efeitos de colorização na pós-produção pode diminuir muito o tempo de filmagem e por consequência diminuir os custos de produção. Algumas situações de luz e cor são demasiado complexas no mundo real, e seria muito caro e demorado realizá-las num set de gravação.

Quase todos os sistemas atuais de correção de cor digital são baseados em poderosos computadores, com grande poder de processamento e armazenagem de dados, aliados a softwares complexos, monitores de vídeo com calibração ajustável e dispositivos de controle e entrada de dados.

No Brasil a colorização é abordada nos cursos de audiovisual como parte das outras disciplinas de “finalização”, por isso, a especialização na área acaba acontecendo no mercado de trabalho.

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Bruno Fraga, da Guaiamum Videos, conta que uma opção é fazer cursos do software como o Davinci Resolve, da Blackmagic Design, faça download da versão free do software clicando aqui.

Outra dica é a leitura de dois livros que tratam dos fundamentos da correção de cor e color grading: The Color CorrectionHandbook: Professional Techniques for Videoand Cinema, do Alexis Van Hurkman e The ArtandTechniqueof Digital Color Correction, do Steve Hullfish.

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Esses livros não são específicos para nenhum programa. Paralelamente é fundamental tornar-se um observador crítico de como as cores fazem parte da narrativa no audiovisual.

Fonte: Redação TelaBr

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Blackmagic Pocket Cinema Camera chega ao Horário Nobre em “Lili, a Ex”, da TV Globo

28 out

É bem provável que a maioria dos telespectadores do Brasil tenham assistido a algum trabalho da O2 Filmes. Com mais de 2.000 comerciais, além de longas-metragens e séries de TV com o seu nome, a O2 é considerada a maior produtora da América Latina. Sediada em São Paulo e com uma filial no Rio de Janeiro, a O2 é liderada pelos aclamados diretores Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”, “O Jardineiro Fiel”, “Ensaio Sobre a Cegueira” e “360”) e Paulo Morelli (“Entre Nós” e “Cidade dos Homens”), juntamente com a produtora Andrea Barata Ribeiro (“Cidade de Deus”, “Ensaio Sobre a Cegueira” e “Cidade dos Homens”).

A O2 Filmes produz programas para as redes Discovery Channel (“Trabalho Duro”), HBO (“Filhos do Carnaval”) e Fox (“Contos do Edgar”) e, com a nova lei brasileira que exige que o horário nobre de todos os canais de TV por assinatura tenham conteúdo nacional, a carga de trabalho da empresa está aumentando continuamente. Emissoras como a TV Globo, para a qual a O2 já produz conteúdo, já estão se adequando a essa nova lei. A produção de conteúdo nacional está em constante crescimento.

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“A TV Globo nos contratou para produzir e entregar um novo programa para o seu canal por assinatura GNT, tendo em conta a nova lei, implementada a cerca de um ano atrás”, comenta Paulo Barcellos, diretor do departamento de pós-produção da O2. O programa “Lili, a Ex” baseia-se nas populares tiras de quadrinhos de Caco Galhardo, contando a história de Lili, cujo propósito na vida é o de atormentar seu ex-marido Reginaldo. Tendo um cronograma apertado e elevadas expectativas para atender, a O2 contou com a Blackmagic Pocket Cinema Camera para atender às rigorosas demandas do horário nobre da televisão.

A Blackmagic Pocket Cinema Camera Ganha a Liderança como Câmera Principal

Apesar da Blackmagic Pocket Cinema Camera já ter sido usada em trabalhos para televisão e cinema, ela ainda é uma câmera nova para muitos diretores de fotografia. Mas isso não impediu Paulo e a equipe de produção da O2. Aliás, eles utilizaram três Blackmagic Pocket Cinema Cameras para capturar as palhaçadas da Lili e sua mixórdia de amigos e parentes.

Uma das principais razões para optarmos pela Blackmagic Pocket Cinema Camera foi o seu tamanho e sua capacidade de filmar no formato CinemaDNG RAW”, diz Paulo. “Em primeiro lugar, a câmera que íamos utilizar originalmente era muito pesada para as filmagens de mão que planejamos. Tínhamos muitos planos curtos para trabalhar e precisávamos conseguir movimentos rápidos da câmera. Aliado ao fato que precisávamos capturar uma aparência de Super 16, a Pocket Cinema Camera foi a única que se encaixou no perfil”.

Eles ficaram agradavelmente surpresos com as habilidades da câmera, menciona Paulo, dizendo, “Começamos a testar a Pocket Cinema Camera e os resultados foram ótimos. Dissemos: ‘Porque não utilizar apenas a Pocket Cinema Camera? O que nos impede de fazer isso?’ Ela oferece muito mais do que os cerca de $995 que custa.

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Para a O2, utilizar a Blackmagic Pocket Cinema Camera foi uma escolha natural. Ela se encaixa perfeitamente em seu fluxo de trabalho, permitindo gravar em CinemaDNG RAW e capturar a aparência do Super 16 desejada para o programa, e tudo em um mesmo equipamento. Isso deu ao programa “Lili, a Ex” um visual cinematográfico similar ao da película e  ao mesmo tempo atrelado à modernidade das ferramentas digitais. O que também facilitou muito o processo foi que os clipes automaticamente continham todos os metadados atrelados aos arquivos, o que simplificou o processo de finalização para a equipe de pós-produção da O2.

Câmera Pequena, Acessórios Grandes

Ao utilizar a Blackmagic Pocket Cinema Camera como câmera principal em um programa de TV pela primeira vez, Paulo e a equipe da O2 logo descobriram que a câmera era muito leve.

Tivemos um problema inesperado e engraçado quando percebemos movimentos trêmulos na câmera. Descobrimos que a Pocket Cinema Camera era tão leve que a câmera tremia um pouco quando mudávamos o foco. Mas adaptamos. Simplesmente colocamos um pequeno lastro na câmera para compensar e torná-la mais estável. Não estávamos acostumados a ter problemas desse tipo no set porque a maioria das câmeras são muito pesadas”.

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Apesar de sua faixa de preço acessível, a O2 tratou a Blackmagic Cinema Camera como se custasse US$ 50.000. A câmera foi completamente customizada com lentes grandes, visores e telas adicionais. “Basicamente, substituímos o corpo da câmera original pela Pocket Cinema Camera. Você nem consegue ver a câmera no equipamento!”, brinca Paulo.

A produção utilizou lentes de 16mm e lentes de zoom da Zeiss, além do equipamento MōVI da Freefly Systems e dollies para obter o visual desejado para “Lili, a Ex”. “Com os acessórios certos e suporte para lentes micro quatro terços, a Blackmagic Pocket Cinema Camera superou nossas expectativas.

Produção na Velocidade da Luz

Com apenas três semanas para editar e finalizar cada sequência da temporada de 13 episódios, certamente o tempo foi essencial para a O2 Filmes. A portabilidade da Blackmagic Pocket Cinema Camera, combinada ao fluxo de trabalho que ela possibilitava, foi crucial para a eficiência da O2.

Com a Blackmagic Pocket Cinema Camera conseguimos filmar rapidamente em CinemaDNG RAW”, comenta Paulo. “O formato DNG está anos-luz à frente dos demais. Outras câmeras mais caras são comparáveis, mas podem ser extremamente lentas sem a compra de acessórios adicionais e caros. Filmar no formato CinemaDNG RAW foi absolutamente crucial para que pudéssemos lidar com o conteúdo chegando na pós-produção e completá-lo rapidamente”.

Além do mais, a O2 Filmes conseguiu filmar toda a série de TV e decodificá-la em tempo real utilizando o DaVinci Resolve no set, graças à empresa White Gorilla, laboratório digital de Paulo. Empregando os sistemas e softwares da White Gorilla, eles transferiram todo o conteúdo para o Resolve, de nodo a gerar os dailies em tempo real no set. Então, o conteúdo foi transcodificado para Avid MXF e o áudio sincronizado. Após, os arquivos foram enviados para o servidor principal da unidade de pós-produção da O2, onde editores Avid e coloristas DaVinci Resolve começaram a trabalhar imediatamente. Foi um fluxo de trabalho extremamente rápido e que atendia perfeitamente o cronograma apertado da O2.

Paulo comenta, “É realmente incrível. As pessoas não fazem idéia que utilizamos esta pequena câmera nesta grande produção e não tem absolutamente nada a ver com o orçamento. Você pode ver uma grande diferença entre o que foi filmado e o que conseguimos obter com a Pocket Cinema Camera. O antes e o depois é realmente impressionante. Esse é o futuro!

Muito Além da Gradação de Cores

Toda a produção de “Lili, a Ex”, do início ao fim, foi uma colaboração entre os serviços da O2 e seus parceiros. A divisão de pós-produção da O2 utilizou o DaVinci Resolve para todos os requisitos de gradação de cores e mais.

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Utilizamos o Resolve como principal ferramenta de correção de cor em 100% dos trabalhos da O2. Comerciais, séries de TV, longas-metragens, todos. E não utilizamos o Resolve apenas para correção de cor, mas para conformação, também”, disse Paulo sobre a paixão da O2 pelo DaVinci Resolve.

Para a sorte da O2, o Resolve 11 começou a ser distribuído bem quando “Lili, a Ex” entraria em pós-produção, permitindo incorporá-lo no fluxo de trabalho imediatamente. Paulo comentou: “Somos muito ousados aqui. Assim que foi liberado o beta público do DaVinci Resolve 11, da Blackmagic Design, começamos a utilizá-lo imediatamente, especialmente o recurso de compartilhamento de banco de dados. Ele permitiu que enviássemos os arquivos de gradação de cores do set, incluindo uma luz, para a pós-produção, para gradação de cores imediata e colaborativa”.

A O2 conta com uma instalação de correção de cor super avançada, equipada com vários DaVinci Resolves, incluindo o hardware de mesa de correção de cor. E tal como a Blackmagic Pocket Cinema Camera, Paulo adora o fato de poder trabalhar com os arquivos CinemaDNG RAW no DaVinci Resolve. “Utilizamos muitos dos recursos de rastreamento do Resolve. Uma cena em particular possui algo em torno de 12 nodes e adoramos poder trabalhar com nodes ilimitados em qualquer cena. Também utilizamos muitas máscaras, para que realmente possamos reformatar toda a aparência de uma cena, bem como a iluminação. Isso é muito importante”.

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Criar um programa de televisão baseado em uma tira de quadrinhos pode ser particularmente desafiador, já que os produtores possuem uma audiência existente para satisfazer, bem como uma nova audiência em formação para conquistar. Independentemente dos desafios, a tira de quadrinhos deu aos coloristas da pós-produção da O2 uma ótima aparência como ponto de partida. Paulo comentou que as cores vibrantes do programa refletem suas origens nos quadrinhos de “Lili, a Ex”, observando, “como queríamos a aparência do Super 16mm, todos os detalhes foram criados com o DaVinci Resolve, contando muito com seu recurso de ‘Curvas’ para se obter as cores”. Graças ao suporte da Blackmagic para o formato RAW e o recurso de Power Windows do DaVinci Resolve, a equipe teve muito espaço para manipulação de cores, ajudando-a a obter a aparência desejada.

A pós-produção da O2 empregou todos os recursos do DaVinci Resolve para concluir os arquivos finais para transmissão. “Exportamos os arquivos ProRes pelo Resolve, para que todos os episódios fossem realmente concluídos no software. Na pós-produção da O2 utilizamos o Resolve de forma bastante excessiva”.

Ferramentas Que Você Não Precisa Lembrar

Como alguém que está sempre na vanguarda das tecnologias de filmagem e pós-produção, Paulo tem o prazer de ver a crescente disponibilidade de equipamentos que se encaixam perfeitamente no fluxo de trabalho da O2.

Estamos chegando a um ponto onde o talento é crítico. Não apenas o talento atrás das câmeras, mas também na frente delas”, comenta Paulo. “Estamos fazendo essa grande série de TV, para esse grande canal por assinatura, pertencente a uma grande rede de televisão e estamos chegando a um ponto onde o equipamento é completamente transparente. É natural não termos mais que pensar sobre isso. Para nós, utilizar a Pocket Cinema Camera foi uma opção, não uma falta de opções. Também foi a melhor opção”.

Já para “Lili, a Ex”, Paulo espera que ela retorne com sua típica vingança. “A TV Globo está realmente satisfeita com os resultados que obtivemos. Acredito que seja um bom candidato para uma segunda temporada. É um daqueles programas que pegarão”.

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O2 Filmes Produz “Lili, a Ex”, da TV Globo, utilizando a Pocket Cinema Camera e o DaVinci Resolve

27 out

A Blackmagic Design anunciou que a O2 Filmes está utilizando várias Pocket Cinema Cameras como câmeras principais nas gravações da nova comédia de sucesso da TV Globo, “Lili, a Ex”. A carga do conteúdo no set foi feita pela White Gorilla e toda a correção de cor do programa é realizada com o DaVinci Resolve pela O2 Pós.

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O programa “Lili, a Ex” baseia-se nas populares tiras de quadrinhos de Caco Galhardo, contando a história de Lili, cujo propósito na vida é o de atormentar seu ex-marido Reginaldo. A O2 Filmes e a O2 Pós são responsáveis pela produção e pós-produção do programa, exibido na América do Sul como parte da programação do canal por assinatura GNT, da TV Globo.

Em “Lili, a Ex”, a O2 se defrontou com a necessidade de produzir uma programação da mais alta qualidade e criar um programa que capturasse o visual único que tornou a tira de quadrinhos tão popular. Cada um dos 13 episódios da temporada tinha apenas quatro semanas para ser filmado e finalizado, além disso, os episódios foram gravados no formato CinemaDNG RAW, para manter o visual cinematográfico do Super 16 durante todo o programa. Para a O2, a Pocket Cinema Camera se encaixou perfeitamente em seu workflow, permitindo a gravação em CinemaDNG RAW e capturar o visual Super 16 desejado para o programa utilizando o mesmo equipamento.

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“É realmente incrível. As pessoas não fazem ideia que utilizamos esta pequena câmera nesta grande produção e não tem absolutamente nada a ver com o orçamento”, comenta Paulo Barcellos, diretor do departamento de pós-produção da O2. “Você pode ver uma enorme diferença entre o que foi filmado e o que conseguimos obter na pós-produção com os recursos RAW da Pocket Cinema Camera. O antes e o depois é realmente impressionante. Esse é o futuro!”

“Uma das principais razões para optarmos pela Blackmagic Pocket Cinema Camera foi o seu tamanho e sua capacidade de filmar no formato CinemaDNG RAW”, diz Paulo. “Tínhamos muitos planos curtos para trabalhar e precisávamos conseguir movimentos rápidos da câmera. Aliado ao fato que precisávamos capturar o visual do Super 16, a Pocket Cinema Camera foi a única que se encaixou no perfil”.

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A O2 Filmes conseguiu filmar toda a série de TV e decodificá-la em tempo real utilizando o DaVinci Resolve no set, graças ao laboratório digital White Gorilla. Empregando os sistemas e softwares da White Gorilla, ela carregou todo o conteúdo e o transferiu para o Resolve, para gerar os dailies em tempo real no set e, então, transcodificar e sincronizar o áudio. Após, os arquivos foram enviados para o servidor principal da O2 Pós, onde editores e coloristas DaVinci Resolve começaram a trabalhar imediatamente e a correção de cor foi finalizada.

“Utilizamos o Resolve como ferramenta de correção de cor em 100% dos trabalhos da O2. Comerciais, séries de TV, longas-metragens, todos. E não utilizamos o Resolve apenas para correção de cor, mas para conformação, também”, relata Paulo sobre a paixão da O2 pelo DaVinci Resolve.

Para “Lili, a Ex”, a O2 utiliza o novo DaVinci Resolve 11. As novas ferramentas no set permitem à O2 copiar e salvar com segurança os arquivos de câmeras digitais, copiando unidades de mídia, cartões de memória e pacotes de câmeras para múltiplos destinos simultâneos.

“Assim que recebemos beta público do DaVinci Resolve 11, começamos a utilizá-lo imediatamente. Usando-o no set, conseguimos enviar os arquivos de correção de cor do set para a correção de cor imediata e colaborativa na O2 Pós”, comenta Paulo. “Utilizamos muitos dos recursos de rastreamento do Resolve. Uma cena em particular possui algo em torno de 12 nodes e adoramos poder trabalhar com nodes ilimitados em qualquer cena. Também utilizamos muitas máscaras, para que realmente possamos reformatar todo o visual de uma cena, bem como a iluminação. Isso é muito importante”.

“Lili, a Ex” começou a ser exibido na rede brasileira GNT em 24 de Setembro de 2014.

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Sobre a Blackmagic Design 
A Blackmagic Design cria os melhores produtos do mundo para edição de vídeo, câmeras para filmagem digital, corretores de cor, conversores de vídeo, monitoramento de vídeo, roteadores, comutadores de produção ao vivo, gravadores de disco, monitores de forma de onda e scanners de filme em tempo real para as indústrias de longas-metragens, pós-produção e transmissão televisiva. As placas de captura DeckLink da Blackmagic Design introduziram uma revolução de qualidade e acessibilidade na pós-produção, enquanto que seus produtos de correção de cor DaVinci, premiados com o Emmy™, dominam a indústria do cinema e da televisão desde 1984.

A Blackmagic Design continua oferecendo inovações revolucionárias, incluindo os produtos 6G-SDI e 12G-SDI e os workflows estereoscópicos em 3D e Ultra HD. Fundada por líderes mundiais na engenharia e edição de pós-produção, a Blackmagic Design possui escritórios nos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Singapura e Austrália.

Para mais informações, visite www.blackmagicdesign.com.

O2 Filmes | DaVinci Resolve

18 out

O2 Filmes radicaliza seu workflow com DaVinci Resolve em todos os departamentos.

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Rodeada de talento por todos os lados, a O2 Filmes produz sucessos de bilheteria de cinema, séries de TV e filmes publicitários. A empresa tem como sócios os diretores Fernando Meirelles (diretor de “Cidade de Deus,” “O Jardineiro Fiel,” “Ensaio Sobre a Cegueira,” e “360”) e Paulo Morelli (diretor e produtor de “Cidade dos Homens” e “Entre Nós”), e a produtora executiva Andrea Barata Ribeiro (produtora de “Cidade de Deus,” “Ensaio Sobre a Cegueira,” e “Cidade dos Homens”).

A O2 Filmes iniciou suas atividades como uma produtora de filmes publicitários e logo expandiu seus negócios para produção de conteúdo para cinema e TV além de outras áreas como distribuição de filmes (O2 Play), produção de conteúdo para novas mídias (O2 Outras elas) e serviços de Pós Produção (O2 Pós). Com mais de 100 profissionais na equipe e um enorme espaço criativo de 1.500 metros quadrados localizado dentro dos 8.500 metros quadrados da sede da O2 Filmes em São Paulo, a O2 Pós é considerada hoje a maior empresa de Pós-Produção do Brasil. Criada originalmente para atender a demanda de Pós Produção dos projetos da O2, o núcleo cresceu rapidamente em função dos talentos e tecnologias agregadas, possibilitando à empresa que abrisse suas portas para todo o mercado audiovisual brasileiro, atendendo hoje outras produtoras além da O2 Filmes. “A O2 sempre acreditou que ter sua própria empresa de Pós Produção seria a melhor maneira de manter a qualidade de seus projetos a medida em que a demanda da produtora aumentasse, além de atrair novos talentos para a empresa”, relatou Andrea Barata Ribeiro, sócia da O2.

“Para o filme “Ensaio Sobre a Cegueira” que foi feito em 2007, Meirelles decidiu fazer a finalização dos efeitos no Brasil. Ao não encontrar uma finalizadora que oferecesse a qualidade desejada e que pudesse trabalhar com seu orçamento e prazo, os sócios da O2 decidiram expandir o departamento de Pós Produção que, na época, só servia aos projetos de publicidade da casa,” relatou Barcellos.

Após o lançamento de “Ensaio Sobre a Cegueira” a O2 Pós começou a atender todos os projetos de entretenimento da O2 Filmes e sete anos depois, o núcleo hoje atente uma média de 12 longas metragens, 6 séries de TV (média de 10 episódios por título), e mais de 200 filmes publicitários por ano.

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Para dar conta desse rápido crescimento, Barcellos redesenhou toda a infraestrutura técnica da O2 Pós, e em uma decisão radical, rompeu completamente com os sistemas tradicionais e transformou a empresa em uma das maiores instalações de DaVinci Resolve no mundo, iniciando pelo departamento de correção de cor e estendendo aos outros departamentos da Pós, está instalando cerca de 80 licenças de DaVinci Resolve distribuídas entre esses departamentos, possibilitando que a correção de cor seja visualizada em qualquer etapa do processo de finalização.

Um Raro Gorila Branco é Encontrado

Com grande expertise em processos de Pós Produção e seus mais variados workflows, Paulo Barcellos teve como primeiro desafio na O2 Pós a direção técnica do núcleo de 2008 à 2010.

Durante esse período, Barcellos observou a necessidade de normatização de processos de laboratório para o novo cenário do cinema digital. Deixou portanto sua posição na O2, e arriscou empreender sua própria companhia, a White Gorilla.

“Iniciamos a White Gorilla em 2011 como laboratório digital que oferecia conversão de arquivos em tempo real, agregado a correção de cor off-line e backup em fita de LTO, trazendo as etapas de revelação de filme e processo de telecine para o mundo digital. Naquela época, um serviço que levava um laboratório digital para o set de filmagem era inédito. Desenvolvemos nossos próprios equipamentos e softwares proprietários voltados para o gerenciamento e backup de mídias digitais, e para a etapa de correção de cor off-line adotamos o Davinci Resolve 7. Era o primeiro software de correção de cor profissional de grande porte disponível para Mac e as funcionalidades eram incríveis.”, lembra Barcellos.

“Como diretor técnico da O2, tive a oportunidade de trabalhar com os melhores sistemas de correção de cor do mercado, e ao conhecer o DaVinci Resolve, fiquei impressionado com os recursos oferecidos. O software não perdia em nada para soluções muito mais caras.” Daquele momento em diante, o DaVinci Resolve virou um ingrediente chave no fluxo de trabalho da White Gorilla.

Com um workflow inovador e super eficiente, a White Gorilla consolidou sua marca no mercado, favorecendo seu enorme crescimento.

“O set de filmagem é sempre uma loucura, e soluções que facilitem o trabalho e reduzam ou evitem problemas são sempre muito bem vindas. Nossa solução de laboratório digital que utiliza o DaVinci Resolve foi batizada de Snowflake, em homenagem ao único gorila branco conhecido no mundo, e é bastante popular entre os diretores de fotografia pois possibilita que eles vejam a imagem mais próxima do resultado final ainda no set de filmagem.”

Desde que Barcellos lançou a White Gorilla, o sistema SnowFlake com DaVinci Resolve já foi utilizado para geração de dailies em mais de 40 longas metragens, 20 séries de TV, e 100 filmes publicitários. “Hoje, trabalhamos com a versão 11 do Davinci Resolve junto com o nosso software proprietário para gerenciamento de mídias e backup em LTO.  O operador no set usa o Resolve para sincronizar o áudio, fazer a correção de cor offline com o diretor de fotografia, e converter as mídias para a edição. Esse processo reduz o tempo de trabalho do montador e garante a segurança dos arquivos captados.”

Uma coisa em que Barcellos insiste  é que o equipamento sirva ao artista e não o oposto. Adicionalmente, a White Gorilla acredita que a solução tem que ser transparente para o diretor de fotografia e produção – por isso faz questão de treinar seus próprios operadores, que possuem os mais variados perfis.  Esses fatores colocam a White Gorilla a frente da concorrência.

A O2 Convida para Voltar

Antes de deixar a O2 em 2010, Paulo percebeu que a área de pós produção passaria por uma revolução tecnológica e alertou a empresa sobre as mudanças essenciais de infraestrutura que a O2 Pós teria que fazer para melhor sustentar a fusão de tecnologia e fluxo de trabalho.

No fim de 2012, os sócios da O2 contataram Paulo, e o convidaram para retornar para a O2 Pós como diretor geral e implementar essas mudanças. “Até meados de 2010, grande parte do processo de finalização era baseado em fitas pois quase tudo era filmado em película 16mm ou 35mm e depois passava pelo processo de telecine onde o material filmado era transferido para uma fita BETACAM ou HDCAM. Com a chegada das câmeras digitais, o processo mudou radicalmente mas não estávamos indo completamente na direção certa. Precisávamos de métodos de trabalho melhores e uma infraestrutura bem diferente da que tínhamos para sustentar o processo de filmagem digital,” comentou Barcellos. Desde a série “Som e Fúria”, a primeira série de TV com captação 100% digital em meados de 2008, a O2 foi pioneira na mudança de formatos, mas a nossas instalações eram voltadas para o fluxo de trabalho baseado em fitas e não arquivos digitais, e os fabricantes de soluções de grande porte, além de demorarem muito para se adaptar a essa nova realidade, mantiveram os preços de atualização desses equipamentos num patamar proibitivo, e isso acabou complicando muito o nosso fluxo de trabalho. Precisávamos de uma mudança drástica nos equipamentos, processos e workflow pois não tínhamos margem para expandir.”

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Com sua habilidade técnica e sucesso com a White Gorilla, Barcellos sugeriu uma mudança radical para a infraestrutura da O2, uma que começou com o DaVinci Resolve da Blackmagic Design. Barcellos explicou, “Não tomo decisões puramente baseadas em preço. Com a grande demanda de trabalho, precisamos de soluções robustas e confiáveis, e é natural que a maioria das empresas de Pós Produção optem por sistemas mais caros, porém após dois anos trabalhando com o Resolve Mac na White Gorilla, além de outros produtos Blackmagic, eu estava convencido de que não era preciso gastar milhões para fazer as mudanças necessárias no workflow da O2 Pós.”

A infraestrutura existente da O2 Pós era baseada na plataforma Linux, o que demandava constante suporte do departamento de T.I.. Além disso, a maioria das soluções que usávamos não suportava formatos populares como Apple ProRes, usado nas câmeras de cinema digital como Arri Alexa, o que acabava demandando etapas adicionais no processo de trabalho e consequentemente aumentando prazo e custo.

“Na época, alguns de nossos equipamentos de correção de cor também não abriam esses formatos, enquanto outros podiam abrir mas não exportar. Isso complicava muito o processo já que tínhamos que converter todo o material filmado no formato ProRes para o formato DPX antes da etapa de correção de cor e em seguida renderizar todo o material em DPX para depois copiar os arquivos para um Mac e assim converter esses arquivos para o formato Apple ProRes novamente. Era completamente ineficiente.”

Apesar de estar bem familiarizado com o DaVinci Resolve, Barcellos testou as soluções existentes na O2 Pós lado a lado e observou que o DaVinci no Mac possuía todas as funcionalidades das soluções tradicionais, além de ser cerca de três vezes mais rápido pois rodava num hardware mais atual. Essas vantagens e o suporte de diversos formatos como o ProRes convenceram a equipe de que esse era o caminho certo.

Com o OK da empresa, Barcellos iniciou o processo de reestruturação e a aquisição gradual de 80 licenças do DaVinci Resolve.

Mudanças Radicais para um Trabalho de Correção de Cor mais Eficiente

A primeira medida tomada por Paulo foi de substituir os três equipamentos de correção de cor da O2 Pós para o DaVinci Resolve Mac. “No início, as pessoas achavam que era loucura, pois havia um enorme investimento nos equipamentos existentes, mas no fim, o mundo estava mudando rapidamente e a perda seria muito maior se não mudássemos radicalmente e aproveitássemos essa oportunidade para sair na frente. Tínhamos que ser os líderes dessa transformação.”

O próximo passo foi criar um fluxo de trabalho mais colaborativo, e o DaVinci Resolve 11 era a chave. “Só era possível acompanhar a correção de cor de um projeto, se você estivesse na sala de correção de cor ou se o colorista enviasse frames do material ou exportasse um vídeo para aprovação.”

Barcellos decidiu então instalar uma cópia do Resolve 11 em todas as estações de trabalho dos supervisores de efeitos da O2 Pós, permitindo-lhes acompanhar a cor dos projetos em andamento. “Nesse processo, não é mais necessário exportar os arquivos ou  LUTs. Basta abrir o Resolve, clicar no projeto e assistir a cena. Isso é incrivelmente útil para os supervisores trabalhando em publicidades que envolvem muitas mudanças. O colorista  atualiza o projeto em sua sala e o supervisor pode revisar e aprovar em sua própria estação de trabalho.”

Equipar os computadores com o Blackmagic Design Resolve 11 criou eficiência para vários cenários. Agora, clientes da O2 Pós ou diretores de fotografia podem se reunir com o supervisor do projeto em qualquer ambiente da empresa, incluindo a sala de reunião, e todos os comentários e pedidos são anotados pelo supervisor e inseridos diretamente no banco de dados do DaVinci, e o colorista pode fazer alterações ao conteúdo imediatamente.

Barcellos planeja expandir esse recurso para os artistas de 3D e Composição, assim todos poderão usufruir do mesmo recurso e interagir com a etapa da correção de cor.

O2 estabelece parceria com a White Gorilla

Além de redesenhar toda a infraestrutura e o fluxo de trabalho da O2 Pós, Barcellos tem começado a integrar os processos e sistemas da White Gorilla nas filmagens da O2, criando um fluxo de trabalho extremamente eficiente. “Nós não queríamos começar essa integração de processos da White Gorilla na O2 Pós até que tivéssemos concluído a maior parte das mudanças”, disse Barcellos. “Com a nova infraestrutura e o DaVinci Resolve em todas as salas de correção de cor da O2 Pós, conseguimos atingir um nível de integração e colaboração inéditos. Como usamos exatamente o mesmo software no set de filmagens e na sala de correção de cor, o processo melhorou muito. A correção de cor hoje começa antes do set, com pesquisas de referências e testes de câmera feitas pelo colorista do projeto e esse material vai para a filmagem nos equipamentos da White Gorilla. No set, o operador trabalha junto com o diretor de fotografia na correção de cor off-line, usando de base as referencias enviadas pelo colorista e assim que o material chega na Pós, os arquivos são importados para as salas de correção de cor e o colorista pode começar a trabalhar imediatamente, partindo do projeto encaminhado e não do zero. É fluxo de trabalho muito mais eficiente e simplificado.”

Desde que as duas empresas começaram a trabalhar juntas, vários projetos estão sendo beneficiados. De séries para HBO e TV Globo, filmes publicitários e longas-metragens incluíndo o notável “Trash” dirigido por Stephen Daldry (“Billy Elliot”) e estrelando Mara Rooney, Martin Sheen e Wagner Moura do Brasil.

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O2 Olha Para o Futuro com DaVinci Resolve

“Está claro para nós que o DaVinci Resolve está caminhando para se tornar uma ferramenta de edição online, o que é muito útil para a O2 Pós. Queremos poder começar e terminar um projeto numa solução única, então esse caminho é bem atraente.”

Barcellos explicou que as novas funcionalidades do Davinci Resolve 11 facilitarão o processo de conformação e deliveries. “É tudo muito bom e estamos muito animados para saber quais ferramentas mágicas a Blackmagic Design vai desenvolver no futuro.”

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Tradução: Hae Ji Cho

Blackmagic DaVinci Resolve | Correção de cor em debate

4 out

O impacto da aquisição do DaVinci Resolve pela Blackmagic é comentado por especialistas em pós-produção durante o Congresso Panorama Audiovisual.

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O seminário Técnico: Edição e Pós-Produção com Blackmagic DaVinci Resolve, realizado durante o Congresso Panorama Audiovisual, contou com a participação de Marcus Tenchella, colorista da Casablanca, Márcio Pascoalino, sócio-fundador da Psycho Look, e Paulo Barcellos, fundador da White Gorila. Eles conversaram sobre o impacto das vendas de produtos de múltiplas funções por preço muito mais acessível. A empresa Blackmagic não só se adaptou como contribuiu fortemente para a consolidação deste modelo. Também comentaram como a correção de cor ganhou relevância nos últimos anos e gerou dependência em seus usuários. E, ainda, criticaram a variedade de filmes de ficção lançados nos últimos dez anos com cenas multilooks – ou seja, sem padronização de cores.

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Cada integrante da mesa contou a sua experiência de utilização do software, mas o mais intrigante foi o debate sobre o mercado de pós-produção em si. Para Paulo Barcellos, sócio-fundador da White Gorila, e diretor de Pós-Produção e Finalização da O2 Filmes, a indústria audiovisual está migrando de ferramentas caras para pessoas mais qualificadas. “Hoje, o diferencial está no talento do artista que opera a máquina”, afirma Barcellos. Segundo ele, antigamente havia disputa entre empresas para saber qual tinha as melhores máquinas, mas hoje o mais importante é o resultado final.

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Um novo nicho surgiu no mercado audiovisual a partir do imediatismo digital. “Nessa época, a Blackmagic comprou o DaVinci Resolve e o software passou a custar mil dólares e a rodar em Mac, depois disso ainda lançou uma versão grátis com menos recursos”, explica Barcellos. Foi quando ele criou um laboratório digital, com o objetivo de reduzir as etapas de conversão, cor, offline e backup, geradas pela captação digital. “A quantidade de ferramentas do DaVinci Resolve é incrível. E a White complementa esse conjunto com ferramentas próprias”.

Para Márcio Pascoalino, sócio-fundador da Psycho Look, alguns critérios foram perdidos quando o mercado se pulverizou. Ele mostrou o cenário da pós-produção até 2010. A estrutura era linear e adequada a um cenário no qual os equipamentos e os materiais tinham alto custo, o processo era mais caro e demorado e as produções exigiam mais verba. A partir daí, houve uma transição, e os departamentos existentes em uma produtora foram transformados, pelos próprios especialistas de cada área, em empresas especializadas. Cada profissional construiu um nome no mercado e abriu a sua própria empresa. “O artista virou gestor de sua própria empresa e hoje, nós vendemos talento, não equipamentos”, reforça Pascoalino. A empresa Psycho faz parte deste movimento, e hoje é o único estúdio especializado em color granding e no trabalho com imagem de alta qualidade. “Com o DaVinci Resolve é possível fazer um trabalho de qualidade, preço acessível e flexibilidade de realização”, afirma Pascoalino.

Já Marcus Tenchella, da Casablanca, contou sua experiência no filme Crô, no qual ele utilizou o DaVinci Resolve e obteve bons resultados. “É uma máquina poderosa, barata e, sem ela, você não tem como competir no mercado audiovisual”, afirma Tenchella.

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Fonte: Panorama Audiovisual